Ford Mustang GT Performance, sempre uma emoção diferenciada
Testamos o esportivo coupé mais vendido do mundo e que há mais de 60 anos mexe com o coração de entusiastas por todos os lados
Dessa vez, peço licença a você, caro leitor, para iniciar esta avaliação de forma diferente. Bem aqui em cima, antes do texto começar, tem a assinatura de quem escreve. No caso, eu, Geison Guedes, jornalista automotivo há mais de 10 anos e contando tudo sobre o universo motorizado aqui no Diário do Poder para vocês há quase seis.
Nesta mais de década de estradas rodadas, gasolina – e hoje em dia energia também – e pneus gastos em lançamentos e testes mais completos, já tive contato com inúmeros modelos, dos mais simples, aos mais espetaculares. Mas tem um que sempre mexe mais, que faz o lado profissional ser deixado momentaneamente de lado e que alimenta a criança interior apaixonada por carros desde sempre em êxtase, o Ford Mustang.
Todo e qualquer contato com o Mustang é uma emoção diferente.
Sinceramente, desde o lançamento oficial dele no Brasil, em 2018, já perdi as contas de quantas vezes tive contato com o clássico esportivo. Mas em todas, sem exceção, vem aquela sensação de que o adolescente que ficava falando sobre carros com os amigos da escola ficaria encantado ao saber que, no futuro, dirigiria não um Mustang, mas vários.
Claro que, o primeiro contato, no templo sagrado de Interlagos ainda por cima, foi o mais espetacular de todos, mas todas as vezes que ouvi a frase “está disponível para testar o Mustang?”, a alegria foi absoluta e desta vez não foi diferente. Pois aqui estamos, depois deste abre – a forma jornalística como chamamos a introdução de um texto – diferente, vamos ao nosso “Teste da Vez” com o icônico Ford Mustang, na sua versão GT Performance.
Precificação
O porém fica pelo preço, mais de meio milhão de reais.
Infelizmente, o Mustang não é um modelo que qualquer um pode levar para a garagem e realizar o sonho de infância de ter um esportivo como ele, afinal, estamos falando de um modelo que custa mais de meio milhão de reais (R$ 549 mil, mais precisamente). Sobre concorrentes, o principal deles não está mais na ativa, o Chevrolet Camaro foi aposentado.
Hoje, um modelo com ideia parecida (esportivo 2+2) é o Porsche 911, mas que começa acima dos R$ 870 mil. Outros se assemelham, mas pouco, como Audi RS 3 Sedan (R$ 659.990), BMW M2 (R$ 672.950), Honda Civic Type R (R$ 429.990), Mercedes-Benz CLA 45 AMG (R$ 640.600), Porsche 718 Cayman GTS (R$ 755 mil) e Toyota GR Corolla (R$ 461.990). Mas nenhum destes tem um poderoso motor V8 para chamar de seu.
Atemporal
O estilo da carroceria permanece o mesmo desde o lançamento há 60 anos.
O design é um dos diversos motivos que transformaram o Mustang em um ícone automotivo. Desde que surgiu, nos anos 1960, o desenho do esportivo já era atemporal. A atual e sétima geração, trouxe uma boa reformulação, mas mantendo o estilo clássico, com doses de modernidade, deixando-o ainda mais elegante.
O padrão visual do muscle car nunca foi alterado, visto no teto baixo, capô longo e traseira curta, apenas o desenho em si que foi evoluindo com o passar dos anos, mas sempre mantendo as proporções estilísticas desde o primeiro modelo, lançado na década de 1960.
Já o interior evoluiu muito ao longo dos anos.
Para a nova geração, ele conta com uma bitola traseira mais largas. O difusor traseiro foi redesenhado para aprimorar a aerodinâmica, assim como saídas duplas de escapamento. As lanternas contam com assinatura de três barras. A dianteira apresenta uma grade ainda mais agressiva e novas entradas de ar no capô. Os faróis full LED estão ainda mais modernos, mas perderam os detalhes que lembram guelras de tubarão.
Se o visual externo do Mustang manteve o padrão visto nas duas últimas gerações, o mesmo não podemos dizer sobre o interior. A cabine do esportivo está mais moderna do que nunca, tem um quê de minimalismo, mas sem exageros, e um destaque para as telas, que além de tudo, são nostálgicas e falamos delas mais para a frente.
Até é possível levar quatro pessoas, mas com certo aperto.
A parte do minimalismo fez alguns botões, como do volume do áudio e os do ar-condicionado, serem removidos e integrados ao painel digital. O acabamento está melhor do que nunca, é impecável, com uso abundante de couro e plástico macio ao toque. Além disso, como sempre, o Mustang é um esportivo coupé 2+2, ou seja, tem quatro assentos.
