21/04/2019

Ataques simultâneos no Sri Lanka matam mais de 200 pessoas

Domingo de Páscoa

Ataques simultâneos no Sri Lanka matam mais de 200 pessoas

450 ficam feridos em atentados a igrejas e hotéis; imagens sacras ficaram destruídas

Uma série de explosões simultâneas em três igrejas e três hotéis de luxo no Sri Lanka provocou a morte de mais de 200 pessoas neste domingo (21). Entre os mortos, há pelo menos 35 estrangeiros, segundo balanços iniciais. Cerca de 500 pessoas ficaram feridas. Segundo as autoridades do Sri Lanka, os primeiros seis ataques ocorreram por volta das 8h45 (horário local, 2h30 em Brasília). No momento das explosões, os templos católicos estavam celebrando o Domingo da Ressureição, uma das datas mais importantes do calendário cristão. A capital, Colombo, foi alvo de pelo menos quatro explosões: em três hotéis de luxo e uma igreja. As outras duas igrejas atingidas ficam em Negombo, no oeste do país (região que abriga uma grande população católica); e em Batticaloa, no leste. Poucas horas depois das seis explosões simultâneas iniciais, foram registrados mais dois atentados. Uma explosão atingiu um pequeno hotel em Dehiwala, um subúrbio de Colombo. Uma oitava explosão foi registrada em Dematagoda, outro subúrbio da capital, e atingiu uma residência. Sete pessoas foram presas por suspeita de participação nos ataques. A rede BBC informou que o governo disse que a maioria das explosões foi provocada por terroristas suicidas. Nenhum grupo reivindicou a autoria das ações até o momento. Em resposta aos ataques, o governo impôs toque de recolher em toda a ilha, com início às 18h (horário local) até as 6h do dia seguinte. O governo determinou ainda um bloqueio temporário às redes sociais para impedir a difusão “de informações incorretas”. “O governo decidiu bloquear todas as plataformas de redes sociais para evitar a disseminação de informações incorretas e falsas. Essa é apenas uma medida temporária”, afirmou a Presidência do país em comunicado. Segundo as autoridades, pelo menos 45 pessoas morreram em Colombo, 67 em Negombo, 25 em Batticaloa e 2 em Dehiwala. O presidente do Sri Lanka, Maithripala Sirisena, pediu calma ao país após a série de atentados. “Por favor, fiquem calmos e não sejam enganados por rumores”, declarou Sirisena em mensagem à nação. O presidente, que se mostrou “em ‘choque’ e triste com o que ocorreu”, esclareceu que “as investigações estão em curso para descobrir que tipo de conspiração está por trás desses atos cruéis”. (ABr)
21/04/2019

Aos 59 anos, Brasília vira metrópole e teme violência

Aniversariante

Aos 59 anos, Brasília vira metrópole e teme violência

Capital deixou de ser cidade maquete e é desigual como o Brasil

No dia em que Brasília completa 59 anos, a economista Jane Pias de Oliveira recorda-se da liberdade que tinha para brincar na cidade quando era menina (9 anos), nos primeiros anos da capital federal. “A gente ia para o zoológico de bicicleta. E sabe por onde a gente andava? Naquela faixa do meio do Eixão”, conta à reportagem. Jane morava na quadra 712 sul, a sete quilômetros do Jardim Zoológico, e fazia com seus colegas da rua um passeio impensável para os dias atuais no Eixo Rodoviário, por causa do intenso tráfego a 80 km/h (velocidade autorizada). A economista nasceu em outubro de 1958, no antigo Hospital Juscelino Kubitschek de Oliveira, o primeiro do Distrito Federal, hoje Museu Vivo da Memória Candanga, no Núcleo Bandeirante. “Na minha certidão de nascimento está escrito ‘nascida em Brasília (futura capital federal)’. Eu nasci numa cidade que não existia ainda”, afirma. O filho de Jane, o estatístico Carlos Eduardo de Oliveira Varanda (38 anos), também não esquece os passeios de bicicleta na infância. “Andava de bicicleta o Lago Norte inteiro [cerca de nove quilômetros de extensão] e não avisava à mãe”. Carlos Eduardo ainda lembra de subir em árvore, pescar no Lago Paranoá e até encontrar bichos, como pequenas cobras, que dividiam o cerrado com casas que habitavam o bairro, hoje praticamente todo urbanizado e construído. “Tinha vida de roça na cidade”, rememora. Mãe e filho são da primeira e segunda gerações de brasilienses. Aquelas que usufruíram da cidade crianças e adolescentes até os anos 1980, e tiveram o privilégio de viver em um centro urbano ainda não densamente povoado, com pouco trânsito e seguro para as meninos e meninas brincarem livremente. O pequeno Alexandre (3 anos), da terceira geração de brasilienses, neto de Jane e filho de Carlos Eduardo, jamais terá a liberdade que sua avó ou seu pai tiveram em tempos idos na capital. “Se minha mãe deixar meu filho do mesmo jeito que me deixava, eu vou ficar preocupado”, admite Carlos Eduardo. “Era mais tranquilo. No trânsito a gente se deslocava rapidinho”, conta Jane que, além de criar Eduardo e mais dois filhos, ainda trabalhava em um banco e estudava na Universidade de Brasília (UnB). “Nós tínhamos mais segurança para deixar os filhos brincarem na rua. Hoje temos que ir junto”, compara Jane. O veterinário Luís Fernando de Oliveira Varanda (34 anos), também filho dela, tem as mesmas preocupações que o irmão e entretém os seus dois filhos, também brasilienses, em brinquedotecas. “Não temos mais aquela liberdade”, afirma. Contradições Menos liberdade por causa de segurança é indicador de que Brasília se tornou uma típica metrópole brasileira. De acordo com o Mapa da Violência 2018, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a taxa que soma homicídios e mortes violentas com causa indeterminada é de 26,5 casos a cada 100 mil habitantes – acima de São Paulo (14,9 casos), Florianópolis (18) e Vitória (23,1). Para o urbanista e professor emérito da UnB José Carlos Coutinho, a violência tem a ver com a desigualdade socioeconômica entre o Plano Piloto e as regiões administrativas, e as cidades do Entorno e o DF. “Temos concentração perversa da mais alta renda per capita do país em zonas elitizadas, circundados por uma periferia onde não há condições dignas de vida”, diz. Conforme o especialista, há 50 anos na cidade, “essa periferia que cerca a ilha da fantasia que cria esse contraste. Daí vêm as cercas elétricas, muros altos e arame farpado”. “Brasília nasceu saudável, um bebê rosado, lindo, que à medida que foi crescendo foi ficando com a cara do pai, que é o Brasil. Brasília hoje tem as mesmas contradições, desigualdades e injustiças que tem o país. Brasília não poderia ser diferente do Brasil”, complementa o urbanista. Dados do Atlas Brasil, recentemente divulgados pelo Ipea, indicam que a renda per capita na região metropolitana formada pelo Distrito Federal e Entorno cresceu 41,88% entre 2000 e 2010, houve redução do percentual de pobres (de 17% para 7,2%) e dos extremamente pobres (de 5,21% para 1,96%). O Índice de Gini, que mede a desigualdade, porém, variou pouco; era de 0,65 em 2000 e foi a 0,64 em 2010. O índice varia de zero a um, quanto mais próximo de zero mais igualitária a renda do grupo. Quanto mais perto de um, maior a concentração de renda. Conforme a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), 401 mil brasilienses formam uma elite com renda média domiciliar mensal de R$ 15,6 mil; 922 mil têm renda média domiciliar de R$ 7,3 mil; 1,2 milhão têm renda média domiciliar de R$ 3 mil; e 307 mil têm renda média domiciliar de R$ 2,4 mil. “Ocupação anárquica” Além da desigualdade e da insegurança, José Carlos Coutinho lamenta que a ocupação do DF se deu de forma “anárquica” e que os diversos governos não fizeram planejamento, resultando em ocupação indevida de terras e devastação do cerrado. “A cidade veio tropeçando num processo de crescimento alarmante. O futuro nos reserva muitas incertezas. Brasília vai acabar sendo um centro histórico cercado de pobreza por todos os lados”, alerta o urbanista. A cidade ocupa o quarto lugar em número de automóveis. Conforme o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), há 1,29 milhão de carros emplacados em Brasília – abaixo apenas de São Paulo (5,75 milhões), do Rio de Janeiro (2,04 milhões) e de Belo Horizonte (1,44 milhão). O volume de carros é tão grande em Brasília que seria possível colocar todos os habitantes nos automóveis e ainda sobrariam lugares. Segundo projeção do IBGE, Brasília tem 3 milhões de habitantes. Dividindo um indicador pelo outro, chega-se à média de 2,3 pessoas por carro registrado na cidade. Luís Fernando e Eduardo de Oliveira evitam o trânsito candango morando em superquadras do Plano Piloto, próximas ao trabalho. A mãe deles, Jane, mudou-se há seis meses para Águas Claras, um bairro de classe média alta com prédios de mais de 30 pavimentos, na região administrativa de Taguatinga (antigamente denominada de cidade-satélite). A noite da espera Aposentada, Jane foge do trânsito evitando as horas de congestionamento. E, sem se apegar ao passado, aprecia a Brasília de 2019. “Não sou saudosista, gosto de lembrar de algumas coisas. Eu adoro Brasília, acho linda, tem qualidade de vida ótima. [Nos últimos anos], melhorou em urbanização e vida noturna.” O escritor Milton Hatoum, autor de Dois irmãos, Cinzas do Norte e A Noite da Espera, o último com história ambientada em Brasília no final dos anos 1960, também elogia a Brasília atual. “A cidade ficou verde”. Em sua opinião, a capital não tem mais “a tristeza e a tensão” que são tratadas no seu último livro. Algumas angústias da trama, Hatoum experimentou. Veio de Manaus para a cidade com 15 anos, longe da família, para estudar o “colegial” no extinto Centro Integrado de Ensino Médio (Ciem), colégio de aplicação então vinculado à UnB. Nos momentos de solidão, conta que contemplava o Lago Paranoá ou ia ver a Igrejinha. “A cidade estava começando, tinha pouquíssimas árvores e muito barro. Era um cerrado destruído para a construção da cidade”, descreve. O escritor também ia ao Poço Azul. Passeios a cachoeiras nos arredores da nova capital são mencionados no livro e marcados na memória de Hatoum, assim como lugares símbolos da então jovem cidade: a Livraria Encontros, a Pizzaria Kazebre 13, que já não existem mais, o Restaurante Roma e o Bar Beirute, ainda em funcionamento. O superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Carlos Madson Reis, que vive em Brasília desde 1972, evita espírito nostálgico quanto à quietude da cidade. Sem negar os problemas apresentados na capital, que faz aniversário neste domingo (21 de abril), ele diz que o Plano Piloto se assemelha até hoje à proposta original de Lúcio Costa, que foi modificada desde o início com alterações como a criação das quadras 400 e 700, a aproximação da área urbana ao lago e a extensão do Eixo Monumental. Madson Reis avalia que Brasília deixou se ser maquete e que a terceira geração da cidade ocupa “de maneira diferente” o espaço urbano. “Faz uma apropriação menos sacralizada e mais humanizada. Procura se apropriar dos espaços de uma forma mais lúdica. Menos simbólica e mais intensa”, acrescenta. (ABr)
21/04/2019

Uma cidade sonhada por dois séculos

Brasília faz 59 anos

Uma cidade sonhada por dois séculos

A transferência para o interior do país é defendida desde o período colonial, mas só JK fez do sonho uma realidade

A transferência para o interior do país é defendida desde o período colonial. A construção de uma nova capital, porém, passou por vontades políticas distintas, muitas mudanças de governo até se transformar em realidade com Juscelino Kubitschek. Brasília completa 59 anos, mas, pela história, poderia ter facilmente 268 anos. Sonhada por mais de dois séculos, a criação de uma nova capital no interior do país é defendida desde o período colonial. No início,o objetivo era proteger a colônia de invasões que poderiam vir do litoral. Com o passar dos anos, a tese passou a ser o desenvolvimento do interior do país. Muitas idas e vindas, vontades políticas distintas, mudanças de governo até a construção da capital se  transformar em metassíntese do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek e sair do papel. “A transferência da capital para o interior do país não ocorreu bruscamente, tampouco gozou de unanimidade. Foi um lento processo em que poucos acreditaram e, desses, uma porcentagem ainda menor o defendeu publicamente”, afirma Jeferson Tavares, autor do livro Projetos para Brasília: 1927 – 1957, que conta a história da transferência da capital e dos projetos feitos para Brasília. “Não tardaram as vozes contra essas ações, denominando-as de loucas e insanas”, completa. É atribuída ao Marques de Pombal a ideia mais antiga que se conhece de transferir a capital do Brasil para o interior. Em 1751, ele contratou um cartógrafo italiano que elaborou a carta geográfica de Goiás e ressaltou o valor estratégico do Planalto Central. Anos depois, em 1789, os inconfidentes mineiros queriam transferir a capital para São João Del Rey, em Minas Gerais, com a alegação de vantagem estratégica (segurança) e demográfica (povoamento do interior). Com a proclamação da Independência e a Assembleia Constituinte, José Bonifácio foi mais uma voz a defender a mudança. Ele chegou a sugerir o nome Petrópolis (cidade de Pedro) ou Brasília para a nova capital, que seria erguida na comarca de Paracatu do Príncipe, Minas Gerais. A Constituição de 1824, porém, não incorporou a tese da interiorização da capital. Foi apenas com a Constituição de 1891 que surgiu o primeiro marco legal para a interiorização: em seu artigo 3º, a lei reservou à União uma área com 14.400 quilômetros quadrados no Planalto Central, que seria oportunamente demarcada para nela estabelecer-se a futura Capital Federal. “Sempre se falava em ir para o interior, por causa da vulnerabilidade do litoral. Mas não havia nenhum estatuto legal até então”, conta o historiador do Arquivo Público do DF, Elias Manoel da Silva. Comissão Cruls Floriano Peixoto, o primeiro presidente da República, criou a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil em 1892. Presidida por Luiz Cruls e formada por 22 expedicionários, eles passaram sete meses no Planalto Central e delimitaram o quadrilátero de 14.400 km² conforme determinava a Constituição. Dois anos depois, Luiz Cruls publica o relatório da expedição e, graças ao sucesso da missão, o presidente envia uma segunda comissão ao Planalto Central, que estudou a área demarcada e especificou o melhor lugar para a construção da cidade: entre os córregos Gama e Torto, onde hoje está Brasília. “Estava tudo pronto para começar a construir a capital, mas o governo de Floriano Peixoto chegou ao fim e seu sucessor, Prudente de Morais, paulista, não queria a mudança da capital, como seus conterrâneos”, lembra o historiador. “Propuseram a reforma do Rio de Janeiro, Prudente de Moraes cortou as verbas da comissão de estudos da nova capital e a ideia morreu por aí”, explica Elias Manoel. Mais cem anos se passaram até que, no Centenário da Independência, em 1922, deputados mudancistas voltaram a falar da transferência da capital. Eles defendiam que as ideias da Constituição fossem resgatadas e fizeram um projeto de lei para que uma pedra fundamental fosse colocada dentro do quadrilátero reservado ao futuro Distrito Federal. No dia 7 de setembro de 1922, ao meio dia, a pedra fundamental da nova capital é assentada próximo a Planaltina – um marco para a concretização das aspirações para a interiorização da capital. A Constituição de 1934 volta a prever a transferência para o ponto central do Brasil, mas apenas em 1946, com a quarta Constituição Republicana, a lei volta a representar ação prática para a mudança: o presidente Eurico Dutra nomeia um novo grupo técnico para realizar estudos de localização. Liderada por Djalma Polli Coelho, a comissão indica o mesmo território apontado por Luiz Cruls. O relatório da comissão Djalma Polli é enviado ao Congresso Nacional em 1948, mas só é aprovado em 1953. Um projeto de lei autoriza o governo a definir o sítio da nova capital e Getúlio Vargas cria uma Comissão de Planejamento da Mudança da Capital Federal. Um ano depois, com assessoria de empresas de foto análise e foto interpretação, a delegação indica os cinco melhores sítios para ser construída a nova capital e o governo enfim escolhe o Sítio Castanho como local exato para a construção da nova capital. JK Neste momento, a história da transferência cruza-se com a de Juscelino Kubitschek, então candidato à Presidência da República. Em 4 de abril de 1955, em um comício na cidade de Jataí (GO), JK é questionado se cumpriria a Constituição e faria a transferência da capital caso fosse eleito. “Quero confessar que até aquele instante não havia fixado, com a devida atenção, o problema da mudança. Mas tive que responder de pronto à pergunta”, escreveu Juscelino mais tardeCom a eleição de JK, a construção da capital começa a se tornar realidade. Em setembro de 1956, é sancionada a lei que criou a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) e deu o nome de Brasília à capital. As obras começaram em outubro daquele ano e, depois de três anos e meio, Brasília é inaugurada em uma festa que durou quase dois dias. “São dois séculos de história, mas faltou vontade política em outros momentos e um cara ousado como foi JK”, afirma Elias Manoel. “Mas Juscelino só pôde construir a capital em um único governo porque, quando assume a presidência, o Distrito Federal já está delimitado, o local escolhido e desapropriado. Todos os trabalhos da comissão foram passados para a Novacap”, opina o historiador. Sonho de Dom Bosco Entre os graus 15 e 20 havia uma enseada bastante longa e bastante larga, que partia de um ponto onde se formava um lago. Disse, então, uma voz repetidamente: – Quando se vierem a escavar as minas escondidas no meio destes montes, aparecerá aqui a terra prometida, de onde jorrará leite e mel. Será uma riqueza inconcebível. Dom Bosco Os livros de história contam que a fundação de Brasília teria sido até mesmo profetizada por um santo. Em 1883, Dom Bosco, santo italiano fundador da Congregação dos Salesianos, teria sonhado que fazia uma viagem à América do Sul e viu um local especial ao chegar à região entre os paralelos 15° e 20°, onde, nas palavras de um anjo que o acompanhava em sua visão, apareceria “a terra prometida” e que seria “uma riqueza inconcebível”. A visão acabou sendo interpretada como uma premonição do local em que deveria ser construída a nova capital do Brasil. Mas Dom Bosco nunca viajou à América do Sul e historiadores afirmam tratar-se de uma manobra política criada por parlamentares mudancistas goianos para assegurar a construção da Capital Federal no Planalto Central brasileiro. O episódio é até apelidado de “Operação Dom Bosco” pelo jornalista e historiador Jarbas Silva Marques. “O sonho existiu, mas foi usado na década de 50 pelos goianos para justificar a construção de Brasília. Eles foram muito espertos, ressignificaram o sonho para dizer que até Deus queria Brasília. Havia uma forte oposição contra a mudança da capital, mas o povo brasileiro é muito religioso”, afirma o historiador Elias Manoel da Silva. Para a arquiteta Angelina Nardelli Quaglia, que estuda a história de Brasília há 14 anos, o sonho de Dom Bosco acabou se transformando em uma “simpática lenda”. “Alguns estudiosos atuais dizem que foi uma manipulação do sonho para fazer as pessoas acreditarem que aqui era um lugar prometido. Na época havia a necessidade de se criar essa comoção nacional, foi uma forma de convencer as pessoas”, acredita.(Com informações Agência Brasília)  
21/04/2019

Poluição de Manaus aumenta em até 400% a formação de aerossóis pela floresta amazônica

IMPACTO NO MEIO AMBIENTE

Poluição de Manaus aumenta em até 400% a formação de aerossóis pela floresta amazônica

Fenômeno impacta a produção de nuvens e de chuva, com consequências para o clima local e global