Como ele é um veículo grande, são quase cinco metros de comprimento e mais de 2.700mm de entre-eixos, é possível sim levar quatro pessoas a bordo. Claro que adultos muito grandes não cabem atrás, mas alguém de tamanho mediano consegue ir tranquilamente. O porta-malas cresceu, para um veículo esportivo, leva bons 382 litros.
Nostálgico
Quem além de gostar de carros desde pequeno tem um lado geek, e foi adolescente ali no meio dos anos 2000, certamente se lembrará de um jogo que fez muito sucesso, o “Need For Speed: Underground”. Em um universo de corridas, o jogador podia personalizar os veículos de várias formas e o Mustang tem um ponto customizável quase do mesmo nível.
Não é de hoje que vemos carros com telas digitais, mesmo para o painel de instrumentos, muito menos personalizáveis. Mas a Ford decidiu ir além de uma leve personalização. Antes, apenas o visual do display mudava de acordo com o modo de condução escolhido ou por escolha do motorista. Agora, é possível ir muito além.
Um dos diferenciais da geração, a personalização do painel de instrumentos.
A marca criou um sistema que permite trocar as cores vistas em todo o interior do esportivo, inclusive do visual do painel de instrumentos de 12,4 polegadas. Podendo trabalhar com duas variações de cor ao mesmo tempo (principal e secundária), em um leque de 28 tons diferentes. Elas alteram tanto o layout das telas, quanto a iluminação ambiente.
Mas a marca criou algo ainda mais legal do que a troca de cor. É possível alterar o visual do painel de instrumentos para o de modelos históricos do Mustang, como o “Classic” (67-68), o “Fox Body” (87-93) e o “SVT Cobra” (99-01). Nestes, as cores não mudam, mas você pode visualizar o painel como era de gerações anteriores, graças a modernidade da atual.
“Modernoso”
Para a nova geração, a Ford incrementou bastante a lista de equipamentos.
Não que alguém ligasse, mas um ponto do Mustang que sempre deixou um pouco a desejar, era a parca tecnologia embarcada, seja de segurança, conforto ou comodidade. Mas isso são águas passadas, pois ele finalmente recebe equipamentos a altura de toda potência e esportividade, que é o que realmente importa no modelo.
Além da iluminação ambiente configurável e das duas telas, uma de 12,4 polegadas e outra de 13,2 polegadas, ele conta com conexão sem fio para smartphones, bancos dianteiros com aquecidos, refrigerados e com ajustes elétricos, ar-condicionado digital dual zone, carregador de celular por indução, chave sensorial, partida por botão e remota, som premium Bang & Olufsen e conectividade remota via aplicativo FordPass.
O sistema Adas é completo e super funcional para o dia a dia.
Na parte da segurança, o ganho foi ainda maior. Ele vem com sete airbags, assistente de partida em rampa, controles de tração e estabilidade, retrovisor interno eletrocrômico, monitoramento da pressão dos pneus, faróis full LED com luz de circulação diurna, sensores crepuscular, de chuva e estacionamento traseiro e sistema Adas.
O pacote de auxiliares de condução vem com alerta de colisão frontal, assistentes de frenagem autônoma com detecção de pedestre e ciclista, de permanência e centralização em faixa e de manobras evasivas, farol alto automático, detecção automática de buracos, piloto automático adaptativo com Stop & Go e monitoramento de ponto cego com alerta de tráfego cruzado.
Início da diversão
São cinco modos de condução para deixar a direção ainda mais divertida.
O Mustang é um esportivo natural, mas para deixar a “brincadeira” mais legal, a Ford conta com uma série de comandos e modos que modificam vários aspectos do veículo. As principais alterações ficam pela resposta do acelerador, das trocas de marcha e dos freios, a rigidez da suspensão, que é magnética, e do controle de tração.
Para otimizar, ainda mais, a direção, são cinco modos de condução (Normal, Esportivo, Escorregadio, Pista e Pista Drag), três de direção (Normal, Esportivo e Conforto), quatro de escapamento (Normal, Esportivo, Pista e Silencioso) e quatro de suspensão (Normal, esportivo, Pista e Pista Drag) e todos contam com customização ao gosto do motorista.
O escape duplo de duas saídas deixa o ronco do motor ainda mais gostoso de ouvir.
Ele vem também com escapamento duplo com quatro ponteiras e ajuste de válvula ativo, freio de estacionamento eletrônico de alta performance, sistema de pré-aquecimento dos pneus traseiros e “Track Apps”, que apontam as métricas de desempenho, cronometragens e frenagens do veículo.
Entre todos os modos de condução, um não é aconselhável utilizar na cidade, o Pista. Como o nome indica, ele é ideal para se utilizar em um autódromo, para tirar todo proveito que o Mustang oferece. Outro que precisa de cuidado é o Pista Drag. Ele permite realizar manobras agressivas com o carro, como “burnout”, o famoso borrachão, e zerinhos.