Estudo internacional com a participação de pesquisadores brasileiros descobriu que a poluição urbana vinda de Manaus (AM) aumenta – muito mais do que o esperado – a formação dos aerossóis produzidos pela própria floresta amazônica. De acordo com o artigo publicado na revista Nature Communications, a poluição urbana resulta em um aumento médio de 200%, com picos de até 400%, na formação dos aerossóis orgânicos secundários. O trabalho teve apoio da FAPESP por meio da campanha científica Green Ocean Amazon (GOAmazon) e de um Projeto Temático vinculado ao Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG). O aumento exagerado dos aerossóis produzidos pela floresta tem impacto significativo em fatores importantes para as mudanças climáticas globais, como o balanço radioativo, a produção de nuvens e de chuva, assim como na taxa de fotossíntese das plantas. Em situações em que a poluição urbana não afeta a floresta, os aerossóis orgânicos são produzidos no solo da Amazônia. Porém, como o estudo mostrou, em quantidades muito inferiores. Estudos semelhantes realizados em florestas boreais – que são a base da modelagem climática global – apresentavam aumento de no máximo 60% dos aerossóis orgânicos secundários em florestas impactadas pela poluição de cidades próximas. “Pela primeira vez, conseguimos entender e prever com modelos as concentrações de aerossóis na Amazônia. Já era sabido que os modelos climáticos do hemisfério Norte não se aplicam aos casos da floresta amazônica. Víamos que a conta, baseada nos estudos anteriores, não fechava. Portanto, os resultados dessa nova pesquisa vão trazer maior acuidade aos modelos meteorológicos, assim como à modelagem climática regional e global”, disse Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e um dos autores do artigo. De acordo com Artaxo, o próximo passo é englobar a química dos aerossóis tropicais nos modelos climáticos globais, como os do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU), por exemplo, conseguindo assim prever melhor os ciclos hidrológicos da Amazônia e identificar alterações nos padrões de chuva de toda a região tropical do planeta. Pequena alteração, grande mudança Aerossóis são partículas (sólidas, líquidas ou gasosas) suspensas no ar. Podem ser produzidos naturalmente pela floresta, como partículas primárias, ou secundariamente na atmosfera a partir de precursores gasosos (COV) emitidos pelas florestas (aerossóis orgânicos secundários), por exemplo, ou por atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis. O aumento de até 400% dos aerossóis orgânicos secundários em virtude da pluma de poluição de Manaus tem um impacto muito significativo no ecossistema. Essas partículas são importantes para a transmissão de radiação solar na atmosfera, para a formação e o desenvolvimento de nuvens, produzindo chuva, entre outros efeitos. O grupo de pesquisadores conseguiu observar e medir os compostos que vêm da pluma de poluição manauara, como ozônio (O3), óxidos de nitrogênio (NOx), dióxido de enxofre (SO2) e radicais hidroxila (OH). “Quando surge uma grande quantidade de enxofre e de compostos nitrogenados na atmosfera, vindos como poluição, ocorre uma oxidação muito mais rápida desses vapores orgânicos na floresta. Essa conversão cria muitos aerossóis novos, muito mais do que se teria de maneira puramente natural”, disse Henrique Barbosa, professor do IF-USP e também autor do artigo. No estudo, a equipe internacional de pesquisadores analisou as consequências dessas mudanças tanto do ponto de vista experimental e observacional, quanto utilizando modelagem numérica dos processos atmosféricos. A equipe também simulou matematicamente a formação dessa grande quantidade de aerossóis, identificando os processos associados à sua origem e os mecanismos químicos que faltavam nos modelos usados até então. “A Amazônia é uma região extremamente limpa de poluição. Um minúsculo aumento de compostos nitrogenados, por exemplo, provoca um aumento brutal de aerossóis na floresta. A perturbação causada pela emissão antropogênica é muito violenta e tem impactos em todo o clima da região, no sistema hidrológico, assim como no clima global”, disse Barbosa. Essa alteração tem forte impacto sobretudo na formação das nuvens na Amazônia. “Observamos como, por causa da quantidade de aerossóis ultrafinos nas nuvens, muda a velocidade do ar ascendente. Isso deixa as nuvens mais vigorosas e com mais água precipitável”, disse Barbosa. Fotossíntese A quantidade de aerossóis também influencia fortemente a fotossíntese da floresta, que depende da radiação solar para a fixação de carbono pelo ecossistema. “Percebemos que, até certo ponto, o aumento dos aerossóis secundários torna a fotossíntese mais eficiente. Depois disso, as reações se dão de forma mais lenta”, disse Barbosa. De acordo com o pesquisador, isso acontece por causa da interação dos aerossóis com a radiação solar. Circulando livremente no ar, os aerossóis podem mudar a quantidade de radiação na floresta, seja ela direta (aquela que faz sombra) ou difusa. Na floresta, como a vegetação tem diferentes níveis de altura das folhas, a radiação difusa tem mais facilidade de penetrar na copa e atingir até as folhas mais baixas – sendo, portanto, mais eficiente para a planta fazer a fotossíntese. Já a radiação direta ilumina apenas as camadas mais altas de folhas e, depois de atingi-las, faz a sombra. “Quando há mais aerossol na atmosfera, aumenta a fotossíntese. Porém, se tiver demais, atrapalha. No fim das contas, não importa se aumenta a oferta de radiação difusa. No balanço final, o aerossol acaba diminuindo tanto a luz solar que a planta não consegue fixar muito carbono”, disse Barbosa. Isopreno De acordo com os pesquisadores, o estudo mostrou que as florestas tropicais são muito mais dinâmicas do que se imaginava. “O aumento de aerossóis causado pela poluição é muito maior nas florestas tropicais [400%] do que nas boreais [60%]. Isso se deve aos mecanismos diferentes de emissão e oxidação, além da presença de isopreno apenas nas tropicais”, disse Artaxo. O isopreno é um gás composto orgânico volátil (COV) emitido pelas plantas em florestas tropicais como parte de seu processo metabólico. Ele é emitido em grandes quantidades pela floresta amazônica e tem meia-vida curta na atmosfera, se transformando em partículas de aerossóis. “A transformação do isopreno em partículas é muito acelerada pela presença da poluição de Manaus, particularmente pelas emissões de óxidos de nitrogênio”, disse Artaxo. Nas florestas boreais não há emissão de isopreno, mas de outro COV, o terpeno, e em quantidades muito baixas. Esse gás, no entanto, tem uma química atmosférica completamente diferente da observada no caso do isopreno. “Isso faz com que as emissões de florestas tropicais sejam chave na produção de partículas e também na formação de ozônio, com uma química que era desconhecida antes do experimento GoAmazon. Agora que conhecemos os mecanismos químicos, podemos englobá-los nos modelos climáticos globais, melhorando nosso entendimento do papel das florestas tropicais no clima do planeta”, disse Artaxo. O pesquisador ressalta que o aumento de aerossóis orgânicos secundários não está relacionado apenas com a poluição urbana, como a emitida por veículos. Pode ser resultado de outras atividades geradoras de óxido de nitrogênio, como as queimadas de florestas ou a operação de geradores em cidades pequenas na Amazônia. “Descobrimos que os óxidos de nitrogênio são o elemento catalisador da formação dos aerossóis orgânicos secundários. Se tiver esse composto na poluição, independentemente da causa ou origem, esse processo de intensificação da produção de partículas vai ocorrer”, disse Artaxo. Maior precisão Atualmente, os modelos climáticos usam majoritariamente processos oriundos de estudos realizados no hemisfério Norte e, no caso dos aerossóis orgânicos secundários e seus impactos, não representam a realidade da Amazônia ou das florestas tropicais. Para chegar ao novo modelo, com dados da floresta amazônica, foram usadas medidas feitas em aviões do Departamento de Energia dos Estados Unidos (US-DoE), medidas obtidas em superfície em várias estações amostradoras e um complexo programa de computador que simula a química da atmosfera e a meteorologia em escala regional, possibilitando relacionar meteorologia a processos químicos na atmosfera acima da floresta. Com os dados de todas as reações químicas que ocorrem nesse processo, os pesquisadores conseguiram calibrar um modelo já existente (WRF-Chem), que acopla a dinâmica atmosférica com as complexas reações químicas para simular a dispersão da pluma de poluição e da produção extra de aerossóis pela interação poluição-emissões biogênicas naturais da floresta. O próximo passo é integrar esses processos nos modelos climáticos globais, permitindo aprimorar a previsão de chuva e dos processos de formação de partículas em nível global, melhorando o entendimento do papel das florestas tropicais nas mudanças climáticas globais. O artigo Urban pollution greatly enhances formation of natural aerosols over the Amazon rainforest (doi: 10.1038/s41467-019-08909-4), de Manish Shrivastava, Meinrat O. Andreae, Paulo Artaxo, Henrique M. J. Barbosa, Larry K. Berg, Joel Brito, Joseph Ching, Richard C. Easter, Jiwen Fan, Jerome D. Fast, Zhe Feng, Jose D. Fuentes, Marianne Glasius, Allen H. Goldstein, Eliane Gomes Alves, Helber Gomes, Dasa Gu, Alex Guenther, Shantanu H. Jathar, Saewung Kim, Ying Liu, Sijia Lou, Scot T. Martin, V. Faye McNeill, Adan Medeiros, Suzane S. de Sá, John E. Shilling, Stephen R. Springston, R. A. F. Souza, Joel A. Thornton, Gabriel Isaacman-VanWertz, Lindsay D. Yee, Rita Ynoue, Rahul A. Zaveri, Alla Zelenyuk e Chun Zhao, pode ser lido em www.nature.com/articles/s41467-019-08909-4. (Agência FAPESP) (Leia mais sobre o GOAmazon em: agencia.fapesp.br/29519, agencia.fapesp.br/27044, agencia.fapesp.br/25371, agencia.fapesp.br/24177, agencia.fapesp.br/22366 e agencia.fapesp.br/18691)   Leia mais sobre Ciência, Tecnologia e Inovação em BRASIL CTI.
21/04/2019

Santos Cruz agrada mais que Onyx na articulação política com o Congresso

O preferido

Santos Cruz agrada mais que Onyx na articulação política com o Congresso

Apoiadores e até a oposição preferem o general na articulação em vez de Onyx

No governo, a crítica ao desempenho do ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) na articulação política é tão ampla que se ele dependesse de uma votação de deputados do PSL, por exemplo, teria dificuldades de permanecer no cargo. Ao contrário de Onyx, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, cresce no conceito dos parlamentares. Só esta semana, exagera um deles, “Santos Cruz fez mais pela articulação do governo que o Onyx nos últimos três meses”. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder. É o próprio Santos Cruz, chamado de “rei da simpatia”, que tem recebido deputados e os acompanha para reuniões com Bolsonaro. Na Casa Civil, deputados dizem ser recebidos por assessores que são apenas especialistas em servir cafezinho. Onyx está sempre ocupado. Deputado relatou a Alexandre Frota (PSL-SP) que, após esperar duas horas, ouviu de Onyx: “Você tem um minuto, o presidente me espera”. O deputado Julio Delgado (PSB-MG) já afirmou que se sentiria mais “confortável” com Santos Cruz (que conhece há nos) na articulação.
21/04/2019

Repúdio do decano Celso de Mello foi ‘senha’ para revogar censura

STF

Repúdio do decano Celso de Mello foi ‘senha’ para revogar censura

Nota pública do ministro deflagrou revogação da censura a revista

A nota pública do ministro Celso de Mello, chamando de “autocrática” a censura imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foi a “senha” para o ministro Alexandre de Moraes assinar a decisão de revogar a medida contra a revista Crusoé. A informação é de veterano ministro envolvido nesse desfecho. O STF foi informado ainda na quarta (17), quando a medida inicial foi publicada, que o documento citado na reportagem era autêntico e não fake news. Mas era tarde demais. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder. Após confirmar a autenticidade, o STF concluiu que o documento teria sido vazado da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba no dia 9. Os ministros se convenceram de que o vazamento tinha a ver com o julgamento sobre 2ª instância, previsto para o dia 10 e depois adiado. O documento citando o ministro Dias Toffoli, vazado, seria para “coagir” o STF a não alterar o entendimento sobre prisão em segunda instância.
20/04/2019

Em recuperação judicial, Avianca cancela quase 2 mil voos até o dia 28

Crise

Em recuperação judicial, Avianca cancela quase 2 mil voos até o dia 28

Omissa, Anac se limita a iniciativas burocráticas e abandona os passageiros

A Avianca já contabiliza quase 2 mil voos cancelados até o próximo dia 28, segundo tabela disponibilizada pela companhia aérea em seu site. Omissa em relação aos direitos dos passageiros, muitos deles com passagens adquiridas antecipadamente para viagens programas com antecedência, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) se limita a providências burocráticas, como cancelar 18 matrículas de aeronaves da Avianca, em cumprimento a decisão judicial que determinou a reintegração de posse desses aviões às empresas de leasing, donas das aeronaves. A fim de minimizar os efeitos negativos dessas medidas, a Anac vem recomendando aos passageiros, que fiquem atentos aos comunicados da Avianca sobre a situação dos voos e, em caso de dúvida, busquem informações no site da companhia aérea ou pelos canais de atendimento telefônico, eletrônico ou presencial. A Avianca afirma que manterá o compromisso, assumido com a Anac, de informar com antecedência mínima de 72 horas os voos que serão cancelados. Por meio de nota, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) informou já ter enviado notificação à Avianca, pedindo informações sobre o número de assentos vendidos pela empresa; sobre como está sendo feita a distribuição de assentos; e sobre se há riscos de mais voos serem cancelados. Segundo a secretaria, os consumidores lesados poderão apresentar suas reclamações na plataforma consumidor.gov.br, que pode ser acessada por navegador ou por aplicativo próprio disponível para os sistemas Apple e Android. Recuperação judicial No último dia 5, a assembleia de credores aprovou o plano de recuperação judicial em uma reunião que durou mais de sete horas. O plano prevê a divisão da empresa por meio da criação de sete unidades produtivas isoladas (UPIs), que serão levadas a leilão. Seis UPIs conterão partes dos direitos de pousos e decolagens (“slots”) da Avianca nos aeroportos de Congonhas, Guarulhos e Santos Dumont e uma vai englobar o programa de fidelidade da empresa. O plano de recuperação da empresa aérea foi homologado no último dia 12 pelo juiz Tiago Henriques Papaterra Limongi, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. De acordo com a decisão, a empresa permanecerá em recuperação judicial até que se cumpram as obrigações previstas no plano.
20/04/2019

Pesquisa identifica “reservatórios” de água em bagaço de cana-de-açúcar

QUASE 50% DE ÁGUA

Pesquisa identifica “reservatórios” de água em bagaço de cana-de-açúcar

A presença de água remanescente no bagaço tem diversas consequências importantes

A Cana-de-açúcar é cultivada em diversos países ao redor do mundo para a produção, principalmente, de açúcar e álcool, obtidos do caldo extraído durante o processo de moagem. O bagaço fresco remanescente é um material rico em celulose e lignina, mas também em água. Mesmo com a extrema eficiência de operações do setor sucroalcoleiro, após todas as etapas de extração do caldo na moenda, o bagaço fresco ainda é composto por quase 50% de água. A presença dessa água remanescente no bagaço tem diversas consequências importantes. A extração do açúcar da cana tem eficiência entre 94 e 98%. O percentual restante permanece preso no bagaço de alguma forma associado à água. Assim, qualquer ganho percentual nesse processo traz um impacto milionário para a indústria Nas usinas, o bagaço é usualmente queimado como combustível para a produção de energia elétrica. Neste processo, a evaporação da água contida no bagaço fresco consome parte do calor gerado e reduz a temperatura de combustão, prejudicando sua eficiência. Além disso, a presença de água, que é fundamental para todos os tipos de mecanismos de degradação biológica, é prejudicial para o armazenamento do bagaço fresco. Por fim, o desperdício de água do bagaço por evaporação, seja no estoque ou na caldeira, é uma importante questão ambiental. Apesar das inúmeras consequências, a localização exata da água remanescente no bagaço fresco permanece um mistério. Assim, Carlos Driemeier, do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), e colaboradores utilizaram as instalações da Linha de Luz IMX de microtomografia de raios X do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) para obter imagens tridimensionais de alta resolução do bagaço, de forma não-invasiva, após o processo de moenda para extração do caldo. O grupo pôde assim visualizar os volumes de água dentro do bagaço, confirmar que as células estão parcialmente cheias de água, e identificar quais tecidos são preferencialmente úmidos ou secos. As células fibrosas que envolvem os vasos do xilema (estrutura que transporta a seiva bruta para as folhas) foram frequentemente encontradas cheias de água. Por outro lado, a maioria dos vasos do xilema e células do parênquima (tecidos de preenchimento das plantas) estavam secos (isto é, cheios de ar). A região da epiderme (parte mais exterior da planta) apresentou comportamento intermediário, mostrando células secas e úmidas em proporções semelhantes. Partículas de impurezas minerais com tamanhos de 88 a 140μm140μm também foram observadas. Eles estavam, na maioria dos casos, aderidos às superfícies externas dos fragmentos de bagaço, com a água presumivelmente contribuindo para a adesão. Segundo os pesquisadores, esses resultados proporcionaram novos insights sobre os fenômenos relacionados à água ocorridos durante a moagem da cana-de-açúcar e indicam novos caminhos para o avanço da tecnologia de processamento da cana-de-açúcar e a valorização do bagaço. (LNLS)   Leia mais sobre Ciência, Tecnologia e Inovação em BRASIL CTI.
20/04/2019

Suspeitos de construir prédios que desabaram na Muzema estão foragidos

Homicídio por dolo eventual

Suspeitos de construir prédios que desabaram na Muzema estão foragidos

A Justiça decretou a prisão dos três nesta sexta-feira (19)

Os três suspeitos de serem os responsáveis pelos prédios irregulares que desabaram na comunidade da Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro, continuam foragidos. Eles tiveram a prisão temporária (30 dias) decretada ontem (19) pela Justi A delegada Adriana Belém, da 16ª Delegacia Policial (DP) da Barra da Tijuca, informou que as diligências prosseguem neste sábado (20) para a prisão de José Bezerra de Lima, o Zé do Rolo; Renato Siqueira Ribeiro; e Rafael Gomes da Costa. Os três são acusados de homicídio por dolo eventual multiplicado 20 vezes, correspondendo ao número de mortos na tragédia até o momento. De acordo com a Polícia Civil,  Zé do Rolo teria construído os prédios enquanto os outros dois seriam corretores informais encarregados da venda dos imóveis. Eles foram reconhecidos por testemunhas ouvidas na 16ª DP. Já a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) investiga o envolvimento deles com a milícia. Buscas Os bombeiros continuam as buscas por corpos e sobreviventes do desabamento dos dois prédios no condomínio Figueiras do Itanhangá. Uma equipe formada por 100 bombeiros permanece no local. Três pessoas continuam desaparecidas. Até o momento, o número de mortos chega a 20 – 18 ocorreram no local e dois morreram nos hospitais. Oito pessoas ficaram feridas. (ABr)
20/04/2019

Banco de DNA ficará completo até final do governo, diz Moro

Dados genéticos de criminosos

Banco de DNA ficará completo até final do governo, diz Moro

O banco reúne dados genéticos de criminosos

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, disse hoje (20) que o banco de dados de DNA estará completo até o final do governo. Segundo ele, esta é uma das medidas mais importantes do projeto de lei anticrime, enviado ao Congresso Nacional. O banco de dados de DNA é uma central onde estão, à disposição de autoridades e investigadores, os materiais genéticos coletados de criminosos condenados pela Justiça e os obtidos em cenas de crimes. Moro afirmou que a ampliação do Banco Nacional de Perfis Genéticos “aumentará a taxa de resolução de investigação de qualquer crime, mas principalmente de crimes que deixam vestígios corporais”, em mensagem na rede social Twitter. Ele lembrou que a coleta desse material não é invasiva – ou seja, sem necessidade de incisões. “Propomos a extração do perfil genético (DNA) de todo condenado por crime doloso no Brasil. Significa passar um cotonete na boca do preso e enviar o material ao laboratório. Isso passa a compor um banco de dados, como se fosse uma impressão digital”, argumentou. O ministro acrescentou que, diante de um crime, a polícia busca vestígios corporais no local, como fio de cabelo. A partir desse material é possível identificar o DNA do suspeito e cruzá-lo com o banco de dados. “Tem um potencial muito grande para melhorar as investigações, evitar erros judiciários e inibir a reincidência”. Ele lembrou que já existe um banco de DNA no Brasil, mas que é “muito modesto”, reunindo de 20 mil a 30 mil perfis. No Reino Unido, país onde esse tipo de técnica investigativa está bastante desenvolvida, há cerca de 6 milhões de perfis. Nos Estados Unidos, 12 milhões. Segundo o presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), Marcos de Almeida Camargo, o banco de DNA é integrado por cerca de 20 unidades federativas. “O importante agora é integrar todos os estados e viabilizar a coleta de condenados. Hoje, a lei determina a coleta de perfil genético dos condenados por crimes hediondos e violentos contra a vida. Na proposta, isso acaba se estendendo para todos os condenados por crimes dolosos”, disse o perito criminal da Polícia Federal. Camargo acrescenta que potencializar o emprego dos bancos de perfis genéticos “é medida mais do que necessária para melhorar a solução de crimes e reduzir a impunidade”. (ABr)
20/04/2019

Raquel Dodge afirma em que, por ser um detento, Lula não pode dar entrevistas

Autorização absurda

Raquel Dodge afirma em que, por ser um detento, Lula não pode dar entrevistas

Dodge lembra que isso nada tem a ver com 'liberdade de imprensa'

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, enviou parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o pedidos para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conceda entrevistas dentro da prisão. No parecer, a procuradora defendeu a liberdade de expressão e de imprensa, mas ressaltou que, em algumas situações, há a possibilidade de proibir que presos concedam entrevistas. Para Dodge, entre as finalidades da condenação de presos está o objetivo de cumprimento da pena “com discrição e sobriedade”. “O fato é que ele [Lula] é um detento em pleno cumprimento de pena e não um comentarista de política”, disse a procuradora. “Conclui-se que a proibição de que Luiz Inácio Lula da Silva conceda entrevistas em áudio e/ou vídeo, apesar de ser restritiva da sua liberdade de expressão, é medida proporcional e adequada a garantir que as finalidades da pena a ele imposta sejam concretizadas, sendo, portanto, compatível com a ordem jurídica do país”, disse. Desde 7 de abril, Lula cumpre pena de 12 anos e um mês de prisão em Curitiba, imposta pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá (SP).
21/04/2019

Existe jantar grátis

Existe jantar grátis

O falecido deputado Maurício Fruet (PR) era mesmo um gozador. Nomeado prefeito de Curitiba em 1983, ele cedeu a vaga na Câmara ao suplente Dílson Vanchin, marinheiro de primeira viagem. Fruet aplicou-lhe uma “peça”, dizendo que era praxe vender tudo o que havia no gabinete. Vanchin nem desconfiou dos valores irrisórios que pagou. Contou a amigos: “Dizem que o Fruet é esperto. Que nada! Fiz o melhor negócio da vida!” Convidado para um jantar com a bancada, na despedida de Fruet, Vanchin soube então que o dinheiro era para pagar a conta do restaurante.
21/04/2019

Existe jantar grátis

Existe jantar grátis

O falecido deputado Maurício Fruet (PR) era mesmo um gozador. Nomeado prefeito de Curitiba em 1983, ele cedeu a vaga na Câmara ao suplente Dílson Vanchin, marinheiro de primeira viagem. Fruet aplicou-lhe uma “peça”, dizendo que era praxe vender tudo o que havia no gabinete. Vanchin nem desconfiou dos valores irrisórios que pagou. Contou a amigos: “Dizem que o Fruet é esperto. Que nada! Fiz o melhor negócio da vida!” Convidado para um jantar com a bancada, na despedida de Fruet, Vanchin soube então que o dinheiro era para pagar a conta do restaurante.
18/04/2019

Pec estabelece que condenado por crime hediondo não terá direito a progressão de pena

Senador Lasier Martins

Pec estabelece que condenado por crime hediondo não terá direito a progressão de pena

Na prática, somente os criminosos com pena superior a oito anos passam pelo regime fechado. Contudo, após o cumprimento de 2/5 da condenação eles podem passar para o regime semiaberto. Os réus que recebem penalidades de quatro a oito anos começam direto no semiaberto.
17/04/2019

Supremo está sendo acusado de censura

Supremo está sendo acusado de censura

Diante da pressão de seus pares, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), prometeu levar ao plenário “oportunamente” a discussão sobre criar ou não uma comissão parlamentar de inquérito para investigar integrantes de Cortes Superiores, a chamada CPI da Lava Toga.
19/04/2019

Anúncio de entrega do Centro Pesqueiro de Jaraguá anima maceioenses

No lugar de favela

Anúncio de entrega do Centro Pesqueiro de Jaraguá anima maceioenses

A partir de 6 de maio, centro dará conforto para clientes e condições de trabalho para comerciantes

A próxima Semana Santa será diferente para a comunidade que vive da pesca em Maceió (AL), em especial aos que trabalham no bairro de Jaraguá. Comerciantes e pescadores comemoram o anúncio da entrega do Centro Pesqueiro, estrutura construída pela Prefeitura de Maceió, que será inaugurada no dia 6 de maio para mudar a realidade precária dos trabalhadores da balança do peixe que existe atualmente no bairro, de onde foi retirada uma favela. “Estamos bem ansiosos e felizes porque essa situação difícil tem data para terminar. Hoje a gente trabalha no meio da lama, e por mais que as meninas limpem tudo, não tem jeito. E não é isso que o cliente quer ver. O comércio cai e a gente termina vendendo menos”, disse seu Gilson Costa, que trabalha fornecendo camarão e auxilia no tratamento de pescados. Ramon Luiz da Silva trabalha no local há 27 anos como fornecedor de peixe para a balança. Ele acredita que a mudança vai atrair movimento para as vendas e trará melhores condições de trabalho para quem vive da atividade. “O ambiente aqui é muito pequeno. Acho que lá vai ser mais adequado e mais espaçoso pra trabalhar. Tenho certeza que o comércio de peixe vai melhorar e muito”, frisou. Os consumidores também trazem boas expectativas para a mudança. Alexandra Gurgel é de Fortaleza, mora em Maceió há três anos, e optou por comprar na balança para levar pescados frescos. Ela conta o que acha do atual espaço e como acredita ser necessário uma nova estrutura. “Como uma cidade praiana todo mundo gosta muito de peixe, pescados, mas realmente a estrutura encontrada aqui é insalubre e precária. Há sim uma necessidade de melhoria. Com um novo espaço, o que a gente espera é que o manuseio com o alimento melhore, já que é algo tão delicado, principalmente falando em pescados, que exige refrigeração e um local constantemente limpo. Acredito que também melhore as vendas. Hoje em dia, muita gente opta por comprar no supermercado, que não é tão bom quanto comprar o pescado fresco, mas que por conta da estrutura, termina buscando essa opção”, comentou a compradora Alexandra Gurgel. A nova estrutura O Centro Pesqueiro ficará próximo ao espaço que funciona atualmente a balança do peixe de Jaraguá. O local foi elaborado em parceria com os moradores da antiga Favela do Jaraguá, que foram transferidos para o Residencial Vila dos Pescadores, no bairro Sobral. O projeto beneficia a quem tem a pesca como principal atividade de sobrevivência. “Será um ganho para a comunidade que vai ter o Mercado do Peixe com todo o padrão de qualidade com fábrica de gelo, estaleiro para os barcos e depósito para o material de pesca. Vai ser algo totalmente voltado para a comunidade pesqueira, mas ganha a cidade com um novo espaço turístico”, comentou o prefeito de Maceió, Rui Palmeira, sobre o novo espaço. “Vamos trazer para cá todos que trabalham no atual Mercado do Peixe aqui em Jaraguá e eles terão toda a estrutura para servir bem o maceioense”, acrescentou Rui Palmeira. A nova estrutura terá depósitos, estaleiros, mercado de peixe (com área de vendas e armazenamento), lanchonete, fábrica de gelo, oficinas – fabricação e conserto das redes de pesca, fabricação e conserto de leme e elétrica para barco e motor para barco, sorveteria e muito mais. Além disso, cerca de mil empregos serão gerados, aquecendo o mercado de trabalho no setor. O local já ganhou um sistema de iluminação, instalado pela Superintendência Municipal de Energia e Iluminação Pública (Sima). (Com informações da Secom Maceió)
18/04/2019

MP vai apurar indícios de nepotismo no TCE-AL expostos pelo ‘Diário do Poder’

Nomeações suspeitas

MP vai apurar indícios de nepotismo no TCE-AL expostos pelo ‘Diário do Poder’

O presidente, Otávio Lessa, nomeou mulher de conselheiro e irmão do governador

O procurador-geral de Justiça de Alagoas, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, afirmou nesta quinta-feira (18) que as reportagens do Diário do Poder sobre nomeações de parentes de autoridades que podem configurar casos nepotismo no Tribunal de Contas de Alagoas (TCE-AL) servirão para abertura de investigações sobre a presença do irmão do governador Renan Filho (MDB) e da esposa do conselheiro Rodrigo Siqueira Cavalcante em cargos comissionados de direção que pagam R$ 11 mil brutos de salário. As matérias jornalisticas publicadas desde ontem (17) revelaram em detalhes que o presidente do TCE-AL Otávio Lessa – cuja filha Mariana Lessa ocupa cargo de comissão desde 2015 no gabinete do governador – nomeou em 19 de fevereiro deste ano o irmão de Renan Filho, o médico veterinário especializado em inseminação artificial Rodrigo Rodrigues Calheiros, no cargo de diretor-adjunto de Controle Interno da Corte de Contas do Estado de Alagoas. O que pode configurar o favorecimento ilegal de parentes de autoridades denominado nepotismo cruzado. Hoje, a denúncia do Sindicato dos Servidores do TCE de Alagoas expôs que Otávio Lessa também nomeou, em 8 de janeiro, a esposa do conselheiro Rodrigo Cavalcante, Josmara Aline Marques de Siqueira Cavalcante, como diretora técnica adjunta da Escola de Contas Públicas, por indicação do conselheiro Anselmo Brito. “Suas reportagens servirão para abertura dos casos. As nomeações da esposa do conselheiro e do irmão do governador passarão por análise da equipe técnica do MP de Alagoas”, disse Alfredo Gaspar à reportagem. O chefe do MP de Alagoas antecipou que, em relação à nomeação do irmão do governador para o TCE tem que ser analisada e admitiu não ter como responder de imediato se a relação é ou não ilegal. E revelou que, no início deste mês de abril, recebeu sindicalistas do Sindicontas que indicaram a intenção de denunciar caso de nepotismo envolvendo esposa de conselheiro. “A nomeação do irmão do governador, se fosse na mesma época da nomeação da filha do presidente do TCE, seria nepotismo. Mas cinco anos depois, só fazendo um estudo de caso. Recebi uma comissão de servidores que informaram que representariam sobre um caso de nepotismo (nomeação da esposa de um conselheiro) e ficaram de protocolar”, disse o chefe do MP, que estava esperando a representação dos sindicalistas, para adotar providências, antes de o Diário do Poder expor o caso. Todos os citados negam ilegalidades nas nomeações. Leia as reportagens: Presidente do TCE-AL dá cargo de R$11 mil a irmão do governador que nomeou sua filha Esposa de conselheiro ocupa cargo de RS 11 mil no TCE de Alagoas
18/04/2019

Esposa de conselheiro ocupa cargo de RS 11 mil no TCE de Alagoas

Sindicato vê nepotismo

Esposa de conselheiro ocupa cargo de RS 11 mil no TCE de Alagoas

Sindicalistas acusam nomeação de ser ilegal, mas conselheiro Rodrigo Cavalcante nega

Antes mesmo de o Diário do Poder revelar ontem (17) que o presidente do Tribunal de Contas de Alagoas (TCE-AL), Otávio Lessa, nomeou o irmão do governador Renan Filho (MDB) em cargo de R$ 11 mil, servidores da Corte de Contas já denunciavam nas redes sociais o caso da esposa do conselheiro Rodrigo Siqueira Cavalcante, que também foi nomeada por Lessa em cargo de direção com mesmo salário, por indicação do conselheiro Anselmo Brito. O Sindicato dos Servidores do TCE (Sindicontas-AL) denuncia a nomeação de Josmara Aline Marques de Siqueira Cavalcante como um caso de nepotismo. Ao negar que a nomeação da servidora conhecida como Aline Marques como diretora técnica adjunta da Escola de Contas Pública do TCE de Alagoas pode configurar nepotismo, Rodrigo Siqueira Cavalcante ressalta a peculiaridade da relação de sua esposa com a folha do tribunal, por ela ter atuado como comissionada da Corte de Contas de Alagoas há cerca de dez anos e somente ter casado com o conselheiro em 17 de outubro de 2018. “Minha esposa é servidora comissionada do tribunal de contas há cerca de 10 anos, tendo lá ocupado diversos cargos, de modo que se encontra, portanto, amparada pela Resolução n 07 do CNJ, cuja constitucionalidade veio a ser declarada pelo STF na ADC n 12, ação esta que deu ensejo à edição da Súmula Vinculante n 13. A ida da minha esposa para a Escola de Contas, autarquia com personalidade jurídica própria, decorreu da aceitação de um convite formulado pelo Conselheiro Anselmo Brito à mesma, sendo oportuno lembrar que ela trabalhou no gabinete deste Conselheiro nos anos de 2015, 2016, 2017 e 2018. Portanto, tudo dentro da legalidade”, garantiu Rodrigo Cavalcante. A direção do Sindicontas entende que o caso é de nepotismo e critica o alto salário pago a Aline Marques, enquanto servidores “passam necessidade; com salários baixos; plano de cargos engessado, sem revisão e sem auxilio nenhum”. Mas o diretor da Escola de Contas, conselheiro Anselmo Brito, disse ter a convicção que ela já trabalha há bastante tempo no TCE, já tinha trabalhado com ele, tudo isso antes e depois de casada. “Ela não casou e veio porque era esposa dele. O que faço é solicitar [a nomeação], cabe ao presidente Otávio verificar a legalidade, nomear ou não. Já pensou se peço a nomeação da minha mãe para trabalhar comigo? Ele a nomearia? Duvido. Fazemos a solicitação quando nos cabe fazer para que a Presidência faça a análise da legalidade, nomeie ou não. Tem uma procuradoria jurídica com vários procuradores para isso também”, argumentou Anselmo Brito. Para a presidente do Sindicontas, Anna Maria Gusmão, o conselheiro Anselmo Brito entende da legalidade; assim como o conselheiro Rodrigo. E não poderiam apontar o presidente Otávio Lessa como autor da nomeação. E também lembra que a esposa do conselheiro foi exonerada em 2018 e nomeada pela Escola de Contas em 08 de janeiro 2019, já casada com o conselheiro Rodrigo. “Caracteriza novo contrato de trabalho. A Escola de Contas é custeada pelo duodécimo do TCE, ‘vinculada’ ao órgão de controle, segundo palavras do próprio conselheiro Anselmo Brito, no portal da Escola de Contas. Como se não fosse o bastante, com um dos mais altos salários de Cargo Comissionado. E esse ano, inclusive, já viajou para Congresso às custas do duodécimo do TCE; enquanto servidores com mais de 30 anos de casa, pois há muito tempo não tem concurso, com salários de fome”, criticou Anna Maria Gusmão. Procurado pelo Diário do Poder, o presidente Otávio Lessa não se manifestou sobre a situação, até a publicação desta reportagem. E o conselheiro Rodrigo Cavalcante disse que Ana Marques fica contemplada com a defesa feita por ele.
18/04/2019

PF combate organização criminosa envolvida em roubo de carga, em Alagoas

Operação Retomada

PF combate organização criminosa envolvida em roubo de carga, em Alagoas

Materiais apreendidos em São Sebastião na Operação Retomada serão periciados

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (18), a fase ostensiva da Operação Retomada com o objetivo de dar cumprimento a dois Mandados de Busca e Apreensão, expedidos pela Justiça Federal de Alagoas, na cidade de São Sebastião(AL), e reprimir organização criminosa envolvida com roubo de carga no Estado de Alagoas. Os materiais apreendidos decorrentes da Operação Retomada serão submetidos à perícia técnica e, em seguida, juntados a Inquérito Policial instaurado em abril deste ano na Polícia Federal em Alagoas, quando da ocorrência de roubo de objetos pessoais e institucionais de um policial federal em mudança de endereço no Estado. O roubo aconteceu na rodovia BR 101, no município de Porto Real do Colégio/AL. Além da Polícia Federal, os trabalhos policiais contaram com a colaboração das Polícias Militar de Alagoas –P M/AL, da Rodoviária Federal – PRF/AL e da Civil – PC/AL, em diligências no curso das investigações que continuam em andamento. Identificados no curso das investigações, os suspeitos serão ouvidos, na Sede da PF em Alagoas, pela autoridade policial que preside o inquérito instaurado e responderão pelos crimes do art. 2º, da Lei nº 12850/13 e art. 157, do Código Penal. O nome da Operação Retomada faz alusão à ação da qual se pretende recuperar, reconquistar e reaver um determinado bem. Não haverá coletiva de imprensa. (Com informações da Comunicação Social da PF em Alagoas)
Mais Alagoas
21/04/2019

Aos 59 anos, Brasília vira metrópole e teme violência

Aniversariante

Aos 59 anos, Brasília vira metrópole e teme violência

Capital deixou de ser cidade maquete e é desigual como o Brasil

No dia em que Brasília completa 59 anos, a economista Jane Pias de Oliveira recorda-se da liberdade que tinha para brincar na cidade quando era menina (9 anos), nos primeiros anos da capital federal. “A gente ia para o zoológico de bicicleta. E sabe por onde a gente andava? Naquela faixa do meio do Eixão”, conta à reportagem. Jane morava na quadra 712 sul, a sete quilômetros do Jardim Zoológico, e fazia com seus colegas da rua um passeio impensável para os dias atuais no Eixo Rodoviário, por causa do intenso tráfego a 80 km/h (velocidade autorizada). A economista nasceu em outubro de 1958, no antigo Hospital Juscelino Kubitschek de Oliveira, o primeiro do Distrito Federal, hoje Museu Vivo da Memória Candanga, no Núcleo Bandeirante. “Na minha certidão de nascimento está escrito ‘nascida em Brasília (futura capital federal)’. Eu nasci numa cidade que não existia ainda”, afirma. O filho de Jane, o estatístico Carlos Eduardo de Oliveira Varanda (38 anos), também não esquece os passeios de bicicleta na infância. “Andava de bicicleta o Lago Norte inteiro [cerca de nove quilômetros de extensão] e não avisava à mãe”. Carlos Eduardo ainda lembra de subir em árvore, pescar no Lago Paranoá e até encontrar bichos, como pequenas cobras, que dividiam o cerrado com casas que habitavam o bairro, hoje praticamente todo urbanizado e construído. “Tinha vida de roça na cidade”, rememora. Mãe e filho são da primeira e segunda gerações de brasilienses. Aquelas que usufruíram da cidade crianças e adolescentes até os anos 1980, e tiveram o privilégio de viver em um centro urbano ainda não densamente povoado, com pouco trânsito e seguro para as meninos e meninas brincarem livremente. O pequeno Alexandre (3 anos), da terceira geração de brasilienses, neto de Jane e filho de Carlos Eduardo, jamais terá a liberdade que sua avó ou seu pai tiveram em tempos idos na capital. “Se minha mãe deixar meu filho do mesmo jeito que me deixava, eu vou ficar preocupado”, admite Carlos Eduardo. “Era mais tranquilo. No trânsito a gente se deslocava rapidinho”, conta Jane que, além de criar Eduardo e mais dois filhos, ainda trabalhava em um banco e estudava na Universidade de Brasília (UnB). “Nós tínhamos mais segurança para deixar os filhos brincarem na rua. Hoje temos que ir junto”, compara Jane. O veterinário Luís Fernando de Oliveira Varanda (34 anos), também filho dela, tem as mesmas preocupações que o irmão e entretém os seus dois filhos, também brasilienses, em brinquedotecas. “Não temos mais aquela liberdade”, afirma. Contradições Menos liberdade por causa de segurança é indicador de que Brasília se tornou uma típica metrópole brasileira. De acordo com o Mapa da Violência 2018, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a taxa que soma homicídios e mortes violentas com causa indeterminada é de 26,5 casos a cada 100 mil habitantes – acima de São Paulo (14,9 casos), Florianópolis (18) e Vitória (23,1). Para o urbanista e professor emérito da UnB José Carlos Coutinho, a violência tem a ver com a desigualdade socioeconômica entre o Plano Piloto e as regiões administrativas, e as cidades do Entorno e o DF. “Temos concentração perversa da mais alta renda per capita do país em zonas elitizadas, circundados por uma periferia onde não há condições dignas de vida”, diz. Conforme o especialista, há 50 anos na cidade, “essa periferia que cerca a ilha da fantasia que cria esse contraste. Daí vêm as cercas elétricas, muros altos e arame farpado”. “Brasília nasceu saudável, um bebê rosado, lindo, que à medida que foi crescendo foi ficando com a cara do pai, que é o Brasil. Brasília hoje tem as mesmas contradições, desigualdades e injustiças que tem o país. Brasília não poderia ser diferente do Brasil”, complementa o urbanista. Dados do Atlas Brasil, recentemente divulgados pelo Ipea, indicam que a renda per capita na região metropolitana formada pelo Distrito Federal e Entorno cresceu 41,88% entre 2000 e 2010, houve redução do percentual de pobres (de 17% para 7,2%) e dos extremamente pobres (de 5,21% para 1,96%). O Índice de Gini, que mede a desigualdade, porém, variou pouco; era de 0,65 em 2000 e foi a 0,64 em 2010. O índice varia de zero a um, quanto mais próximo de zero mais igualitária a renda do grupo. Quanto mais perto de um, maior a concentração de renda. Conforme a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), 401 mil brasilienses formam uma elite com renda média domiciliar mensal de R$ 15,6 mil; 922 mil têm renda média domiciliar de R$ 7,3 mil; 1,2 milhão têm renda média domiciliar de R$ 3 mil; e 307 mil têm renda média domiciliar de R$ 2,4 mil. “Ocupação anárquica” Além da desigualdade e da insegurança, José Carlos Coutinho lamenta que a ocupação do DF se deu de forma “anárquica” e que os diversos governos não fizeram planejamento, resultando em ocupação indevida de terras e devastação do cerrado. “A cidade veio tropeçando num processo de crescimento alarmante. O futuro nos reserva muitas incertezas. Brasília vai acabar sendo um centro histórico cercado de pobreza por todos os lados”, alerta o urbanista. A cidade ocupa o quarto lugar em número de automóveis. Conforme o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), há 1,29 milhão de carros emplacados em Brasília – abaixo apenas de São Paulo (5,75 milhões), do Rio de Janeiro (2,04 milhões) e de Belo Horizonte (1,44 milhão). O volume de carros é tão grande em Brasília que seria possível colocar todos os habitantes nos automóveis e ainda sobrariam lugares. Segundo projeção do IBGE, Brasília tem 3 milhões de habitantes. Dividindo um indicador pelo outro, chega-se à média de 2,3 pessoas por carro registrado na cidade. Luís Fernando e Eduardo de Oliveira evitam o trânsito candango morando em superquadras do Plano Piloto, próximas ao trabalho. A mãe deles, Jane, mudou-se há seis meses para Águas Claras, um bairro de classe média alta com prédios de mais de 30 pavimentos, na região administrativa de Taguatinga (antigamente denominada de cidade-satélite). A noite da espera Aposentada, Jane foge do trânsito evitando as horas de congestionamento. E, sem se apegar ao passado, aprecia a Brasília de 2019. “Não sou saudosista, gosto de lembrar de algumas coisas. Eu adoro Brasília, acho linda, tem qualidade de vida ótima. [Nos últimos anos], melhorou em urbanização e vida noturna.” O escritor Milton Hatoum, autor de Dois irmãos, Cinzas do Norte e A Noite da Espera, o último com história ambientada em Brasília no final dos anos 1960, também elogia a Brasília atual. “A cidade ficou verde”. Em sua opinião, a capital não tem mais “a tristeza e a tensão” que são tratadas no seu último livro. Algumas angústias da trama, Hatoum experimentou. Veio de Manaus para a cidade com 15 anos, longe da família, para estudar o “colegial” no extinto Centro Integrado de Ensino Médio (Ciem), colégio de aplicação então vinculado à UnB. Nos momentos de solidão, conta que contemplava o Lago Paranoá ou ia ver a Igrejinha. “A cidade estava começando, tinha pouquíssimas árvores e muito barro. Era um cerrado destruído para a construção da cidade”, descreve. O escritor também ia ao Poço Azul. Passeios a cachoeiras nos arredores da nova capital são mencionados no livro e marcados na memória de Hatoum, assim como lugares símbolos da então jovem cidade: a Livraria Encontros, a Pizzaria Kazebre 13, que já não existem mais, o Restaurante Roma e o Bar Beirute, ainda em funcionamento. O superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Carlos Madson Reis, que vive em Brasília desde 1972, evita espírito nostálgico quanto à quietude da cidade. Sem negar os problemas apresentados na capital, que faz aniversário neste domingo (21 de abril), ele diz que o Plano Piloto se assemelha até hoje à proposta original de Lúcio Costa, que foi modificada desde o início com alterações como a criação das quadras 400 e 700, a aproximação da área urbana ao lago e a extensão do Eixo Monumental. Madson Reis avalia que Brasília deixou se ser maquete e que a terceira geração da cidade ocupa “de maneira diferente” o espaço urbano. “Faz uma apropriação menos sacralizada e mais humanizada. Procura se apropriar dos espaços de uma forma mais lúdica. Menos simbólica e mais intensa”, acrescenta. (ABr)
21/04/2019

Uma cidade sonhada por dois séculos

Brasília faz 59 anos

Uma cidade sonhada por dois séculos

A transferência para o interior do país é defendida desde o período colonial, mas só JK fez do sonho uma realidade