Mesmo parecendo uma alavanca manual, o freio de estacionamento é eletrônico.
Os dois precisam ser feitos em área isolada, sem nenhum tráfego, de outros automóveis ou de pedestres. Basta ativar o modo Pista Drag, que altera as configurações do veículo, e usar o freio e o acelerador ao mesmo tempo para ver a fumaça dos pneus levantar. Isso, junto com o ronco agressivo do motor, é de arrepiar até quem não gosta de carro.
E ainda há as opções do escapamento. As mais legais, claro, são a “Esportivo”, que deixa o ronco ainda mais grave, e o “Pista”, que simplesmente deixa o Mustang com um urro animalesco e bem divertido também. O silencioso, como o nome indica, deixa o som mais abafado, para ser usado em garagens, e há o normal também.
Realizando sonhos
O poderoso Coyote 5.0 V8 gera insanos 488 ‘puros-sangues’.
Uma coisa que não mudou no Mustang é o conjunto mecânico abissal. A GT utiliza o poderoso e conhecido motor V8 5.0 aspirado, que agora gera 488 cavalos e 57,5kgfm de torque. Ele está alinhado à transmissão automática de 10 velocidades, freios de alta performance Brembo, suspensão adaptativa MagneRide e a clássica tração traseira.
Todos estes dados são facilmente traduzidos de uma forma: “sorriso de orelha a orelha” de qualquer um que ande no Mustang, seja o motorista ou os passageiros. Do ronco gutural do motor as acelerações viscerais, passando pelo câmbio de respostas imediatas, sem nenhum delay, todo o conjunto é de de causar suspiros até em quem não gosta de carro.
A transmissão beira a perfeirção e otimiza muito a condução.
Ainda sobre a transmissão, as trocas são macias e no tempo certo. Ao pisar firme no acelerador, ele despenca rapidamente da nona, oitava marcha, para a terceira, segunda, fazendo um “kick down” automático, de forma que permite o esportivo disparar com ainda mais facilidade pelo asfalto. A suspensão também surpreende, para um esportivo.
O sistema é naturalmente rígido e firme, o que pode ser algo não muito bom em um país com as vias como as nossas, mas até nisso, o americano manda bem e quando se acha um asfalto liso, o conforto é bem otimizado. Mas, logicamente, o grande astro do muscle car é o poderoso motor e seus 488 “puros-sangues”.
Na direção, é impossível não sorrir de “orelha a orelha”.
Ganhar velocidade com o Mustang é algo realmente muito fácil, basta pisar no acelerador que ele dispara pelo asfalto sem a menor cerimônia. O difícil não é acelerar, mas saber a hora de parar de pisar no acelerador. A cada toque no pedal, o carro te instiga a apertar mais o pé, principalmente alinhado com o ronco digno de uma sinfonia.
A eletrônica faz com que o modelo esteja sempre na mão do motorista, mesmo em acelerações mais fortes, onde é até possível sentir ele dar aquela balançadinha gostosa na traseira, mas só para gerar mais emoção, tudo super controlado. Mesmo em curvas de alta ele permanece bem no traçado. Qualquer susto é por pura opção do motorista. Ah, sobre o consumo, se é que alguém liga para isso em um V8, ele ficou na clássica casa dos 5,4km/l.
A opinião do Diário Motor
Ford Mustang GT Performance.
O Mustang é isso tudo e muito mais do que descrevemos nesta avaliação. Ele é daqueles raros casos que só adjetivos positivos lhe são direcionados. Uma verdadeira “obra-prima” da engenharia americana. Do tipo de veículo que deixa qualquer marmanjo se sentindo como criança e lembrando dos tempos que era apenas um sonho de consumo.
Se vivêssemos em um mundo justo, todos teriam direito a certas benesses e, dentre elas, deveria estar andar, no mínimo uma vez, em um Mustang. Sentir todo o poder seu V8 roncando, “queimando” asfalto. Mas não vivemos em um conto de fadas e é preciso ter R$ 550 mil para ter um “brinquedo” desses… Se você tem e está pensando em gastar um carro diferenciado, não se arrependerá, vale cada centavo gasto. Vale a compra! Nota: 10.
Ficha Técnica
Motor: V8 5.0 aspirado
Potência máxima: 488cv
Torque máximo: 57,5kgfm
Transmissão: automática de 10 velocidades
Direção: elétrica
Suspensão: independente nas quatro rodas
Freios: a disco nas quatro rodas
Porta-malas: 382 litros
Dimensões (A x L x C x EE): 1.398 x 1.958 x 4.811 x 2.719mm
Preço: R$ 549 mil