A transferência para o interior do país é defendida desde o período colonial. A construção de uma nova capital, porém, passou por vontades políticas distintas, muitas mudanças de governo até se transformar em realidade com Juscelino Kubitschek. Brasília completa 59 anos, mas, pela história, poderia ter facilmente 268 anos. Sonhada por mais de dois séculos, a criação de uma nova capital no interior do país é defendida desde o período colonial. No início,o objetivo era proteger a colônia de invasões que poderiam vir do litoral. Com o passar dos anos, a tese passou a ser o desenvolvimento do interior do país. Muitas idas e vindas, vontades políticas distintas, mudanças de governo até a construção da capital se  transformar em metassíntese do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek e sair do papel. “A transferência da capital para o interior do país não ocorreu bruscamente, tampouco gozou de unanimidade. Foi um lento processo em que poucos acreditaram e, desses, uma porcentagem ainda menor o defendeu publicamente”, afirma Jeferson Tavares, autor do livro Projetos para Brasília: 1927 – 1957, que conta a história da transferência da capital e dos projetos feitos para Brasília. “Não tardaram as vozes contra essas ações, denominando-as de loucas e insanas”, completa. É atribuída ao Marques de Pombal a ideia mais antiga que se conhece de transferir a capital do Brasil para o interior. Em 1751, ele contratou um cartógrafo italiano que elaborou a carta geográfica de Goiás e ressaltou o valor estratégico do Planalto Central. Anos depois, em 1789, os inconfidentes mineiros queriam transferir a capital para São João Del Rey, em Minas Gerais, com a alegação de vantagem estratégica (segurança) e demográfica (povoamento do interior). Com a proclamação da Independência e a Assembleia Constituinte, José Bonifácio foi mais uma voz a defender a mudança. Ele chegou a sugerir o nome Petrópolis (cidade de Pedro) ou Brasília para a nova capital, que seria erguida na comarca de Paracatu do Príncipe, Minas Gerais. A Constituição de 1824, porém, não incorporou a tese da interiorização da capital. Foi apenas com a Constituição de 1891 que surgiu o primeiro marco legal para a interiorização: em seu artigo 3º, a lei reservou à União uma área com 14.400 quilômetros quadrados no Planalto Central, que seria oportunamente demarcada para nela estabelecer-se a futura Capital Federal. “Sempre se falava em ir para o interior, por causa da vulnerabilidade do litoral. Mas não havia nenhum estatuto legal até então”, conta o historiador do Arquivo Público do DF, Elias Manoel da Silva. Comissão Cruls Floriano Peixoto, o primeiro presidente da República, criou a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil em 1892. Presidida por Luiz Cruls e formada por 22 expedicionários, eles passaram sete meses no Planalto Central e delimitaram o quadrilátero de 14.400 km² conforme determinava a Constituição. Dois anos depois, Luiz Cruls publica o relatório da expedição e, graças ao sucesso da missão, o presidente envia uma segunda comissão ao Planalto Central, que estudou a área demarcada e especificou o melhor lugar para a construção da cidade: entre os córregos Gama e Torto, onde hoje está Brasília. “Estava tudo pronto para começar a construir a capital, mas o governo de Floriano Peixoto chegou ao fim e seu sucessor, Prudente de Morais, paulista, não queria a mudança da capital, como seus conterrâneos”, lembra o historiador. “Propuseram a reforma do Rio de Janeiro, Prudente de Moraes cortou as verbas da comissão de estudos da nova capital e a ideia morreu por aí”, explica Elias Manoel. Mais cem anos se passaram até que, no Centenário da Independência, em 1922, deputados mudancistas voltaram a falar da transferência da capital. Eles defendiam que as ideias da Constituição fossem resgatadas e fizeram um projeto de lei para que uma pedra fundamental fosse colocada dentro do quadrilátero reservado ao futuro Distrito Federal. No dia 7 de setembro de 1922, ao meio dia, a pedra fundamental da nova capital é assentada próximo a Planaltina – um marco para a concretização das aspirações para a interiorização da capital. A Constituição de 1934 volta a prever a transferência para o ponto central do Brasil, mas apenas em 1946, com a quarta Constituição Republicana, a lei volta a representar ação prática para a mudança: o presidente Eurico Dutra nomeia um novo grupo técnico para realizar estudos de localização. Liderada por Djalma Polli Coelho, a comissão indica o mesmo território apontado por Luiz Cruls. O relatório da comissão Djalma Polli é enviado ao Congresso Nacional em 1948, mas só é aprovado em 1953. Um projeto de lei autoriza o governo a definir o sítio da nova capital e Getúlio Vargas cria uma Comissão de Planejamento da Mudança da Capital Federal. Um ano depois, com assessoria de empresas de foto análise e foto interpretação, a delegação indica os cinco melhores sítios para ser construída a nova capital e o governo enfim escolhe o Sítio Castanho como local exato para a construção da nova capital. JK Neste momento, a história da transferência cruza-se com a de Juscelino Kubitschek, então candidato à Presidência da República. Em 4 de abril de 1955, em um comício na cidade de Jataí (GO), JK é questionado se cumpriria a Constituição e faria a transferência da capital caso fosse eleito. “Quero confessar que até aquele instante não havia fixado, com a devida atenção, o problema da mudança. Mas tive que responder de pronto à pergunta”, escreveu Juscelino mais tardeCom a eleição de JK, a construção da capital começa a se tornar realidade. Em setembro de 1956, é sancionada a lei que criou a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) e deu o nome de Brasília à capital. As obras começaram em outubro daquele ano e, depois de três anos e meio, Brasília é inaugurada em uma festa que durou quase dois dias. “São dois séculos de história, mas faltou vontade política em outros momentos e um cara ousado como foi JK”, afirma Elias Manoel. “Mas Juscelino só pôde construir a capital em um único governo porque, quando assume a presidência, o Distrito Federal já está delimitado, o local escolhido e desapropriado. Todos os trabalhos da comissão foram passados para a Novacap”, opina o historiador. Sonho de Dom Bosco Entre os graus 15 e 20 havia uma enseada bastante longa e bastante larga, que partia de um ponto onde se formava um lago. Disse, então, uma voz repetidamente: – Quando se vierem a escavar as minas escondidas no meio destes montes, aparecerá aqui a terra prometida, de onde jorrará leite e mel. Será uma riqueza inconcebível. Dom Bosco Os livros de história contam que a fundação de Brasília teria sido até mesmo profetizada por um santo. Em 1883, Dom Bosco, santo italiano fundador da Congregação dos Salesianos, teria sonhado que fazia uma viagem à América do Sul e viu um local especial ao chegar à região entre os paralelos 15° e 20°, onde, nas palavras de um anjo que o acompanhava em sua visão, apareceria “a terra prometida” e que seria “uma riqueza inconcebível”. A visão acabou sendo interpretada como uma premonição do local em que deveria ser construída a nova capital do Brasil. Mas Dom Bosco nunca viajou à América do Sul e historiadores afirmam tratar-se de uma manobra política criada por parlamentares mudancistas goianos para assegurar a construção da Capital Federal no Planalto Central brasileiro. O episódio é até apelidado de “Operação Dom Bosco” pelo jornalista e historiador Jarbas Silva Marques. “O sonho existiu, mas foi usado na década de 50 pelos goianos para justificar a construção de Brasília. Eles foram muito espertos, ressignificaram o sonho para dizer que até Deus queria Brasília. Havia uma forte oposição contra a mudança da capital, mas o povo brasileiro é muito religioso”, afirma o historiador Elias Manoel da Silva. Para a arquiteta Angelina Nardelli Quaglia, que estuda a história de Brasília há 14 anos, o sonho de Dom Bosco acabou se transformando em uma “simpática lenda”. “Alguns estudiosos atuais dizem que foi uma manipulação do sonho para fazer as pessoas acreditarem que aqui era um lugar prometido. Na época havia a necessidade de se criar essa comoção nacional, foi uma forma de convencer as pessoas”, acredita.(Com informações Agência Brasília)  
18/04/2019

Brasília completa 59 anos e celebração terá shows de Anitta e bandas locais

Capital Federal

Brasília completa 59 anos e celebração terá shows de Anitta e bandas locais

A festa será na Esplanada dos Ministérios a partir das 10h e vai até a meia-noite

Para celebrar os 59 anos da Capital Federal, no próximo domingo (21), o Governo do Distrito Federal (GDF) planejou uma grande festividade tendo a cantora Anitta como atração principal, além da “prata da casa” com bandas e artistas do Distrito Federal. A festa será na Esplanada dos Ministérios, coração de Brasília. Para a comemoração, foi planejada uma programação para toda a família, com atividades artísticas, esportivas e gastronômicas, para crianças, jovens, adultos e idosos. Na área do Complexo Cultural da República, entre o Museu Nacional da República e a Biblioteca Nacional de Brasília, serão três palcos, o palco Brasília, o palco Ipê Amarelo e o palco Gastronomia, que receberão cerca de 30 artistas. As atrações começam às 10h e seguem até a meia-noite, reunindo, entre outros destaques, Dhi Ribeiro, Anitta, Bloco Eduardo e Mônica Scalene, Surf Sessions, Paraná, Aborto Elétrico, Dona Cislene e os sertanejos do Projeto Identidade. O Diário do Poder conversou com Marquinho Vital, vocalista do Bloco Eduardo e Mônica, que não esconde a grande satisfação e responsabilidade de estar participando, pela primeira vez, da festa de aniversário de Brasília. “Significa muito pro Bloco. Nosso projeto tem a intenção de prestigiar a música criada na capital, desde Legião Urbana, Plebe Rude, Capital, Paralamas , Raimundos, Maskavo e Natiruts”. O show do Eduardo e Mônica vai contar com as participações de Marceleza (Maskavo), Kiko Peres (Natiruts), Marcelo Bonfá (Legião Urbana), Digão ( Raimundos) e a Banda Scalene. Confira toda a programação: Palco Brasília Aborto Elétrico Sapekaí Dhi Ribeiro Luciano Ibiapina Galo Cego Paraná O Bando Capitão do Cerrado Lupa Dona Cislene Palco Ipê Amarelo Dani Firme Surf Sessions convida PJ e Wilson Sideral Projeto Identidade: Henrique e Ruan + Pedro Paulo e Matheus convidando Israel e Rodolfo Anitta Bloco Eduardo e Mônica – Convidados e participações: Digão e Canisso Raimundos / Legião – Bonfá / Marcela – Maskavoo / Scalene Palco Gastronômico Gustavo Trebien Diego Azevedo Allan Massay Diboresti Distintos Filhos Magoo Real Samba
18/04/2019

Confira o que abre e o que fecha no feriado da Semana Santa no Distrito Federal

Quem não vai viajar

Confira o que abre e o que fecha no feriado da Semana Santa no Distrito Federal

O Templo da Boa Vontade terá uma programação especial

Para quem não vai viajar nesse feriado de Semana Santa, vale conferir o que acontece no Distrito Federal, e os serviços públicos que estarão funcionando. O governador Ibaneis Rocha decretou ponto facultativo nesta quinta-feira (18), enfatizando que as unidades que prestam serviços essenciais aos cidadãos devem manter escalas, para que a prestação de serviços não seja prejudicada. Sendo assim os serviços públicos do Distrito Federal será assim: Segurança Pública As 31 delegacias do Distrito Federal estarão funcionando em regime de plantão. Já as unidades especializadas, a Delegacia de Atendimento à Mulher, assim como as Delegacias da Criança e do Adolescente vão funcionar normalmente, ou seja, por 24 horas. Quem precisar de atendimento na rede de saúde pública: Unidades básicas de saúde e ambulatórios Na Sexta-feira da Paixão, dia 19 de abril, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os ambulatórios dos hospitais estarão fechados devido ao feriado nacional. CAPS Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) também estarão fechados na sexta-feira. As exceções são os CAPs do tipo III, voltados ao atendimento de retaguarda e articulação em rede, que estarão com atendimento 24 horas por dia. Os outros CAPs, dos tipos I e II, estarão fechados. Restaurantes comunitários Os restaurantes comunitários vão ficar fechados, mas voltam a atender a população normalmente na segunda (22). Hemocentro A Fundação Hemocentro de Brasília fechará na sexta-feira (19). No sábado, funcionará normalmente, das 7h às 18h. A instituição fica no Setor Médico-Hospitalar Norte, Quadra 3, Conjunto A, Bloco 3 (Asa Norte). Para agendar doações e obter mais informações, ligue no número 160, opção 2. A entidade não funciona aos domingos. Emergências e unidades de pronto-atendimento Todas as emergências dos hospitais regionais e as Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) vão funcionar 24 horas por dia. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também funcionará de forma ininterrupta, podendo ser acionado pelo telefone 192. Comércio varejista As lojas do comércio varejista vão estar fechadas na sexta-feira (19), já no sábado (20) vão funcionar normalmente. As lojas dos shoppings da cidade estarão abertas no domingo (21) no período das 14h às 20h. Lazer Zoológico: Estará aberto todos os dias, das 8h30 às 17h. Jardim Botânico: Estará aberto normalmente, das 9h às 17h. Templo da Boa Vontade: Vai abrir todos os dias no período de 8h às 20h. O templo terá uma programação especial durante o feriado e no final de semana. Museu Nacional: Abre somente no sábado (20) e no domingo (21). Museu do Catetinho:  Vai funcionar no sábado (20) e domingo (21). Espaço Cultural Renato Russo: Abre durante todos os dias do feriado. Biblioteca Nacional de Brasília: Abre somente no sábado (20). Centro Cultural Três Poderes: Vai abrir normalmente para visitação. Morro da Capelinha A Via Sacra no Morro da Capelinha, em Planaltina, deve receber 160 mil pessoas, nesta sexta-feira (18), segundo estimativa dos organizadores. O evento, que está na 46ª edição, é considerado um dos mais importantes do contexto cultural e religioso do Distrito Federal.
Mais Distrito Federal
16/04/2019

Câmara Dos Deputados instalará CPI para investigar tragédia de Brumadinho

Devastada pela Vale

Câmara Dos Deputados instalará CPI para investigar tragédia de Brumadinho

Trabalhos iniciam em 23 de maio e promete passar a tragédia a limpo

A Câmara dos Deputados instalará na terça-feira (23) uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para averiguar as causas e os responsáveis pelo rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG), que aconteceu no dia  25 de janeiro. Na reunião, deverão ser escolhidos o presidente, o vice-presidente e o relator do colegiado. A comissão será composta por 43 integrantes titulares, com igual número de suplentes e funcionará inicialmente por 120 dias. A CPI foi sugerida pelos deputados Joice Hasselmann (PSL-SP), Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ). O despacho que autoriza a instalação, assinado pelo presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi lido hoje (16) no plenário da Casa. Comissão externa Atualmente, a Câmara dos Deputados já investiga a tragédia de Brumadinho (MG) por meio de uma comissão externa. Na semana passada, parlamentares integrantes da comissão apresentaram oito anteprojetos de lei para viabilizar o enfrentamento de riscos a que estão expostas as populações que vivem próximas às barragens de rejeitos da mineração. As propostas estão disponíveis para consulta pública e podem receber sugestões dos interessados no tema. “Propomos legislações que não permitam que crimes como os de Mariana e Brumadinho aconteçam e, ao mesmo tempo, deem sustentabilidade e segurança à mineração”, disse o presidente da comissão externa, deputado Zé Silva (Solidariedade-MG). Entre outros pontos, os anteprojetos aperfeiçoam as normas para monitoramento e fiscalização da atividade de mineração no Brasil e o licenciamento ambiental do setor; acabam com isenções tributárias das empresas da área; reforçam a Defesa Civil e a Política Nacional de Proteção de Barragens; tipificam a conduta criminosa do responsável pelas barragens; e instituem um fundo para ações emergenciais decorrentes de desastres causados pela mineração. O Senado instalou, no dia 13 de março, uma CPI para apurar as causas da tragédia de Brumadinho. (ABr)
15/04/2019

Justiça extingue ação que ordenou bloqueio de R$ 11,5 milhões de Aécio Neves

Minas Gerais

Justiça extingue ação que ordenou bloqueio de R$ 11,5 milhões de Aécio Neves

MP ajuizou ação de improbidade fora do prazo, por isso caducou

A Justiça de Minas Gerais determinou a extinção de um processo que ordenava o bloqueio de R$ 11,5 milhões em bens do deputado federal Aécio Neves (PSDB), ex-governador do estado. Na decisão, o juiz Rogério Santos Araújo Abreu, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Belo Horizonte, atende a um pedido da defesa, que havia apontado prescrição nas acusações feitas pelo Ministério Público. A Promotoria apresentou a ação civil de improbidade contra Aécio no ano passado, mais de cinco anos após o tucano ter deixado o mandato de governador -ele renunciou em 2010 para concorrer ao Senado-, ultrapassando o prazo para que as ações caduquem. Argumentava que o envio da ação fora do prazo aconteceu porque havia dolo (intencionalidade) nas supostas irregularidades cometidas por Aécio -deslocamentos aéreos em aviões do estado sem justificativa. Casos dolosos são imprescritíveis. Os promotores queriam o ressarcimento das viagens ao erário. Em fevereiro, o próprio juiz Rogério Abreu havia aceitado a ação e transformado o tucano em réu no caso, além de ter determinado o bloqueio dos bens de Aécio. O magistrado desfez essa decisão após a manifestação da defesa, em sentença assinada na última quarta-feira (10). Segundo ele, os atos praticados por Aécio, tidos como ilegais pelo Ministério Público, foram realizados com base em um decreto assinado pelo então governador, de 2005, que permitia o uso das aeronaves em deslocamento “de qualquer natureza”. Por isso, não haveria dolo. “No caso sub judice, a pretensão de ressarcimento fundamentada em suposto ilícito civil que, supostamente tenha causado prejuízo material ao patrimônio público, não revela conduta revestida de grau de reprovabilidade pronunciado (dolo), nem se mostra especialmente atentatória aos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade e publicidade, aplicáveis à administração pública, conquanto foi respaldada na legislação que regulamenta a matéria”, afirmou na sentença. “Desconstituo a decisão de recebimento da inicial. Acolho, ainda, a prejudicial de mérito da prescrição para julgar extinto o processo, com resolução de mérito.” Procurada, a assessoria de Aécio afirma em nota que “todos os voos realizados durante o governo Aécio Neves ocorreram dentro das normas legais do estado”. De acordo a Promotoria, enquanto governava o estado, Aécio realizou 1.424 deslocamentos aéreos de janeiro de 2003 a março de 2010, quando deixou o cargo para concorrer ao Senado. Destes, apenas 87 tiveram justificativa. Os demais foram feitos para transporte de passageiros que não foram identificados no momento dos voos, afirmava a acusação.
15/04/2019

Secretários do DF viajam até Goiânia para discutir sobre MP da região metropolitana

Beneficíos

Secretários do DF viajam até Goiânia para discutir sobre MP da região metropolitana

A MP viabiliza a criação da região metropolitana envolvendo o Distrito Federal e cidades de Goiás e Minas Gerais

O secretário de Desenvolvimento da Região Metropolitana, Paulo Roriz, o secretário de Relações Institucionais, Vitor Paulo e o chefe-adjunto da Casa Civil Marcelo Martins da Cunha viajaram nesta segunda-feira (15) para Goiânia onde discutiram os benefícios da aprovação da MP que trata da criação da região metropolitana do Distrito Federal. Os secretários do DF se reuniram com o secretário de Governo do estado de Goiás, Ernesto Roller, e o secretário da Casa Civil, Anderson Máximo. Os representantes do DF falaram sobre os benefícios e a importância da aprovação da MP. A Medida Provisória 862/2018 que viabiliza a criação da região metropolitana envolvendo o Distrito Federal e cidades de Goiás e Minas Gerais, está sendo debatida em uma comissão mista do Senado Federal. Na última quinta-feira (11), o texto teve o parecer favorável do relator do caso, deputado federal José Nelto (Pode-GO). O caminho para a provação da MP que altera o Estatuto da Metrópole passa por votação na comissão mista e plenário da Câmara dos Deputados e do Senado Federa. Além da aprovação de lei complementar na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) e nas assembleias legislativas dos estados de Minas Gerais e de Goiás. Depois disso, é necessária a sanção do presidente da República, Jair Bolsonaro.
14/04/2019

CPI de Brumadinho se reúne na terça-feira com Ministério Público

Tragédia impune

CPI de Brumadinho se reúne na terça-feira com Ministério Público

Comissão e MP vão trocar informações sobre a tragédia e pontos da legislação sobre segurança de barragens

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investiga o rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), se reúne na próxima terça-feira (16) com representantes do Ministério Público, para troca de informações sobre a tragédia e pontos da legislação sobre segurança de barragens que podem ser aperfeiçoados. “A CPI terá um momento agora com o Ministério Público para pensar no reordenamento moral, ético judicial, para que casos como o de Brumadinho não se repitam”, disse a presidente do colegiado, senadora Rose de Freitas (Pode-ES). Na avaliação da senadora, os responsáveis pelo rompimento da barragem não podem ficar impunes. “Sem punição não podem ficar. Acho que agora a CPI também tem que caminhar a passos firmes, na direção da obrigatoriedade de garantir as indenizações devidas, para que as pessoas possam tentar reerguer suas vidas, e isso não está acontecendo”, disse. Oitivas Com pouco mais de duas semanas de trabalho, a CPI já ouviu seis pessoas, entre elas o ex-presidente da Vale Fábio Schvartsman, além de técnicos e engenheiros da companhia e de empresas contratadas pela mineradora que atestaram a segurança da barragem. Sem apresentar novidades, até agora foi unanimidade ouvir que a barragem estava em condições de segurança e que não se sabe o que pode ter ocasionado o rompimento da estrutura. Além dos seis já ouvidos, a CPI tentou inquirir, sem sucesso, outros dois engenheiros da empresa alemã Tüv Süd, Makoto Namba e André Yassuda, últimos a atestarem a segurança da barragem de Brumadinho. Apesar de terem ido à comissão, ambos amparados por habeas corpus concedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), se negaram a responder as perguntas dos senadores. A CPI, no entanto, pretende insistir nos depoimentos, e entrou com um recurso no STF para que eles compareçam e sejam obrigados a prestar esclarecimentos. Próximos passos Com o feriado da Semana Santa, a CPI retomará os depoimentos no próximo dia 23. “Vamos terminar de ouvir os envolvidos da Vale na área gerencial, que estavam diretamente ligados ao contrato, responsáveis pelo manejo informações internas, e logo em seguida vamos ouvir órgãos do estado como Agência Nacional de Mineração, órgãos ambientais”, adiantou o relator da CPI, senador Carlos Viana (PSD-MG). Para o senador, o último depoente da CPI, o diretor-executivo de Ferrosos e Carvão da Vale, afastado da função desde abril, Peter Poppinga, deu a “espinha dorsal” da tragédia. Na última quinta-feira (11), o executivo indicou que um possível conflito de interesses pode responsabilizar a Tüv Süd, contratada pela Vale para auditar barragens. A empresa, segundo o dirigente, atuava em outras áreas da Vale e por isso não devia ser responsável por laudos sobre segurança de barragens. Poppinga é réu no processo que apura ocorrência do mesmo tipo em Mariana, em novembro de 2011. “Se na mineração as empresas de auditoria estão oferecendo dados não confiáveis à Agência Nacional de Mineração, isso pode estar acontecendo em outras agências fiscalizadoras. A questão das auditorias, que embasam as decisões dos órgãos fiscalizadores, pagas pelos próprios interessados, não está correta, temos que fazer uma mudança nessa lei”, defendeu Viana. Código de Mineração O senador Carlos Viana disse que um dos resultados da CPI, que deve apresentar o relatório final em julho, será uma proposta de reestruturação das agências brasileiras. A norma deverá fazer parte de um novo texto de Código de Mineração, que ele pretende apresentar com base em cerca de 32 propostas em tramitação na Câmara e no Senado. “Nós temos dezenas de projetos na área da mineração que estão na Câmara dos Deputados e no Senado, e o que sempre fazemos, em situações de tragédia, é o habitual. A gente faz uma votação sobre determinado assunto e para. Tenho conversado com membros da CPI para que a gente possa juntar todas as proposições e reorganizá-las dentro de um Código de Mineração”, disse. O senador acredita que dessa forma será mais fácil aumentar o rigor da fiscalização. Outras iniciativas A discussão em torno de um novo Código de Mineração não é novidade entre os parlamentares. Paralelamente ao trabalho da CPI, um mês após o rompimento da barragem de Brumadinho foi lido na Câmara o requerimento de criação de uma comissão especial destinada à elaboração de um novo Código de Mineração. A comissão será composta de 34 titulares e de igual número de suplentes. As lideranças tinham 48 horas para fazer as indicações, mas passados mais de 40 dias somente pouco mais da metade dos membros foram indicados e o colegiado ainda não saiu do papel. Também tramita no Senado a proposta de novo Código de Mineração (Pls 37/11, 5807/13 e outros). O texto chegou a ter relatório apresentado, mas não foi votado em plenário. Cercado por polêmicas, o texto propõe mudanças no marco regulatório do setor, em vigor há mais de 50 anos.
Mais Minas Gerais
20/04/2019

Suspeitos de construir prédios que desabaram na Muzema estão foragidos

Homicídio por dolo eventual

Suspeitos de construir prédios que desabaram na Muzema estão foragidos

A Justiça decretou a prisão dos três nesta sexta-feira (19)

Os três suspeitos de serem os responsáveis pelos prédios irregulares que desabaram na comunidade da Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro, continuam foragidos. Eles tiveram a prisão temporária (30 dias) decretada ontem (19) pela Justi A delegada Adriana Belém, da 16ª Delegacia Policial (DP) da Barra da Tijuca, informou que as diligências prosseguem neste sábado (20) para a prisão de José Bezerra de Lima, o Zé do Rolo; Renato Siqueira Ribeiro; e Rafael Gomes da Costa. Os três são acusados de homicídio por dolo eventual multiplicado 20 vezes, correspondendo ao número de mortos na tragédia até o momento. De acordo com a Polícia Civil,  Zé do Rolo teria construído os prédios enquanto os outros dois seriam corretores informais encarregados da venda dos imóveis. Eles foram reconhecidos por testemunhas ouvidas na 16ª DP. Já a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) investiga o envolvimento deles com a milícia. Buscas Os bombeiros continuam as buscas por corpos e sobreviventes do desabamento dos dois prédios no condomínio Figueiras do Itanhangá. Uma equipe formada por 100 bombeiros permanece no local. Três pessoas continuam desaparecidas. Até o momento, o número de mortos chega a 20 – 18 ocorreram no local e dois morreram nos hospitais. Oito pessoas ficaram feridas. (ABr)
19/04/2019

Acesso ao Cristo é liberado e turistas voltam a procurar monumento

Danos em temporal

Acesso ao Cristo é liberado e turistas voltam a procurar monumento

Elevador e escada rolante com problemas geram reclamações

Com o acesso ao Cristo Redentor liberado, desde cedo, foi grande o número de turistas nacionais e estrangeiros que subiram hoje (19) a Estrada das Paineiras e a via que leva ao Corcovado. O trabalho de desobstrução das vias de acesso foi concluído ontem (18), o que permitiu que as vans oficiais que levam turistas ao Centro de Visitantes Paineiras e ao Alto Corcovado, onde está situado o monumento do Cristo Redentor, voltassem a circular. A interdição temporária foi determinada no último dia 10, por causa das chuvas torrenciais que caíram na cidade do Rio de Janeiro desde o dia 8 deste mês. Segundo o Consórcio Paineiras Corcovado, que administra o local, devido aos estragos provocados pelas chuvas do início de abril, um trecho da Estrada Paineiras que tem trânsito em mão dupla pode ter esquema de “siga e pare”. Na via que liga o Centro de Visitantes Paineiras ao Alto Corcovado, um trecho foi totalmente liberado. Em outro trecho, onde circulam as vans da concessionária, foi adotado também o esquema de meia pista. Problemas estruturais O casal Suely Prudenciato e Luiz Armando, de Lençóis Paulista, reclamou de problemas no funcionamento do elevador e da escada rolante para acesso ao Corcovado. Foi a primeira visita do casal ao monumento, considerado o equipamento brasileiro mais conhecido no mundo. “Com o movimento que tem e o dinheiro que arrecada, não pode ficar sem escada rolante e elevador. Isso tem que ser corrigido. Não se pode dar desculpa do tipo “não se faz porque não tem dinheiro’. Dinheiro tem e não deve ser pouco”. Dificuldades, Luiz Armando afirmou que, quando se chega lá em cima, “é tudo muito bonito”. O casal espera que, quando retornar ao Rio, os problemas já tenham sido resolvidos. Nesta sexta-feira, o enfermeiro paulistano Sérgio Zinetti trouxe pela primeira vez a mãe, Consuelo Real, para visitar o Rio de Janeiro e o Cristo Redentor. “Quando chegamos lá em cima, ela se emocionou, chorou. Foi muito bacana para ela”, disse Zinetti à Agência Brasil. Ele também reclamou do elevador e da escada rolante, que não funcionavam. Ele lembrou a dificuldade de acesso dos idosos, como sua mãe. “A gente foi indo devagarinho, e ela venceu os obstáculos. E deu para curtir.” A guia de turismo Rosana Fátima Fernandes de Souza levou um grupo de 45 pessoas de várias cidades de Santa Catarina para conhecer o Cristo Redentor. A turma reunia moradores de Laguna, Tubarão, Brusque e Lauro Muller, entre outros municípios catarinenses. Rosana, que costuma vir ao Corcovado trazendo turistas pelo menos quatro vezes por ano, disse que estava preocupada com o acesso ao monumento, mas ficou feliz com a liberação da via. “O tempo também ajudou”, complementou. Ingressos As bilheterias voltaram a funcionar às 8h de hoje. São três pontos de embarque nas vans oficiais: na Praça do Lido, em Copacabana, e no Largo do Machado, na zona sul, e no Shopping Città América, na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade. Informações sobre horários de embarque podem ser obtidos no site. (Agência Brasil)
19/04/2019

‘Exército matou meu filho’, diz mãe de catador morto por militares ao socorrer família no Rio

Mãe vê covardia

‘Exército matou meu filho’, diz mãe de catador morto por militares ao socorrer família no Rio

Aparecida Macedo diz que filho se sentia seguro em barraco próximo a quartel

A mãe do catador de material reciclável morto por militares na zona oeste do Rio de Janeiro, Aparecida Macedo, afirmou nesta sexta-feira (19) que o Exército não prestou nenhuma assistência à família de Luciano Moraes, após o crime cometido por militares, há 12 dias. O músico Evaldo Santos Rosa morreu no local após ser atingido. Segundo ela, Luciano Moraes construiu um barraco próximo ao local em que foi fuzilado por militares. Ele se dizia seguro por estar próximo de uma unidade militar. “Ainda falei para ele: ‘Vai fazer barraco aí?’. Ele disse: ‘Fica calma coroa, o Exército está ali. A gente está seguro’. O Exército matou meu filho. O Exército matou meu filho”, disse ela, durante o enterro do filho. A fala da mãe da vítima contrasta com a do presidente Jair Bolsonaro, para quem “o Exército não matou ninguém”. “O Exército não matou ninguém, não, o Exército é do povo. A gente não pode acusar o povo de ser assassino não. Houve um incidente, houve uma morte, lamentamos a morte do cidadão trabalhador, honesto, está sendo apurada a responsabilidade”, disse ele há uma semana. ‘Foi covardia’ Aparecida se queixou ainda do fato dos militares não terem prestado qualquer assistência à família durante os 11 dias de internação de Luciano. Ele morreu nesta quinta (18). “Foi uma covardia o que fizeram com meu filho. Eles não foram me perguntar nem se precisava de um copo d’água”, disse ela. O catador de material reciclável Luciano Moraes morreu na madrugada desta quinta (18), após 11 dias internado no Hospital Carlos Chagas, em razão dos tiros disparados por militares do Exército na zona oeste do Rio de Janeiro. Moraes é a segunda vítima fatal da ação dos militares em Guadalupe. O catador foi atingido ao tentar salvar a família que estava dentro do carro fuzilado. O veículo levava cinco pessoas, entre elas uma criança de sete anos. Era uma família a caminho de um chá de bebê numa tarde de domingo. O sogro de Evaldo, Sérgio de Araújo, foi ferido e teve alta do Hospital Albert Schweitzer. A mulher, o filho e uma amiga do músico não se feriram. Prisões e ação trágica Nove militares estão presos preventivamente em razão da ocorrência. Inicialmente, o Exército afirmou que disparou contra um veículo roubado cujo ocupantes dispararam contra a patrulha. Apenas no fim de domingo foi informada a abertura de uma investigação. A mulher de Evaldo, Luciana Nogueira, afirmou em depoimento ao Ministério Público Militar que não ouviu qualquer disparo antes dos tiros atingirem o veículo em que estava sua família. Segundo ela, o carro trafegava em velocidade lenta, a cerca de 20 km/h, em razão de um quebra-mola próximo ao local dos disparos do Exército. Inicialmente, o Exército afirmou que disparou contra um veículo roubado cujo ocupantes dispararam contra a patrulha. Apenas no fim de domingo foi informado a abertura de uma investigação. A partir dessas informações, o Ministério Público Militar poderá individualizar as condutas dos acusados em uma eventual denúncia contra os suspeitos. O promotor Luciano Gorrilhas disse na semana passada que viu potencial para que os militares sejam denunciados por homicídio doloso e tentativa do mesmo crime contra os outros ocupantes do carro que sobreviveram. O defensor dos militares, o advogado Paulo Henrique Pinto de Mello, acusou o promotor de querer “subverter os fatos”. Ele recorre pela liberdade dos nove presos. (Folhapress)
19/04/2019

Concessão do Maracanã passa hoje para o Flamengo e o Fluminense

Nova gestão

Concessão do Maracanã passa hoje para o Flamengo e o Fluminense

Complexo foi devolvido ao Governo do Rio e permissão dura 180 dias

A Concessionária Maracanã encerrou ontem (18) à tarde a gestão do Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã, que passa hoje (19) para o Clube de Regatas do Flamengo, compartilhada com o Fluminense Football Club. A permissão de uso temporária do estádio do Maracanã aos dois clubes foi assinada pelo governo do estado no último dia 12. A permissão vai vigorar pelo prazo de 180 dias, que poderá ser prorrogado por igual período. Nesse intervalo, o governo fluminense pretende elaborar edital para a concessão definitiva do estádio. As mudanças na administração do Maracanã começaram em 18 de março, quando o governo anunciou que cancelaria a concessão ao Consórcio Maracanã S/A. O governador do Rio, Wilson Witzel acredita que a mudança de comando vai aumentar a renda dos clubes nos dias de jogos no estádio. Por ocasião da assinatura da permissão de uso temporária do estádio, o governador afirmou que “o mandante fica com a bilheteria e mais a arrecadação da alimentação e das bebidas. Isso é bom para todos os clubes. Todos os que estiverem ali jogando estarão sendo beneficiados”. O primeiro jogo sob a administração do Flamengo e Fluminense ocorrerá no próximo domingo (21), às 16h, entre Flamengo e Vasco. Esse será o segundo jogo da final do Campeonato Carioca. Recorde de público De acordo com a concessionária, nos últimos seis anos de concessão, o Maracanã registrou recorde de público da ordem de 9 milhões de pessoas, tendo realizado um total de 257 partidas. O estádio foi palco de eventos esportivos mundiais, como a abertura e o encerramento dos Jogos Olímpicos Rio 2016 e das finais da Copa do Mundo de 2014 e da Copa das Confederações, em 2013. O complexo foi devolvido ontem ao governo do estado. Durante a gestão do Consórcio Maracanã, o estádio recebeu 261 eventos musicais internacionais, com público de quase 500 mil pessoas. A concessionária informou que o Tour Maracanã, que permite aos visitantes conhecer os bastidores do templo do futebol e chegar bem próximo do famoso gramado do estádio, opera normalmente, apesar da troca de comando. Informações podem ser obtidas na página. O Tour Maracanã foi reaberto em junho de 2017. A visita guiada tem duração de 40 minutos, em média, e pode ser feita com guias bilíngues ou individualmente. Segundo a antiga gestora do espaço, o Tour é uma das atrações mais procuradas pelos turistas que passam pelo Rio de Janeiro e também por cariocas. (Com informações da Agência Brasil)
Mais Rio de Janeiro
18/04/2019

São Paulo está a um passo de proibir venda de canudos plásticos

Sustentabilidade

São Paulo está a um passo de proibir venda de canudos plásticos

Vereador Caio Miranda ressalta que o principal da medida é a conscientização da população

A cidade de São Paulo está a um passo de proibir o fornecimento de canudos de plástico em estabelecimentos comerciais, como restaurantes, bares e hotéis e se tornar mais sustentável. Com a aprovação do projeto pela Câmara Municipal na noite de quarta-feira, 18, falta apenas a sansão do prefeito Bruno Covas (PSDB) para que a lei entre em vigor. Em caso de descumprimento, de acordo com a proposta, os estabelecimentos serão inicialmente advertidos. A segunda autuação prevê multa de R$ 1 mil, a terceira, multa no dobro do valor da primeira autuação, e assim sucessivamente até a sexta autuação, que estabelece multa no valor de R$ 8 mil, além do fechamento administrativo. De autoria do vereador Reginaldo Tripoli (PV), o projeto recebeu 32 votos favoráveis. Fernando Holiday (DEM) e Janaína Lima (Novo) votaram contra. Os parlamentares também aprovaram emenda do vereador Caio Miranda (PSB) que estabelece o prazo de 180 dias para a prefeitura regulamentar o projeto e dá um período adicional de 180 dias para que as empresas se adequem. “A principal mudança que conseguimos, através da emenda, foi a ampliação do prazo para a lei entrar em vigor. Você não consegue promover uma mudança dessa escala numa cidade como São Paulo em questão de dias. Então, a gente garante o prazo de um ano para que a lei entre em pleno vigor. Se você fizer uma lei que não dá prazo, é uma lei injusta que vai só gerar multa e não vai gerar o principal que é conscientização”, enfatizou Caio Miranda. No Brasil, cidades litorâneas como Fortaleza, Salvador, Rio de Janeiro, Camboriú (SC), Ilhabela (SP), Santos (SP), Rio Grande (RS) e todo o estado do Rio Grande do Norte já sancionaram leis de proibição dos canudos e de outros plásticos descartáveis. Os estabelecimentos poderão fornecer canudos em papel reciclável, material comestível ou biodegradável, embalados individualmente em envelopes hermeticamente fechados feitos do mesmo material. Uma outra opção para a população é ter consigo um canudo próprio. Já há no comércio os canudos de inox, vidro e bambu. Segundo relatório da ONU sobre o tema publicado em junho de 2018, mais de 90 países já adotaram medidas contra os plásticos de uso único, somando iniciativas do mercado e leis locais. Para se ter uma ideia do problema do plástico – que nunca irá se decompor completamente –, empilhando os canudos consumidos por brasileiros em um ano em um muro de 2,10 metros de altura, seria possível dar uma volta completa na Terra, numa linha de mais de 45 mil km, por exemplo. Segundo artigo publicado na revista científica Science Advances em 2017, o mundo já havia produzido 8.300 milhões de toneladas de plástico até 2015. Do total de resíduos plásticos gerados, estima-se que apenas 12% foram reciclados e 9%, incinerados. Os outros 79% estariam no ambiente — principalmente no mar.
18/04/2019

Veruscka Boechat recebe medalha do Exército em homenagem ao marido

Apesar das críticas

Veruscka Boechat recebe medalha do Exército em homenagem ao marido

O jornalista foi homenageado em cerimônia do Exército brasileiro em São Paulo

O jornalista Ricardo Boechat foi homenageado em uma cerimônia do Exército brasileiro em São Paulo, nesta quinta-feira (18). A esposa do jornalista, Veruscka Seibel Boechat, recebeu da corporação uma medalha em nome do marido. “Receber a medalha do Exército Brasileiro em nome do meu marido é a prova de que mesmo criticando é possível ser respeitado. Pessoas e instituições podem ser diferentes e ainda assim conviver civilizadamente”. Assim como Boechat, outras 70 pessoas foram homenageadas com o Diploma de Colaborador Emérito do Exército ou com medalhas, como foi o caso do jornalista. Veruscka divulgou a foto da cerimônia em seu perfil do Instagram.  E contou que Boechat havia sido comunicado sobre a homenagem, e prontamente respondeu: “O exército vai mesmo me dar uma medalha, general? Eu sou comunista”. Ricardo Boechat morreu no dia 11 de fevereiro, após o helicóptero em que estava cair em um trecho do Rodoanel que dá acesso à rodovia Anhanguera, na zona oeste de São Paulo. O piloto do helicóptero também não resistiu ao acidente.
18/04/2019

Bolsonaro diz que Exército sempre esteve ao lado da vontade nacional

Liberdade de imprensa

Bolsonaro diz que Exército sempre esteve ao lado da vontade nacional

O presidente enfatizou que precisa da mídia para que "a democracia não se apague"

Ao participar hoje (18) de solenidade em comemoração dos 371 anos do Exército Brasileiro, no Quartel-General do Ibirapuera, em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro disse que o Exército “sempre esteve ao lado da vontade nacional” nos momentos difíceis que a nação passou. A instituição completa 371 anos amanhã (19). Em seu discurso, ele ressaltou que o governo precisa da mídia para que “a chama da democracia não se apague”. “Precisamos de vocês cada vez mais, palavras, letras e imagens, que estejam perfeitamente emanadas com a verdade. Nós, juntos, trabalhando com esse objetivo, faremos um Brasil maior, grande, e reconhecido em todo o cenário mundial. É isso o que nós queremos, as pequenas diferenças fiquem para trás. O Brasil é maior do que todos nós juntos”, afirmou. Bolsonaro ainda destacou a necessidade de união para o desenvolvimento do país. “Tenho certeza que, sozinho, não chegarei a lugar algum. Precisamos de todos vocês, civis e militares, ao lado do Brasil, para colocá-lo realmente no lugar que ele merece”. Colégio militar O presidente elogiou o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, presente na cerimônia, pela “construção do maior colégio militar do Brasil, no Campo de Marte”. “Nós faremos todo o possível para que, em cada capital de estado, onde, porventura, não exista colégio militar, nós construiremos lá também”, acrescentou. Bolsonaro também elogiou “as escolas militarizadas no estado do Amazonas e Goiás que estão dando um exemplo enorme de como se faz educação de verdade sem desmerecer as demais boas escolas particulares e públicas que temos no Brasil”. O Dia do Exército é celebrado em 19 de abril em alusão à Batalha dos Guararapes, quando brancos, negros e índios defenderam a pátria contra invasores holandeses em Pernambuco, no ano de 1648.
17/04/2019

Cade celebra acordo de leniência com Odebrecht para investigar cartel em obras de aeroportos

Operação Lava Jato

Cade celebra acordo de leniência com Odebrecht para investigar cartel em obras de aeroportos

Acordo foi assinado no âmbito da Operação Lava Jato com interveniência do MPF do DF

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) celebrou acordo de leniência com a Construtora Norberto Odebrecht e ex-funcionários da empreiteira para investigar suposta prática de cartel no mercado de obras de ampliação de aeroportos operados pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). O acordo foi assinado nesta terça-feira (16), no âmbito da Operação Lava Jato com interveniência do Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DF). De acordo com informações dos próprios signatários, as condutas anticompetitivas teriam sido praticadas por, pelo menos, 19 empresas e seus funcionários. Os agentes teriam combinado resultados de licitação com o objetivo de dividir lotes de obras de ampliação e modernização de aeroportos. A suspeita é que prática de cartel ocorreu nas obras dos aeroportos de Belo Horizonte (MG); Congonhas e Guarulhos (SP); Florianópolis (SC); Goiânia (GO); Macaé e Rio de Janeiro (RJ); Macapá (AP); e Vitória (ES). As informações e documentos apresentados serão utilizados em processo administrativo. O julgamento final cabe ao Tribunal do Cade, se as empresas forem condenadas, as multas aplicadas serão de até 20% de seu faturamento. Já as pessoas físicas, caso identificadas e condenadas, sujeitam-se a multas que podem ir de R$ 50 mil a R$ 2 bilhões. Acordos de leniência no Cade O acordo de leniência tem por objetivo obter informações e documentos que comprovem um cartel, bem como identificar os demais participantes na conduta. O acordo pode ser celebrado nos casos em que, na ocasião da sua propositura, o Cade ainda não disponha de provas suficientes para assegurar a condenação dos envolvidos. A leniência é assinada apenas com a primeira empresa proponente (ou seu grupo econômico), que deve cessar seu envolvimento na conduta, confessar o ilícito e cooperar com as investigações, identificando os demais envolvidos e apresentando provas e informações relevantes. No âmbito do Cade, o acordo beneficia os signatários com a extinção ou a redução de um a dois terços da punição. O documento também é assinado em conjunto com o Ministério Público e, nesta esfera, beneficia o signatário com a imunidade penal total ou parcial. O acordo de leniência é um instrumento utilizado por autoridades da concorrência em diversos países para desvendar cartéis. Desde 2003, já foram celebrados mais de 93 acordos de leniência no Cade. No âmbito da Operação Lava Jato são 16 acordos públicos. (Com informações Cade)
Mais São Paulo
19/04/2019

Anúncio de entrega do Centro Pesqueiro de Jaraguá anima maceioenses

No lugar de favela

Anúncio de entrega do Centro Pesqueiro de Jaraguá anima maceioenses

A partir de 6 de maio, centro dará conforto para clientes e condições de trabalho para comerciantes

A próxima Semana Santa será diferente para a comunidade que vive da pesca em Maceió (AL), em especial aos que trabalham no bairro de Jaraguá. Comerciantes e pescadores comemoram o anúncio da entrega do Centro Pesqueiro, estrutura construída pela Prefeitura de Maceió, que será inaugurada no dia 6 de maio para mudar a realidade precária dos trabalhadores da balança do peixe que existe atualmente no bairro, de onde foi retirada uma favela. “Estamos bem ansiosos e felizes porque essa situação difícil tem data para terminar. Hoje a gente trabalha no meio da lama, e por mais que as meninas limpem tudo, não tem jeito. E não é isso que o cliente quer ver. O comércio cai e a gente termina vendendo menos”, disse seu Gilson Costa, que trabalha fornecendo camarão e auxilia no tratamento de pescados. Ramon Luiz da Silva trabalha no local há 27 anos como fornecedor de peixe para a balança. Ele acredita que a mudança vai atrair movimento para as vendas e trará melhores condições de trabalho para quem vive da atividade. “O ambiente aqui é muito pequeno. Acho que lá vai ser mais adequado e mais espaçoso pra trabalhar. Tenho certeza que o comércio de peixe vai melhorar e muito”, frisou. Os consumidores também trazem boas expectativas para a mudança. Alexandra Gurgel é de Fortaleza, mora em Maceió há três anos, e optou por comprar na balança para levar pescados frescos. Ela conta o que acha do atual espaço e como acredita ser necessário uma nova estrutura. “Como uma cidade praiana todo mundo gosta muito de peixe, pescados, mas realmente a estrutura encontrada aqui é insalubre e precária. Há sim uma necessidade de melhoria. Com um novo espaço, o que a gente espera é que o manuseio com o alimento melhore, já que é algo tão delicado, principalmente falando em pescados, que exige refrigeração e um local constantemente limpo. Acredito que também melhore as vendas. Hoje em dia, muita gente opta por comprar no supermercado, que não é tão bom quanto comprar o pescado fresco, mas que por conta da estrutura, termina buscando essa opção”, comentou a compradora Alexandra Gurgel. A nova estrutura O Centro Pesqueiro ficará próximo ao espaço que funciona atualmente a balança do peixe de Jaraguá. O local foi elaborado em parceria com os moradores da antiga Favela do Jaraguá, que foram transferidos para o Residencial Vila dos Pescadores, no bairro Sobral. O projeto beneficia a quem tem a pesca como principal atividade de sobrevivência. “Será um ganho para a comunidade que vai ter o Mercado do Peixe com todo o padrão de qualidade com fábrica de gelo, estaleiro para os barcos e depósito para o material de pesca. Vai ser algo totalmente voltado para a comunidade pesqueira, mas ganha a cidade com um novo espaço turístico”, comentou o prefeito de Maceió, Rui Palmeira, sobre o novo espaço. “Vamos trazer para cá todos que trabalham no atual Mercado do Peixe aqui em Jaraguá e eles terão toda a estrutura para servir bem o maceioense”, acrescentou Rui Palmeira. A nova estrutura terá depósitos, estaleiros, mercado de peixe (com área de vendas e armazenamento), lanchonete, fábrica de gelo, oficinas – fabricação e conserto das redes de pesca, fabricação e conserto de leme e elétrica para barco e motor para barco, sorveteria e muito mais. Além disso, cerca de mil empregos serão gerados, aquecendo o mercado de trabalho no setor. O local já ganhou um sistema de iluminação, instalado pela Superintendência Municipal de Energia e Iluminação Pública (Sima). (Com informações da Secom Maceió)
18/04/2019

MP vai apurar indícios de nepotismo no TCE-AL expostos pelo ‘Diário do Poder’

Nomeações suspeitas

MP vai apurar indícios de nepotismo no TCE-AL expostos pelo ‘Diário do Poder’

O presidente, Otávio Lessa, nomeou mulher de conselheiro e irmão do governador

O procurador-geral de Justiça de Alagoas, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, afirmou nesta quinta-feira (18) que as reportagens do Diário do Poder sobre nomeações de parentes de autoridades que podem configurar casos nepotismo no Tribunal de Contas de Alagoas (TCE-AL) servirão para abertura de investigações sobre a presença do irmão do governador Renan Filho (MDB) e da esposa do conselheiro Rodrigo Siqueira Cavalcante em cargos comissionados de direção que pagam R$ 11 mil brutos de salário. As matérias jornalisticas publicadas desde ontem (17) revelaram em detalhes que o presidente do TCE-AL Otávio Lessa – cuja filha Mariana Lessa ocupa cargo de comissão desde 2015 no gabinete do governador – nomeou em 19 de fevereiro deste ano o irmão de Renan Filho, o médico veterinário especializado em inseminação artificial Rodrigo Rodrigues Calheiros, no cargo de diretor-adjunto de Controle Interno da Corte de Contas do Estado de Alagoas. O que pode configurar o favorecimento ilegal de parentes de autoridades denominado nepotismo cruzado. Hoje, a denúncia do Sindicato dos Servidores do TCE de Alagoas expôs que Otávio Lessa também nomeou, em 8 de janeiro, a esposa do conselheiro Rodrigo Cavalcante, Josmara Aline Marques de Siqueira Cavalcante, como diretora técnica adjunta da Escola de Contas Públicas, por indicação do conselheiro Anselmo Brito. “Suas reportagens servirão para abertura dos casos. As nomeações da esposa do conselheiro e do irmão do governador passarão por análise da equipe técnica do MP de Alagoas”, disse Alfredo Gaspar à reportagem. O chefe do MP de Alagoas antecipou que, em relação à nomeação do irmão do governador para o TCE tem que ser analisada e admitiu não ter como responder de imediato se a relação é ou não ilegal. E revelou que, no início deste mês de abril, recebeu sindicalistas do Sindicontas que indicaram a intenção de denunciar caso de nepotismo envolvendo esposa de conselheiro. “A nomeação do irmão do governador, se fosse na mesma época da nomeação da filha do presidente do TCE, seria nepotismo. Mas cinco anos depois, só fazendo um estudo de caso. Recebi uma comissão de servidores que informaram que representariam sobre um caso de nepotismo (nomeação da esposa de um conselheiro) e ficaram de protocolar”, disse o chefe do MP, que estava esperando a representação dos sindicalistas, para adotar providências, antes de o Diário do Poder expor o caso. Todos os citados negam ilegalidades nas nomeações. Leia as reportagens: Presidente do TCE-AL dá cargo de R$11 mil a irmão do governador que nomeou sua filha Esposa de conselheiro ocupa cargo de RS 11 mil no TCE de Alagoas
Mais Alagoas
21/04/2019

Aos 59 anos, Brasília vira metrópole e teme violência

Aniversariante

Aos 59 anos, Brasília vira metrópole e teme violência

Capital deixou de ser cidade maquete e é desigual como o Brasil

No dia em que Brasília completa 59 anos, a economista Jane Pias de Oliveira recorda-se da liberdade que tinha para brincar na cidade quando era menina (9 anos), nos primeiros anos da capital federal. “A gente ia para o zoológico de bicicleta. E sabe por onde a gente andava? Naquela faixa do meio do Eixão”, conta à reportagem. Jane morava na quadra 712 sul, a sete quilômetros do Jardim Zoológico, e fazia com seus colegas da rua um passeio impensável para os dias atuais no Eixo Rodoviário, por causa do intenso tráfego a 80 km/h (velocidade autorizada). A economista nasceu em outubro de 1958, no antigo Hospital Juscelino Kubitschek de Oliveira, o primeiro do Distrito Federal, hoje Museu Vivo da Memória Candanga, no Núcleo Bandeirante. “Na minha certidão de nascimento está escrito ‘nascida em Brasília (futura capital federal)’. Eu nasci numa cidade que não existia ainda”, afirma. O filho de Jane, o estatístico Carlos Eduardo de Oliveira Varanda (38 anos), também não esquece os passeios de bicicleta na infância. “Andava de bicicleta o Lago Norte inteiro [cerca de nove quilômetros de extensão] e não avisava à mãe”. Carlos Eduardo ainda lembra de subir em árvore, pescar no Lago Paranoá e até encontrar bichos, como pequenas cobras, que dividiam o cerrado com casas que habitavam o bairro, hoje praticamente todo urbanizado e construído. “Tinha vida de roça na cidade”, rememora. Mãe e filho são da primeira e segunda gerações de brasilienses. Aquelas que usufruíram da cidade crianças e adolescentes até os anos 1980, e tiveram o privilégio de viver em um centro urbano ainda não densamente povoado, com pouco trânsito e seguro para as meninos e meninas brincarem livremente. O pequeno Alexandre (3 anos), da terceira geração de brasilienses, neto de Jane e filho de Carlos Eduardo, jamais terá a liberdade que sua avó ou seu pai tiveram em tempos idos na capital. “Se minha mãe deixar meu filho do mesmo jeito que me deixava, eu vou ficar preocupado”, admite Carlos Eduardo. “Era mais tranquilo. No trânsito a gente se deslocava rapidinho”, conta Jane que, além de criar Eduardo e mais dois filhos, ainda trabalhava em um banco e estudava na Universidade de Brasília (UnB). “Nós tínhamos mais segurança para deixar os filhos brincarem na rua. Hoje temos que ir junto”, compara Jane. O veterinário Luís Fernando de Oliveira Varanda (34 anos), também filho dela, tem as mesmas preocupações que o irmão e entretém os seus dois filhos, também brasilienses, em brinquedotecas. “Não temos mais aquela liberdade”, afirma. Contradições Menos liberdade por causa de segurança é indicador de que Brasília se tornou uma típica metrópole brasileira. De acordo com o Mapa da Violência 2018, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a taxa que soma homicídios e mortes violentas com causa indeterminada é de 26,5 casos a cada 100 mil habitantes – acima de São Paulo (14,9 casos), Florianópolis (18) e Vitória (23,1). Para o urbanista e professor emérito da UnB José Carlos Coutinho, a violência tem a ver com a desigualdade socioeconômica entre o Plano Piloto e as regiões administrativas, e as cidades do Entorno e o DF. “Temos concentração perversa da mais alta renda per capita do país em zonas elitizadas, circundados por uma periferia onde não há condições dignas de vida”, diz. Conforme o especialista, há 50 anos na cidade, “essa periferia que cerca a ilha da fantasia que cria esse contraste. Daí vêm as cercas elétricas, muros altos e arame farpado”. “Brasília nasceu saudável, um bebê rosado, lindo, que à medida que foi crescendo foi ficando com a cara do pai, que é o Brasil. Brasília hoje tem as mesmas contradições, desigualdades e injustiças que tem o país. Brasília não poderia ser diferente do Brasil”, complementa o urbanista. Dados do Atlas Brasil, recentemente divulgados pelo Ipea, indicam que a renda per capita na região metropolitana formada pelo Distrito Federal e Entorno cresceu 41,88% entre 2000 e 2010, houve redução do percentual de pobres (de 17% para 7,2%) e dos extremamente pobres (de 5,21% para 1,96%). O Índice de Gini, que mede a desigualdade, porém, variou pouco; era de 0,65 em 2000 e foi a 0,64 em 2010. O índice varia de zero a um, quanto mais próximo de zero mais igualitária a renda do grupo. Quanto mais perto de um, maior a concentração de renda. Conforme a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), 401 mil brasilienses formam uma elite com renda média domiciliar mensal de R$ 15,6 mil; 922 mil têm renda média domiciliar de R$ 7,3 mil; 1,2 milhão têm renda média domiciliar de R$ 3 mil; e 307 mil têm renda média domiciliar de R$ 2,4 mil. “Ocupação anárquica” Além da desigualdade e da insegurança, José Carlos Coutinho lamenta que a ocupação do DF se deu de forma “anárquica” e que os diversos governos não fizeram planejamento, resultando em ocupação indevida de terras e devastação do cerrado. “A cidade veio tropeçando num processo de crescimento alarmante. O futuro nos reserva muitas incertezas. Brasília vai acabar sendo um centro histórico cercado de pobreza por todos os lados”, alerta o urbanista. A cidade ocupa o quarto lugar em número de automóveis. Conforme o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), há 1,29 milhão de carros emplacados em Brasília – abaixo apenas de São Paulo (5,75 milhões), do Rio de Janeiro (2,04 milhões) e de Belo Horizonte (1,44 milhão). O volume de carros é tão grande em Brasília que seria possível colocar todos os habitantes nos automóveis e ainda sobrariam lugares. Segundo projeção do IBGE, Brasília tem 3 milhões de habitantes. Dividindo um indicador pelo outro, chega-se à média de 2,3 pessoas por carro registrado na cidade. Luís Fernando e Eduardo de Oliveira evitam o trânsito candango morando em superquadras do Plano Piloto, próximas ao trabalho. A mãe deles, Jane, mudou-se há seis meses para Águas Claras, um bairro de classe média alta com prédios de mais de 30 pavimentos, na região administrativa de Taguatinga (antigamente denominada de cidade-satélite). A noite da espera Aposentada, Jane foge do trânsito evitando as horas de congestionamento. E, sem se apegar ao passado, aprecia a Brasília de 2019. “Não sou saudosista, gosto de lembrar de algumas coisas. Eu adoro Brasília, acho linda, tem qualidade de vida ótima. [Nos últimos anos], melhorou em urbanização e vida noturna.” O escritor Milton Hatoum, autor de Dois irmãos, Cinzas do Norte e A Noite da Espera, o último com história ambientada em Brasília no final dos anos 1960, também elogia a Brasília atual. “A cidade ficou verde”. Em sua opinião, a capital não tem mais “a tristeza e a tensão” que são tratadas no seu último livro. Algumas angústias da trama, Hatoum experimentou. Veio de Manaus para a cidade com 15 anos, longe da família, para estudar o “colegial” no extinto Centro Integrado de Ensino Médio (Ciem), colégio de aplicação então vinculado à UnB. Nos momentos de solidão, conta que contemplava o Lago Paranoá ou ia ver a Igrejinha. “A cidade estava começando, tinha pouquíssimas árvores e muito barro. Era um cerrado destruído para a construção da cidade”, descreve. O escritor também ia ao Poço Azul. Passeios a cachoeiras nos arredores da nova capital são mencionados no livro e marcados na memória de Hatoum, assim como lugares símbolos da então jovem cidade: a Livraria Encontros, a Pizzaria Kazebre 13, que já não existem mais, o Restaurante Roma e o Bar Beirute, ainda em funcionamento. O superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Carlos Madson Reis, que vive em Brasília desde 1972, evita espírito nostálgico quanto à quietude da cidade. Sem negar os problemas apresentados na capital, que faz aniversário neste domingo (21 de abril), ele diz que o Plano Piloto se assemelha até hoje à proposta original de Lúcio Costa, que foi modificada desde o início com alterações como a criação das quadras 400 e 700, a aproximação da área urbana ao lago e a extensão do Eixo Monumental. Madson Reis avalia que Brasília deixou se ser maquete e que a terceira geração da cidade ocupa “de maneira diferente” o espaço urbano. “Faz uma apropriação menos sacralizada e mais humanizada. Procura se apropriar dos espaços de uma forma mais lúdica. Menos simbólica e mais intensa”, acrescenta. (ABr)
21/04/2019

Uma cidade sonhada por dois séculos

Brasília faz 59 anos

Uma cidade sonhada por dois séculos

A transferência para o interior do país é defendida desde o período colonial, mas só JK fez do sonho uma realidade

A transferência para o interior do país é defendida desde o período colonial. A construção de uma nova capital, porém, passou por vontades políticas distintas, muitas mudanças de governo até se transformar em realidade com Juscelino Kubitschek. Brasília completa 59 anos, mas, pela história, poderia ter facilmente 268 anos. Sonhada por mais de dois séculos, a criação de uma nova capital no interior do país é defendida desde o período colonial. No início,o objetivo era proteger a colônia de invasões que poderiam vir do litoral. Com o passar dos anos, a tese passou a ser o desenvolvimento do interior do país. Muitas idas e vindas, vontades políticas distintas, mudanças de governo até a construção da capital se  transformar em metassíntese do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek e sair do papel. “A transferência da capital para o interior do país não ocorreu bruscamente, tampouco gozou de unanimidade. Foi um lento processo em que poucos acreditaram e, desses, uma porcentagem ainda menor o defendeu publicamente”, afirma Jeferson Tavares, autor do livro Projetos para Brasília: 1927 – 1957, que conta a história da transferência da capital e dos projetos feitos para Brasília. “Não tardaram as vozes contra essas ações, denominando-as de loucas e insanas”, completa. É atribuída ao Marques de Pombal a ideia mais antiga que se conhece de transferir a capital do Brasil para o interior. Em 1751, ele contratou um cartógrafo italiano que elaborou a carta geográfica de Goiás e ressaltou o valor estratégico do Planalto Central. Anos depois, em 1789, os inconfidentes mineiros queriam transferir a capital para São João Del Rey, em Minas Gerais, com a alegação de vantagem estratégica (segurança) e demográfica (povoamento do interior). Com a proclamação da Independência e a Assembleia Constituinte, José Bonifácio foi mais uma voz a defender a mudança. Ele chegou a sugerir o nome Petrópolis (cidade de Pedro) ou Brasília para a nova capital, que seria erguida na comarca de Paracatu do Príncipe, Minas Gerais. A Constituição de 1824, porém, não incorporou a tese da interiorização da capital. Foi apenas com a Constituição de 1891 que surgiu o primeiro marco legal para a interiorização: em seu artigo 3º, a lei reservou à União uma área com 14.400 quilômetros quadrados no Planalto Central, que seria oportunamente demarcada para nela estabelecer-se a futura Capital Federal. “Sempre se falava em ir para o interior, por causa da vulnerabilidade do litoral. Mas não havia nenhum estatuto legal até então”, conta o historiador do Arquivo Público do DF, Elias Manoel da Silva. Comissão Cruls Floriano Peixoto, o primeiro presidente da República, criou a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil em 1892. Presidida por Luiz Cruls e formada por 22 expedicionários, eles passaram sete meses no Planalto Central e delimitaram o quadrilátero de 14.400 km² conforme determinava a Constituição. Dois anos depois, Luiz Cruls publica o relatório da expedição e, graças ao sucesso da missão, o presidente envia uma segunda comissão ao Planalto Central, que estudou a área demarcada e especificou o melhor lugar para a construção da cidade: entre os córregos Gama e Torto, onde hoje está Brasília. “Estava tudo pronto para começar a construir a capital, mas o governo de Floriano Peixoto chegou ao fim e seu sucessor, Prudente de Morais, paulista, não queria a mudança da capital, como seus conterrâneos”, lembra o historiador. “Propuseram a reforma do Rio de Janeiro, Prudente de Moraes cortou as verbas da comissão de estudos da nova capital e a ideia morreu por aí”, explica Elias Manoel. Mais cem anos se passaram até que, no Centenário da Independência, em 1922, deputados mudancistas voltaram a falar da transferência da capital. Eles defendiam que as ideias da Constituição fossem resgatadas e fizeram um projeto de lei para que uma pedra fundamental fosse colocada dentro do quadrilátero reservado ao futuro Distrito Federal. No dia 7 de setembro de 1922, ao meio dia, a pedra fundamental da nova capital é assentada próximo a Planaltina – um marco para a concretização das aspirações para a interiorização da capital. A Constituição de 1934 volta a prever a transferência para o ponto central do Brasil, mas apenas em 1946, com a quarta Constituição Republicana, a lei volta a representar ação prática para a mudança: o presidente Eurico Dutra nomeia um novo grupo técnico para realizar estudos de localização. Liderada por Djalma Polli Coelho, a comissão indica o mesmo território apontado por Luiz Cruls. O relatório da comissão Djalma Polli é enviado ao Congresso Nacional em 1948, mas só é aprovado em 1953. Um projeto de lei autoriza o governo a definir o sítio da nova capital e Getúlio Vargas cria uma Comissão de Planejamento da Mudança da Capital Federal. Um ano depois, com assessoria de empresas de foto análise e foto interpretação, a delegação indica os cinco melhores sítios para ser construída a nova capital e o governo enfim escolhe o Sítio Castanho como local exato para a construção da nova capital. JK Neste momento, a história da transferência cruza-se com a de Juscelino Kubitschek, então candidato à Presidência da República. Em 4 de abril de 1955, em um comício na cidade de Jataí (GO), JK é questionado se cumpriria a Constituição e faria a transferência da capital caso fosse eleito. “Quero confessar que até aquele instante não havia fixado, com a devida atenção, o problema da mudança. Mas tive que responder de pronto à pergunta”, escreveu Juscelino mais tardeCom a eleição de JK, a construção da capital começa a se tornar realidade. Em setembro de 1956, é sancionada a lei que criou a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) e deu o nome de Brasília à capital. As obras começaram em outubro daquele ano e, depois de três anos e meio, Brasília é inaugurada em uma festa que durou quase dois dias. “São dois séculos de história, mas faltou vontade política em outros momentos e um cara ousado como foi JK”, afirma Elias Manoel. “Mas Juscelino só pôde construir a capital em um único governo porque, quando assume a presidência, o Distrito Federal já está delimitado, o local escolhido e desapropriado. Todos os trabalhos da comissão foram passados para a Novacap”, opina o historiador. Sonho de Dom Bosco Entre os graus 15 e 20 havia uma enseada bastante longa e bastante larga, que partia de um ponto onde se formava um lago. Disse, então, uma voz repetidamente: – Quando se vierem a escavar as minas escondidas no meio destes montes, aparecerá aqui a terra prometida, de onde jorrará leite e mel. Será uma riqueza inconcebível. Dom Bosco Os livros de história contam que a fundação de Brasília teria sido até mesmo profetizada por um santo. Em 1883, Dom Bosco, santo italiano fundador da Congregação dos Salesianos, teria sonhado que fazia uma viagem à América do Sul e viu um local especial ao chegar à região entre os paralelos 15° e 20°, onde, nas palavras de um anjo que o acompanhava em sua visão, apareceria “a terra prometida” e que seria “uma riqueza inconcebível”. A visão acabou sendo interpretada como uma premonição do local em que deveria ser construída a nova capital do Brasil. Mas Dom Bosco nunca viajou à América do Sul e historiadores afirmam tratar-se de uma manobra política criada por parlamentares mudancistas goianos para assegurar a construção da Capital Federal no Planalto Central brasileiro. O episódio é até apelidado de “Operação Dom Bosco” pelo jornalista e historiador Jarbas Silva Marques. “O sonho existiu, mas foi usado na década de 50 pelos goianos para justificar a construção de Brasília. Eles foram muito espertos, ressignificaram o sonho para dizer que até Deus queria Brasília. Havia uma forte oposição contra a mudança da capital, mas o povo brasileiro é muito religioso”, afirma o historiador Elias Manoel da Silva. Para a arquiteta Angelina Nardelli Quaglia, que estuda a história de Brasília há 14 anos, o sonho de Dom Bosco acabou se transformando em uma “simpática lenda”. “Alguns estudiosos atuais dizem que foi uma manipulação do sonho para fazer as pessoas acreditarem que aqui era um lugar prometido. Na época havia a necessidade de se criar essa comoção nacional, foi uma forma de convencer as pessoas”, acredita.(Com informações Agência Brasília)  
Mais Distrito Federal
16/04/2019

Câmara Dos Deputados instalará CPI para investigar tragédia de Brumadinho

Devastada pela Vale

Câmara Dos Deputados instalará CPI para investigar tragédia de Brumadinho

Trabalhos iniciam em 23 de maio e promete passar a tragédia a limpo

A Câmara dos Deputados instalará na terça-feira (23) uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para averiguar as causas e os responsáveis pelo rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG), que aconteceu no dia  25 de janeiro. Na reunião, deverão ser escolhidos o presidente, o vice-presidente e o relator do colegiado. A comissão será composta por 43 integrantes titulares, com igual número de suplentes e funcionará inicialmente por 120 dias. A CPI foi sugerida pelos deputados Joice Hasselmann (PSL-SP), Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ). O despacho que autoriza a instalação, assinado pelo presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi lido hoje (16) no plenário da Casa. Comissão externa Atualmente, a Câmara dos Deputados já investiga a tragédia de Brumadinho (MG) por meio de uma comissão externa. Na semana passada, parlamentares integrantes da comissão apresentaram oito anteprojetos de lei para viabilizar o enfrentamento de riscos a que estão expostas as populações que vivem próximas às barragens de rejeitos da mineração. As propostas estão disponíveis para consulta pública e podem receber sugestões dos interessados no tema. “Propomos legislações que não permitam que crimes como os de Mariana e Brumadinho aconteçam e, ao mesmo tempo, deem sustentabilidade e segurança à mineração”, disse o presidente da comissão externa, deputado Zé Silva (Solidariedade-MG). Entre outros pontos, os anteprojetos aperfeiçoam as normas para monitoramento e fiscalização da atividade de mineração no Brasil e o licenciamento ambiental do setor; acabam com isenções tributárias das empresas da área; reforçam a Defesa Civil e a Política Nacional de Proteção de Barragens; tipificam a conduta criminosa do responsável pelas barragens; e instituem um fundo para ações emergenciais decorrentes de desastres causados pela mineração. O Senado instalou, no dia 13 de março, uma CPI para apurar as causas da tragédia de Brumadinho. (ABr)
15/04/2019

Justiça extingue ação que ordenou bloqueio de R$ 11,5 milhões de Aécio Neves

Minas Gerais

Justiça extingue ação que ordenou bloqueio de R$ 11,5 milhões de Aécio Neves

MP ajuizou ação de improbidade fora do prazo, por isso caducou

A Justiça de Minas Gerais determinou a extinção de um processo que ordenava o bloqueio de R$ 11,5 milhões em bens do deputado federal Aécio Neves (PSDB), ex-governador do estado. Na decisão, o juiz Rogério Santos Araújo Abreu, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Belo Horizonte, atende a um pedido da defesa, que havia apontado prescrição nas acusações feitas pelo Ministério Público. A Promotoria apresentou a ação civil de improbidade contra Aécio no ano passado, mais de cinco anos após o tucano ter deixado o mandato de governador -ele renunciou em 2010 para concorrer ao Senado-, ultrapassando o prazo para que as ações caduquem. Argumentava que o envio da ação fora do prazo aconteceu porque havia dolo (intencionalidade) nas supostas irregularidades cometidas por Aécio -deslocamentos aéreos em aviões do estado sem justificativa. Casos dolosos são imprescritíveis. Os promotores queriam o ressarcimento das viagens ao erário. Em fevereiro, o próprio juiz Rogério Abreu havia aceitado a ação e transformado o tucano em réu no caso, além de ter determinado o bloqueio dos bens de Aécio. O magistrado desfez essa decisão após a manifestação da defesa, em sentença assinada na última quarta-feira (10). Segundo ele, os atos praticados por Aécio, tidos como ilegais pelo Ministério Público, foram realizados com base em um decreto assinado pelo então governador, de 2005, que permitia o uso das aeronaves em deslocamento “de qualquer natureza”. Por isso, não haveria dolo. “No caso sub judice, a pretensão de ressarcimento fundamentada em suposto ilícito civil que, supostamente tenha causado prejuízo material ao patrimônio público, não revela conduta revestida de grau de reprovabilidade pronunciado (dolo), nem se mostra especialmente atentatória aos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade e publicidade, aplicáveis à administração pública, conquanto foi respaldada na legislação que regulamenta a matéria”, afirmou na sentença. “Desconstituo a decisão de recebimento da inicial. Acolho, ainda, a prejudicial de mérito da prescrição para julgar extinto o processo, com resolução de mérito.” Procurada, a assessoria de Aécio afirma em nota que “todos os voos realizados durante o governo Aécio Neves ocorreram dentro das normas legais do estado”. De acordo a Promotoria, enquanto governava o estado, Aécio realizou 1.424 deslocamentos aéreos de janeiro de 2003 a março de 2010, quando deixou o cargo para concorrer ao Senado. Destes, apenas 87 tiveram justificativa. Os demais foram feitos para transporte de passageiros que não foram identificados no momento dos voos, afirmava a acusação.
Mais Minas Gerais
20/04/2019

Suspeitos de construir prédios que desabaram na Muzema estão foragidos

Homicídio por dolo eventual

Suspeitos de construir prédios que desabaram na Muzema estão foragidos

A Justiça decretou a prisão dos três nesta sexta-feira (19)

Os três suspeitos de serem os responsáveis pelos prédios irregulares que desabaram na comunidade da Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro, continuam foragidos. Eles tiveram a prisão temporária (30 dias) decretada ontem (19) pela Justi A delegada Adriana Belém, da 16ª Delegacia Policial (DP) da Barra da Tijuca, informou que as diligências prosseguem neste sábado (20) para a prisão de José Bezerra de Lima, o Zé do Rolo; Renato Siqueira Ribeiro; e Rafael Gomes da Costa. Os três são acusados de homicídio por dolo eventual multiplicado 20 vezes, correspondendo ao número de mortos na tragédia até o momento. De acordo com a Polícia Civil,  Zé do Rolo teria construído os prédios enquanto os outros dois seriam corretores informais encarregados da venda dos imóveis. Eles foram reconhecidos por testemunhas ouvidas na 16ª DP. Já a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) investiga o envolvimento deles com a milícia. Buscas Os bombeiros continuam as buscas por corpos e sobreviventes do desabamento dos dois prédios no condomínio Figueiras do Itanhangá. Uma equipe formada por 100 bombeiros permanece no local. Três pessoas continuam desaparecidas. Até o momento, o número de mortos chega a 20 – 18 ocorreram no local e dois morreram nos hospitais. Oito pessoas ficaram feridas. (ABr)
19/04/2019

Acesso ao Cristo é liberado e turistas voltam a procurar monumento

Danos em temporal

Acesso ao Cristo é liberado e turistas voltam a procurar monumento

Elevador e escada rolante com problemas geram reclamações

Com o acesso ao Cristo Redentor liberado, desde cedo, foi grande o número de turistas nacionais e estrangeiros que subiram hoje (19) a Estrada das Paineiras e a via que leva ao Corcovado. O trabalho de desobstrução das vias de acesso foi concluído ontem (18), o que permitiu que as vans oficiais que levam turistas ao Centro de Visitantes Paineiras e ao Alto Corcovado, onde está situado o monumento do Cristo Redentor, voltassem a circular. A interdição temporária foi determinada no último dia 10, por causa das chuvas torrenciais que caíram na cidade do Rio de Janeiro desde o dia 8 deste mês. Segundo o Consórcio Paineiras Corcovado, que administra o local, devido aos estragos provocados pelas chuvas do início de abril, um trecho da Estrada Paineiras que tem trânsito em mão dupla pode ter esquema de “siga e pare”. Na via que liga o Centro de Visitantes Paineiras ao Alto Corcovado, um trecho foi totalmente liberado. Em outro trecho, onde circulam as vans da concessionária, foi adotado também o esquema de meia pista. Problemas estruturais O casal Suely Prudenciato e Luiz Armando, de Lençóis Paulista, reclamou de problemas no funcionamento do elevador e da escada rolante para acesso ao Corcovado. Foi a primeira visita do casal ao monumento, considerado o equipamento brasileiro mais conhecido no mundo. “Com o movimento que tem e o dinheiro que arrecada, não pode ficar sem escada rolante e elevador. Isso tem que ser corrigido. Não se pode dar desculpa do tipo “não se faz porque não tem dinheiro’. Dinheiro tem e não deve ser pouco”. Dificuldades, Luiz Armando afirmou que, quando se chega lá em cima, “é tudo muito bonito”. O casal espera que, quando retornar ao Rio, os problemas já tenham sido resolvidos. Nesta sexta-feira, o enfermeiro paulistano Sérgio Zinetti trouxe pela primeira vez a mãe, Consuelo Real, para visitar o Rio de Janeiro e o Cristo Redentor. “Quando chegamos lá em cima, ela se emocionou, chorou. Foi muito bacana para ela”, disse Zinetti à Agência Brasil. Ele também reclamou do elevador e da escada rolante, que não funcionavam. Ele lembrou a dificuldade de acesso dos idosos, como sua mãe. “A gente foi indo devagarinho, e ela venceu os obstáculos. E deu para curtir.” A guia de turismo Rosana Fátima Fernandes de Souza levou um grupo de 45 pessoas de várias cidades de Santa Catarina para conhecer o Cristo Redentor. A turma reunia moradores de Laguna, Tubarão, Brusque e Lauro Muller, entre outros municípios catarinenses. Rosana, que costuma vir ao Corcovado trazendo turistas pelo menos quatro vezes por ano, disse que estava preocupada com o acesso ao monumento, mas ficou feliz com a liberação da via. “O tempo também ajudou”, complementou. Ingressos As bilheterias voltaram a funcionar às 8h de hoje. São três pontos de embarque nas vans oficiais: na Praça do Lido, em Copacabana, e no Largo do Machado, na zona sul, e no Shopping Città América, na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade. Informações sobre horários de embarque podem ser obtidos no site. (Agência Brasil)
Mais Rio de Janeiro
18/04/2019

São Paulo está a um passo de proibir venda de canudos plásticos

Sustentabilidade

São Paulo está a um passo de proibir venda de canudos plásticos

Vereador Caio Miranda ressalta que o principal da medida é a conscientização da população

A cidade de São Paulo está a um passo de proibir o fornecimento de canudos de plástico em estabelecimentos comerciais, como restaurantes, bares e hotéis e se tornar mais sustentável. Com a aprovação do projeto pela Câmara Municipal na noite de quarta-feira, 18, falta apenas a sansão do prefeito Bruno Covas (PSDB) para que a lei entre em vigor. Em caso de descumprimento, de acordo com a proposta, os estabelecimentos serão inicialmente advertidos. A segunda autuação prevê multa de R$ 1 mil, a terceira, multa no dobro do valor da primeira autuação, e assim sucessivamente até a sexta autuação, que estabelece multa no valor de R$ 8 mil, além do fechamento administrativo. De autoria do vereador Reginaldo Tripoli (PV), o projeto recebeu 32 votos favoráveis. Fernando Holiday (DEM) e Janaína Lima (Novo) votaram contra. Os parlamentares também aprovaram emenda do vereador Caio Miranda (PSB) que estabelece o prazo de 180 dias para a prefeitura regulamentar o projeto e dá um período adicional de 180 dias para que as empresas se adequem. “A principal mudança que conseguimos, através da emenda, foi a ampliação do prazo para a lei entrar em vigor. Você não consegue promover uma mudança dessa escala numa cidade como São Paulo em questão de dias. Então, a gente garante o prazo de um ano para que a lei entre em pleno vigor. Se você fizer uma lei que não dá prazo, é uma lei injusta que vai só gerar multa e não vai gerar o principal que é conscientização”, enfatizou Caio Miranda. No Brasil, cidades litorâneas como Fortaleza, Salvador, Rio de Janeiro, Camboriú (SC), Ilhabela (SP), Santos (SP), Rio Grande (RS) e todo o estado do Rio Grande do Norte já sancionaram leis de proibição dos canudos e de outros plásticos descartáveis. Os estabelecimentos poderão fornecer canudos em papel reciclável, material comestível ou biodegradável, embalados individualmente em envelopes hermeticamente fechados feitos do mesmo material. Uma outra opção para a população é ter consigo um canudo próprio. Já há no comércio os canudos de inox, vidro e bambu. Segundo relatório da ONU sobre o tema publicado em junho de 2018, mais de 90 países já adotaram medidas contra os plásticos de uso único, somando iniciativas do mercado e leis locais. Para se ter uma ideia do problema do plástico – que nunca irá se decompor completamente –, empilhando os canudos consumidos por brasileiros em um ano em um muro de 2,10 metros de altura, seria possível dar uma volta completa na Terra, numa linha de mais de 45 mil km, por exemplo. Segundo artigo publicado na revista científica Science Advances em 2017, o mundo já havia produzido 8.300 milhões de toneladas de plástico até 2015. Do total de resíduos plásticos gerados, estima-se que apenas 12% foram reciclados e 9%, incinerados. Os outros 79% estariam no ambiente — principalmente no mar.
18/04/2019

Veruscka Boechat recebe medalha do Exército em homenagem ao marido

Apesar das críticas

Veruscka Boechat recebe medalha do Exército em homenagem ao marido

O jornalista foi homenageado em cerimônia do Exército brasileiro em São Paulo

O jornalista Ricardo Boechat foi homenageado em uma cerimônia do Exército brasileiro em São Paulo, nesta quinta-feira (18). A esposa do jornalista, Veruscka Seibel Boechat, recebeu da corporação uma medalha em nome do marido. “Receber a medalha do Exército Brasileiro em nome do meu marido é a prova de que mesmo criticando é possível ser respeitado. Pessoas e instituições podem ser diferentes e ainda assim conviver civilizadamente”. Assim como Boechat, outras 70 pessoas foram homenageadas com o Diploma de Colaborador Emérito do Exército ou com medalhas, como foi o caso do jornalista. Veruscka divulgou a foto da cerimônia em seu perfil do Instagram.  E contou que Boechat havia sido comunicado sobre a homenagem, e prontamente respondeu: “O exército vai mesmo me dar uma medalha, general? Eu sou comunista”. Ricardo Boechat morreu no dia 11 de fevereiro, após o helicóptero em que estava cair em um trecho do Rodoanel que dá acesso à rodovia Anhanguera, na zona oeste de São Paulo. O piloto do helicóptero também não resistiu ao acidente.
Mais São Paulo
20/04/2019

‘Lucro’ da Caixa com sorteios da Mega-Sena superou R$1 bilhão este ano

Jogo de azar

‘Lucro’ da Caixa com sorteios da Mega-Sena superou R$1 bilhão este ano

Desde janeiro, arrecadação superou prêmios pagos e garante lucro bilionário

Eleitores do presidente Jair Bolsonaro ainda esperam a abertura da caixa-preta das loterias oficiais. No caso da Mega-Sena, uma das estrelas, há queixas de falta de transparência sobre o destino do dinheiro arrecadado. Só em 2019, após pagar todos os prêmios, sobraram R$1,03 bilhão. A Caixa embolsou 73,5% de tudo que foi apostado este ano, sem se obrigar a detalhar o destino do dinheiro. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder. Este ano foram realizados 33 sorteios e o prêmio máximo, amplamente divulgado para seduzir apostadores, foi pago apenas quatro vezes. Em média, cada sorteio arrecadou R$42,4 milhões e pagou R$11,2 milhões em prêmios. O restante, R$31,2 milhões, é o lucro por sorteio. Ao contrário da maioria dos países, onde se faz festa com a entrega de cheque gigante, o Brasil faz segredo sobre os ganhadores de loteria.
19/04/2019

Itamaraty questiona movimento da Amazon para obter domínio na web

Capital x cultura

Itamaraty questiona movimento da Amazon para obter domínio na web

Ministério reforça preocupação de países da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica

O Itamaraty divulgou nota nesta sexta-feira (18) na qual questionou movimento da empresa de comércio eletrônico Amazon, dos Estados Unidos, para obter um domínio de primeiro nível “.amazon” (a exemplo dos “.com”, “.org” e outros), e Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) expõe preocupações. A companhia entrou com pedido para ter o controle do domínio junto à Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números (Icann, na sigla em inglês), ente responsável pela definição de designação dessas denominações. Na nota, o Ministério das Relações Exteriores argumenta que a medida da empresa “não atende preocupações importantes dos países da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).” O órgão informa que há uma tentativa de países da organização para chegar a uma solução consensual que passe por uma administração partilhada do domínio. Esse modelo de gestão incluiria um comitê gestor entre os países da OTCA e a Amazon para compartilhar responsabilidades na administração do domínio de primeiro nível e a garantia da delegação de domínios de segundo nível a países que sejam importantes para a proteção do patrimônio natural e cultural dos países. No modelo afirmado no comunicado do Itamaraty, seriam garantidos também a não adoção pela Amazon de nomes que possam gerar confusão com questões próprias da região, a obrigação de acordo entre os países da OTCA e a firma para qualquer alteração na administração do domínio de primeiro nível. O esforço de construção de um acordo já vem ocorrendo. A própria corporação (ICANN) teria recomendado que a polêmica fosse resolvida de forma consensual. No comunicado, o governo brasileiro expressa sua preocupação para que o ente considere a posição das nações da OTCA no encaminhamento do tema. “Qualquer decisão que a ICANN venha a tomar deveria levar em conta a sensibilidade política envolvida na atribuição exclusivamente a interesses privados de um nome de domínio indissociavelmente relacionado à identidade de milhões de pessoas. Deveria, também, considerar plenamente o interesse público dos países amazônicos, bem como a necessidade de preservar a governança verdadeiramente multissetorial da internet e reforçar a legitimidade dos mecanismos de gestão de recursos globais da rede”, defende a nota. (Agência Brasil)
19/04/2019

Mesmo após reajuste, preço do diesel manteria defasagem internacional

Mercado global

Mesmo após reajuste, preço do diesel manteria defasagem internacional

Especialistas dizem que reajuste de 4,8% pela Petrobras mantém distância de cotações internacionais

O reajuste de 4,8% no preço do diesel anunciado pela Petrobras nesta quarta (17) não foi suficiente para eliminar a defasagem em relação às cotações internacionais, apontam especialistas no setor. O preço da gasolina, que não é alterado desde o dia 5 de abril, também é inferior ao praticado no mercado global. Segundo a Abicom, associação que reúne as importadoras de combustíveis, a defasagem no preço do diesel era de R$ 0,06 por litro nesta quinta (18). Na quarta, antes do reajuste, era de R$ 0,16 –o reajuste foi de R$ 0,10 por litro. A conta considera o conceito de paridade de importação, que inclui o preço do produto mais os custos para trazê-lo ao país, usado pela estatal em sua política de preços. Segundo o CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura) este indicador teve alta R$ 0,13 por litro no período em que a estatal segurou o preço do diesel. “Apesar da Petrobras continuar afirmando que segue a política de paridade internacional, o aumento informado é incapaz de cobrir a variação da paridade no período”, diz relatório de acompanhamento de preços elaborado pela consultoria. O reajuste ocorreu seis dias depois de recuo da Petrobras em reajuste de 5,7% anunciado no preço do diesel, decisão tomada após telefonema do presidente Jair Bolsonaro (PSL) para o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco. Vendo sinais de intervenção política, o mercado derrubou as ações da estatal no dia seguinte, levando a empresa a perder R$ 32 bilhões em valor de mercado. Nesta quinta (18), as ações preferenciais da Petrobras subiram 3,18%. “A decisão reforça a independência da gestão da Petrobras e soma-se com diversas medidas e iniciativas definidas pela empresa em conjunto com o governo para evitar nova greve dos caminhoneiros”, escreveu Thiago Salomão, da Rico Investimentos. ‘Aumento é positivo’ Para analistas do UBS, o aumento é positivo, mas é preciso esperar o próximo reajuste para confirmar se a Petrobras terá autonomia de fato para definir os preços de acordo com o mercado internacional. Ao contrário da Abicom e do CBIE, o banco avalia que o diesel vendido pela Petrobras está 11,4% acima da paridade de importação. Em entrevista na quarta, o presidente da Petrobras disse que o recuo foi decisão interna e que Bolsonaro lhe garantiu independência. Ele afirmou que “por enquanto” não há planos para mexer na política de preços. Instituída em outubro de 2016, ela teve duas reavaliações: em 2017, a empresa autorizou reajustes diários e, após a paralisação dos caminhoneiros, estendeu o prazo. No caso do diesel, os reajustes respeitam um prazo de 15 dias desde 26 de março. Após a alta desta quinta, o preço nas refinarias da Petrobras foi a R$ 2,2470, o maior nível desde outubro de 2017, quando o combustível era subsidiado por programa federal. Para sexta (19), a estatal decidiu manter inalterados os preços do diesel e da gasolina. Sem reajustes nos últimos 15 dias, o preço da gasolina nas refinarias da estatal está R$ 0,07 por litro, abaixo das cotações internacionais, segundo a Abicom. O CBIE fala entre R$ 0,02 e R$ 0,13, dependendo do ponto de entrega. Nos últimos 30 dias, diz o CBIE, a estatal promoveu dois reajustes, somando R$ 0,11 por litro. Nesse período, a paridade de importação teve alta de R$ 0,18 por litro. “Vale ressaltar que a variação insuficiente foi sobre uma base já defasada”, diz a consultoria. O CBIE alerta que o problema pode ser agravar, já que o preço da gasolina costuma subir neste período do ano, pressionado pelo aumento da demanda com a chegada do outono no hemisfério norte. (Folhapress)

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21/04/2019

Projeto lança laboratório para co-criação em arte, ciência e tecnologias da informação e comunicação

ANILLA CULTURAL

Projeto lança laboratório para co-criação em arte, ciência e tecnologias da informação e comunicação

Laboratório terá sessões de treinamento online com especialistas reconhecidos internacionalmente

Vai até o dia 22 de abril o prazo para participar da chamada aberta para o Co-criação LAB, um projeto de pesquisa da Anilla Cultural Latinoamerica-Europa. A iniciativa é uma proposta de criação coletiva em rede, a partir de uma perspectiva transdisciplinar em Arte, Ciência e Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). O Co-criação LAB consiste em um laboratório com formato distribuído, onde os participantes estarão conectados de diferentes países, regiões e continentes. A ideia é oferecer um ambiente colaborativo para a geração de novas ideias e projetos de forma inovadora, através do suporte das redes acadêmicas a nível local e global. O laboratório terá sessões de treinamento online com especialistas reconhecidos internacionalmente em co-criação, arte, ciência e TIC, sobre ferramentas avançadas de internet, artes cênicas, internet e novas mídias, além de espaço para Artes Performativas. Podem se inscrever todos os interessados, ​​acima de 18 anos, que estudam ou trabalham em áreas relacionadas às artes, ciências, tecnologia e sociedade. O acesso no laboratório é gratuito para todos os participantes, tanto convidados quanto candidatos selecionados, chamados de co-criadores. A chamada aberta também é uma ação para promover a ferramenta LoLa para a América Latina, com o apoio técnico de algumas redes acadêmicas da região. LoLa é um sistema de alta qualidade de aúdio e vídeo para a transmissão de performances e interações musicais, desenvolvido pelo Conservatório de Música Giuseppe Tartini, da Itália, em colaboração com a rede acadêmica italiana GARR. (RNP) Saiba mais no site da Anilla Cultural.    Leia mais sobre Ciência, Tecnologia e Inovação em BRASIL CTI.
21/04/2019

Poluição de Manaus aumenta em até 400% a formação de aerossóis pela floresta amazônica

IMPACTO NO MEIO AMBIENTE

Poluição de Manaus aumenta em até 400% a formação de aerossóis pela floresta amazônica

Fenômeno impacta a produção de nuvens e de chuva, com consequências para o clima local e global

Estudo internacional com a participação de pesquisadores brasileiros descobriu que a poluição urbana vinda de Manaus (AM) aumenta – muito mais do que o esperado – a formação dos aerossóis produzidos pela própria floresta amazônica. De acordo com o artigo publicado na revista Nature Communications, a poluição urbana resulta em um aumento médio de 200%, com picos de até 400%, na formação dos aerossóis orgânicos secundários. O trabalho teve apoio da FAPESP por meio da campanha científica Green Ocean Amazon (GOAmazon) e de um Projeto Temático vinculado ao Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG). O aumento exagerado dos aerossóis produzidos pela floresta tem impacto significativo em fatores importantes para as mudanças climáticas globais, como o balanço radioativo, a produção de nuvens e de chuva, assim como na taxa de fotossíntese das plantas. Em situações em que a poluição urbana não afeta a floresta, os aerossóis orgânicos são produzidos no solo da Amazônia. Porém, como o estudo mostrou, em quantidades muito inferiores. Estudos semelhantes realizados em florestas boreais – que são a base da modelagem climática global – apresentavam aumento de no máximo 60% dos aerossóis orgânicos secundários em florestas impactadas pela poluição de cidades próximas. “Pela primeira vez, conseguimos entender e prever com modelos as concentrações de aerossóis na Amazônia. Já era sabido que os modelos climáticos do hemisfério Norte não se aplicam aos casos da floresta amazônica. Víamos que a conta, baseada nos estudos anteriores, não fechava. Portanto, os resultados dessa nova pesquisa vão trazer maior acuidade aos modelos meteorológicos, assim como à modelagem climática regional e global”, disse Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e um dos autores do artigo. De acordo com Artaxo, o próximo passo é englobar a química dos aerossóis tropicais nos modelos climáticos globais, como os do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU), por exemplo, conseguindo assim prever melhor os ciclos hidrológicos da Amazônia e identificar alterações nos padrões de chuva de toda a região tropical do planeta. Pequena alteração, grande mudança Aerossóis são partículas (sólidas, líquidas ou gasosas) suspensas no ar. Podem ser produzidos naturalmente pela floresta, como partículas primárias, ou secundariamente na atmosfera a partir de precursores gasosos (COV) emitidos pelas florestas (aerossóis orgânicos secundários), por exemplo, ou por atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis. O aumento de até 400% dos aerossóis orgânicos secundários em virtude da pluma de poluição de Manaus tem um impacto muito significativo no ecossistema. Essas partículas são importantes para a transmissão de radiação solar na atmosfera, para a formação e o desenvolvimento de nuvens, produzindo chuva, entre outros efeitos. O grupo de pesquisadores conseguiu observar e medir os compostos que vêm da pluma de poluição manauara, como ozônio (O3), óxidos de nitrogênio (NOx), dióxido de enxofre (SO2) e radicais hidroxila (OH). “Quando surge uma grande quantidade de enxofre e de compostos nitrogenados na atmosfera, vindos como poluição, ocorre uma oxidação muito mais rápida desses vapores orgânicos na floresta. Essa conversão cria muitos aerossóis novos, muito mais do que se teria de maneira puramente natural”, disse Henrique Barbosa, professor do IF-USP e também autor do artigo. No estudo, a equipe internacional de pesquisadores analisou as consequências dessas mudanças tanto do ponto de vista experimental e observacional, quanto utilizando modelagem numérica dos processos atmosféricos. A equipe também simulou matematicamente a formação dessa grande quantidade de aerossóis, identificando os processos associados à sua origem e os mecanismos químicos que faltavam nos modelos usados até então. “A Amazônia é uma região extremamente limpa de poluição. Um minúsculo aumento de compostos nitrogenados, por exemplo, provoca um aumento brutal de aerossóis na floresta. A perturbação causada pela emissão antropogênica é muito violenta e tem impactos em todo o clima da região, no sistema hidrológico, assim como no clima global”, disse Barbosa. Essa alteração tem forte impacto sobretudo na formação das nuvens na Amazônia. “Observamos como, por causa da quantidade de aerossóis ultrafinos nas nuvens, muda a velocidade do ar ascendente. Isso deixa as nuvens mais vigorosas e com mais água precipitável”, disse Barbosa. Fotossíntese A quantidade de aerossóis também influencia fortemente a fotossíntese da floresta, que depende da radiação solar para a fixação de carbono pelo ecossistema. “Percebemos que, até certo ponto, o aumento dos aerossóis secundários torna a fotossíntese mais eficiente. Depois disso, as reações se dão de forma mais lenta”, disse Barbosa. De acordo com o pesquisador, isso acontece por causa da interação dos aerossóis com a radiação solar. Circulando livremente no ar, os aerossóis podem mudar a quantidade de radiação na floresta, seja ela direta (aquela que faz sombra) ou difusa. Na floresta, como a vegetação tem diferentes níveis de altura das folhas, a radiação difusa tem mais facilidade de penetrar na copa e atingir até as folhas mais baixas – sendo, portanto, mais eficiente para a planta fazer a fotossíntese. Já a radiação direta ilumina apenas as camadas mais altas de folhas e, depois de atingi-las, faz a sombra. “Quando há mais aerossol na atmosfera, aumenta a fotossíntese. Porém, se tiver demais, atrapalha. No fim das contas, não importa se aumenta a oferta de radiação difusa. No balanço final, o aerossol acaba diminuindo tanto a luz solar que a planta não consegue fixar muito carbono”, disse Barbosa. Isopreno De acordo com os pesquisadores, o estudo mostrou que as florestas tropicais são muito mais dinâmicas do que se imaginava. “O aumento de aerossóis causado pela poluição é muito maior nas florestas tropicais [400%] do que nas boreais [60%]. Isso se deve aos mecanismos diferentes de emissão e oxidação, além da presença de isopreno apenas nas tropicais”, disse Artaxo. O isopreno é um gás composto orgânico volátil (COV) emitido pelas plantas em florestas tropicais como parte de seu processo metabólico. Ele é emitido em grandes quantidades pela floresta amazônica e tem meia-vida curta na atmosfera, se transformando em partículas de aerossóis. “A transformação do isopreno em partículas é muito acelerada pela presença da poluição de Manaus, particularmente pelas emissões de óxidos de nitrogênio”, disse Artaxo. Nas florestas boreais não há emissão de isopreno, mas de outro COV, o terpeno, e em quantidades muito baixas. Esse gás, no entanto, tem uma química atmosférica completamente diferente da observada no caso do isopreno. “Isso faz com que as emissões de florestas tropicais sejam chave na produção de partículas e também na formação de ozônio, com uma química que era desconhecida antes do experimento GoAmazon. Agora que conhecemos os mecanismos químicos, podemos englobá-los nos modelos climáticos globais, melhorando nosso entendimento do papel das florestas tropicais no clima do planeta”, disse Artaxo. O pesquisador ressalta que o aumento de aerossóis orgânicos secundários não está relacionado apenas com a poluição urbana, como a emitida por veículos. Pode ser resultado de outras atividades geradoras de óxido de nitrogênio, como as queimadas de florestas ou a operação de geradores em cidades pequenas na Amazônia. “Descobrimos que os óxidos de nitrogênio são o elemento catalisador da formação dos aerossóis orgânicos secundários. Se tiver esse composto na poluição, independentemente da causa ou origem, esse processo de intensificação da produção de partículas vai ocorrer”, disse Artaxo. Maior precisão Atualmente, os modelos climáticos usam majoritariamente processos oriundos de estudos realizados no hemisfério Norte e, no caso dos aerossóis orgânicos secundários e seus impactos, não representam a realidade da Amazônia ou das florestas tropicais. Para chegar ao novo modelo, com dados da floresta amazônica, foram usadas medidas feitas em aviões do Departamento de Energia dos Estados Unidos (US-DoE), medidas obtidas em superfície em várias estações amostradoras e um complexo programa de computador que simula a química da atmosfera e a meteorologia em escala regional, possibilitando relacionar meteorologia a processos químicos na atmosfera acima da floresta. Com os dados de todas as reações químicas que ocorrem nesse processo, os pesquisadores conseguiram calibrar um modelo já existente (WRF-Chem), que acopla a dinâmica atmosférica com as complexas reações químicas para simular a dispersão da pluma de poluição e da produção extra de aerossóis pela interação poluição-emissões biogênicas naturais da floresta. O próximo passo é integrar esses processos nos modelos climáticos globais, permitindo aprimorar a previsão de chuva e dos processos de formação de partículas em nível global, melhorando o entendimento do papel das florestas tropicais nas mudanças climáticas globais. O artigo Urban pollution greatly enhances formation of natural aerosols over the Amazon rainforest (doi: 10.1038/s41467-019-08909-4), de Manish Shrivastava, Meinrat O. Andreae, Paulo Artaxo, Henrique M. J. Barbosa, Larry K. Berg, Joel Brito, Joseph Ching, Richard C. Easter, Jiwen Fan, Jerome D. Fast, Zhe Feng, Jose D. Fuentes, Marianne Glasius, Allen H. Goldstein, Eliane Gomes Alves, Helber Gomes, Dasa Gu, Alex Guenther, Shantanu H. Jathar, Saewung Kim, Ying Liu, Sijia Lou, Scot T. Martin, V. Faye McNeill, Adan Medeiros, Suzane S. de Sá, John E. Shilling, Stephen R. Springston, R. A. F. Souza, Joel A. Thornton, Gabriel Isaacman-VanWertz, Lindsay D. Yee, Rita Ynoue, Rahul A. Zaveri, Alla Zelenyuk e Chun Zhao, pode ser lido em www.nature.com/articles/s41467-019-08909-4. (Agência FAPESP) (Leia mais sobre o GOAmazon em: agencia.fapesp.br/29519, agencia.fapesp.br/27044, agencia.fapesp.br/25371, agencia.fapesp.br/24177, agencia.fapesp.br/22366 e agencia.fapesp.br/18691)   Leia mais sobre Ciência, Tecnologia e Inovação em BRASIL CTI.
20/04/2019

Pesquisa identifica “reservatórios” de água em bagaço de cana-de-açúcar

QUASE 50% DE ÁGUA

Pesquisa identifica “reservatórios” de água em bagaço de cana-de-açúcar

A presença de água remanescente no bagaço tem diversas consequências importantes

A Cana-de-açúcar é cultivada em diversos países ao redor do mundo para a produção, principalmente, de açúcar e álcool, obtidos do caldo extraído durante o processo de moagem. O bagaço fresco remanescente é um material rico em celulose e lignina, mas também em água. Mesmo com a extrema eficiência de operações do setor sucroalcoleiro, após todas as etapas de extração do caldo na moenda, o bagaço fresco ainda é composto por quase 50% de água. A presença dessa água remanescente no bagaço tem diversas consequências importantes. A extração do açúcar da cana tem eficiência entre 94 e 98%. O percentual restante permanece preso no bagaço de alguma forma associado à água. Assim, qualquer ganho percentual nesse processo traz um impacto milionário para a indústria Nas usinas, o bagaço é usualmente queimado como combustível para a produção de energia elétrica. Neste processo, a evaporação da água contida no bagaço fresco consome parte do calor gerado e reduz a temperatura de combustão, prejudicando sua eficiência. Além disso, a presença de água, que é fundamental para todos os tipos de mecanismos de degradação biológica, é prejudicial para o armazenamento do bagaço fresco. Por fim, o desperdício de água do bagaço por evaporação, seja no estoque ou na caldeira, é uma importante questão ambiental. Apesar das inúmeras consequências, a localização exata da água remanescente no bagaço fresco permanece um mistério. Assim, Carlos Driemeier, do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), e colaboradores utilizaram as instalações da Linha de Luz IMX de microtomografia de raios X do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) para obter imagens tridimensionais de alta resolução do bagaço, de forma não-invasiva, após o processo de moenda para extração do caldo. O grupo pôde assim visualizar os volumes de água dentro do bagaço, confirmar que as células estão parcialmente cheias de água, e identificar quais tecidos são preferencialmente úmidos ou secos. As células fibrosas que envolvem os vasos do xilema (estrutura que transporta a seiva bruta para as folhas) foram frequentemente encontradas cheias de água. Por outro lado, a maioria dos vasos do xilema e células do parênquima (tecidos de preenchimento das plantas) estavam secos (isto é, cheios de ar). A região da epiderme (parte mais exterior da planta) apresentou comportamento intermediário, mostrando células secas e úmidas em proporções semelhantes. Partículas de impurezas minerais com tamanhos de 88 a 140μm140μm também foram observadas. Eles estavam, na maioria dos casos, aderidos às superfícies externas dos fragmentos de bagaço, com a água presumivelmente contribuindo para a adesão. Segundo os pesquisadores, esses resultados proporcionaram novos insights sobre os fenômenos relacionados à água ocorridos durante a moagem da cana-de-açúcar e indicam novos caminhos para o avanço da tecnologia de processamento da cana-de-açúcar e a valorização do bagaço. (LNLS)   Leia mais sobre Ciência, Tecnologia e Inovação em BRASIL CTI.
20/04/2019

Novo sistema facilita consulta sobre potencial de energia solar

MAPEAMENTO INTERATIVO

Novo sistema facilita consulta sobre potencial de energia solar

O material está organizado por estados e municípios

O acesso aos dados do Atlas Brasileiro de Energia Solar está mais fácil com a nova ferramenta sobre informações de potencial solar desenvolvida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). As consultas podem ser feitas através um mapa interativo com dados em grade na resolução de 10 km, além do download de tabelas, arquivos georreferenciados e projetos para SIG (Sistema de Informação Geográfica), especialmente o QGIS. O material está organizado por estados e municípios. O usuário tem acesso a tabelas com níveis de irradiação mensais para todas as 5.570 cidades brasileiras. Acesse aqui. O sistema atende a uma demanda frequente de usuários dos dados solares produzidos pelo INPE, que sentiam dificuldades em acessar o potencial solar a nível municipal. O recurso foi disponibilizado visando não só a pesquisa em energias renováveis como também aqueles que almejam empreender no setor de energia solar no Brasil. As estimativas de irradiação solar para todo o território nacional obtidas com esse trabalho são fundamentais para alavancar a inserção da energia solar na matriz energética brasileira. O Atlas Brasileiro de Energia Solar foi publicado em agosto de 2017 pelo Laboratório de Modelagem e Estudos de Recursos Renováveis de Energia (LABREN), vinculado ao Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do INPE. Nele foram empregados 17 anos de dados satelitais validados por mais de 500 estações de medição em superfície, contendo análises sobre os níveis de confiança e variabilidade. Seu acesso é público e diversos parceiros têm disponibilizado esta base para consulta, como o SunData/CRESESB, ampliando sua divulgação e se consolidando como a referência no Brasil para informações confiáveis sobre potencial solar. (INPE) Mais informações: http://labren.ccst.inpe.br/atlas_2017.html         Leia mais sobre Ciência, Tecnologia e Inovação em BRASIL CTI.
20/04/2019

Manejo correto garante a qualidade do feijão

TIPICAMENTE BRASILEIRO

Manejo correto garante a qualidade do feijão

Feijão é uma planta bastante sensível e não tão resistente a fatores adversos

O feijão é um alimento tipicamente brasileiro. Seu grão é utilizado como base para vários pratos como sopas e feijoadas, além da tradicional combinação com o arroz. E para que esse grão que está presente na mesa do brasileiro apresente bom padrão de qualidade, a pesquisa agropecuária recomenda ao produtor a adoção do uso das boas práticas culturais. Pois, a época de colheita do feijão, que vai de janeiro até março, é necessário garantir a qualidade desse grão em todas as etapas do processo produtivo, do plantio até o armazenamento. Área adequada de plantio O pesquisador Irajá Antunes explica que como o feijão é uma planta bastante sensível e não tão resistente a fatores adversos, como clima e manejo, é importante que o agricultor esteja atento ao cultivo do feijão. Primeiramente, para cultivos de primavera, aonde são semeadas (agosto-setembro) as principais variedades produzidas no Rio Grande do Sul, o produtor deve escolher a área adequada para o seu plantio. Esse local deve ser protegido e conter a quantidade ideal de água para o desenvolvimento da planta, pois fatores como a possível ocorrência de frentes frias podem afetar a produção. O cultivo de outras espécies como o milho, por exemplo, também pode servir de barreira natural contra os fatores climáticos. Outro fator determinante para o cultivo do feijão são as áreas de solo encharcado, que devem ser evitadas, porque quando se encontra nessa condição muitas vezes o feijão não se desenvolve o suficiente. Consequentemente o ideal é plantar o feijão em uma área com boas condições de drenagem, de maneira que a planta possa vingar sem adversidades. Entretanto, como toda espécie, o feijão precisa de água, principalmente na época de floração e enchimento do grão. O ideal para atender as necessidades do feijão é que, para um ciclo de 2 a 4 meses, houvesse pelo menos 10mm de água por mês. Concorrência entre espécies Em princípio, não pode haver concorrência da planta do feijão com outras espécies até os primeiros 30 dias de plantio do feijão, quando a vagem começa a fechar, já que plantas concorrentes podem impedir o desenvolvimento do feijão. Entretanto, o pesquisador Irajá Antunes explica que esse fator depende do tipo de exploração que o agricultor exerce e conta que quando a produção é realizada para cultivo próprio o produtor pode seguir os princípios agroecológicos (princípio que promove a associação entre diferentes espécies), e então, o feijão não precisaria ter a limpeza que se faz necessária, quando o cultivo é destinado à produção industrial. Colheita e armazenamento É importante que o produtor esteja atento e realize a colheita quando acontece o processo de mudança de cor da vagem, uma vez que não é indicado que o feijão fique muito tempo no campo com as vagens secas. Pois, quando isso ocorre o feijão pode perder o poder germinativo e qualidades nutricionais, além de se tornar mais suscetível ao aparecimento do caruncho-do-feijão, praga que provêm do campo. Logo, se o feijão for colhido cedo, diminui os riscos de ocorrência dessa praga e perda da qualidade. Já durante o armazenamento, segundo Antunes, um aspecto importante que o produtor deve levar em consideração é que o grão deve ser guardado de forma a impedir a entrada de ar. A dica do pesquisador para agricultores que plantam para o cultivo próprio é guardar suas sementes em bombonas ou garrafas pet, que devem ser vedadas de maneira com que não entre ar com o objetivo de conservar o grão e também fazer com que o gorgulho não se desenvolva. Outro fator que garante a qualidade do grão é a escolha da variedade de cultivo, o produtor deve procurar usar uma variedade que seja adaptada para a área e região que ele planta. Essa escolha pode ser feita através de testes, para realizá-los, o produtor pode buscar o auxílio da Embrapa, que junto com a parceira Emater/RS-Ascar ajuda na realização desses testes. “Dependendo da região, se tiver um grupo de agricultores interessados em testar novas variedades, os pesquisadores estão à disposição para que se realizem testes junto com os agricultores”, diz Antunes. Todas essas dicas mostram que do cultivo até a colheita e armazenamento, todas as etapas do processo produtivo são fundamentais e garantem a qualidade desse grão, que está inserido na cultura nacional. (Embrapa)   Leia mais sobre Ciência, Tecnologia e Inovação em BRASIL CTI.
19/04/2019

UFMG inaugura centro de pesquisas em nanotecnologia

PARA GANHAR ESCALA

UFMG inaugura centro de pesquisas em nanotecnologia

Empreendimento reúne plantas-piloto e laboratórios para produção de nanotubos, grafeno, polímeros e cimento nanoestruturado

O desenvolvimento de tecnologias que possibilitem a produção de nanomateriais em larga escala – com preservação das propriedades do produto obtido em laboratório e garantia de viabilidade comercial (diminuição de custos e otimização de processos) – é um dos desafios assumidos pelo Centro de Tecnologia em Nanomateriais e Grafeno (CTNano), cuja sede foi inaugurada na última terça-feira, dia 16, no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-Tec). “O Centro é uma ponte entre a academia e a indústria, que demanda soluções tecnológicas capazes de responder aos crescentes desafios sociais”, define o físico Marcos Pimenta, que coordena o projeto. Essas demandas incluem produção de nanotubos de carbono, grafeno, polímeros em nanoescala e cimento nanoestruturado, caracterização e metrologia para controle de qualidade e elaboração de protocolos de segurança para uso e produção de nanomateriais (leia aqui). Todas as frentes de atuação do CTNano estão na fronteira do conhecimento e podem prover tecnologias para reduzir a importação de produtos de alto valor agregado, que constitui uma das fragilidades da economia brasileira. O prédio de quatro andares abriga uma planta de produção de nanomateriais, além de laboratórios para o trabalho de grupos de pesquisa liderados por nove docentes da UFMG, das áreas de física, química, biologia e engenharia civil. “Não temos aqui uma fábrica, mas plantas-piloto para produção de grafeno e nanotubos de carbono nas quais procuramos dominar o processo de aumento de escala”, explica Marcos Pimenta, que é professor do Departamento de Física e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Nanomateriais de Carbono. O CTNano consegue produzir hoje cerca de um quilograma de nanotubos de carbono por dia, volume utilizado nos experimentos do próprio Centro. “Somos o maior polo de desenvolvimento de tecnologia em grafeno do Brasil”, ressalta o professor. Parcerias A iniciativa, pioneira no país, fruto de arranjo universidade/empresas, conta com apoio do BH-Tec e do Governo do Estado de Minas Gerais e tem financiamentode R$ 36 milhões, não reembolsáveis, oriundo de três fontes: projeto Fundo Tecnológico (Funtec), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Petrobras e empresa InterCement. A construção do prédio e os projetos do CTNano contam com a gestão da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep). O Funtec apoia financeiramente projetos de estímulo ao desenvolvimento tecnológico e à inovação de interesse estratégico para o país. Com a Petrobras, o contrato prevê o desenvolvimento de polímeros avançados que possam ser empregados em explorações em plataformas marítimas. Todas as frentes de atuação do CTNano estão na fronteira do conhecimento e podem prover tecnologias para reduzir a importação de produtos de alto valor agregado, que constitui uma das fragilidades da economia brasileira. Como destaca a professora Glaura Silva, do Departamento de Química, apesar da aparência essencialmente metálica, as plataformas precisam de borrachas, adesivos e outros revestimentos poliméricos de altíssima resistência, como o epóxi e o poliuretano. “O objetivo é melhorar as propriedades mecânicas e térmicas desses polímeros, por causa de solicitações agressivas, em ambientes como a exploração do pré-sal, em que há pressões elevadas e variações muito bruscas de temperatura”, explica Glaura, que coordena essa linha de pesquisa. A parceria com a InterCement viabiliza o desenvolvimento de pesquisas relacionadas à produção de cimento nanoestruturado, tipo de nanocompósito cuja síntese valeu-se de rota inédita e foi patenteada no Brasil e no exterior. Essa linha de pesquisa é coordenada pelos professores Luis Orlando Ladeira, do Departamento de Física, e José Márcio Calixto, do Departamento de Engenharia de Estruturas. Transpondo o abismo Nos contratos de propriedade intelectual estão estabelecidos alguns produtos e a parte que cabe à Universidade e a cada um dos parceiros”, explica Marcos Pimenta, lembrando que o Centro está aberto a novas demandas da indústria, uma vez que os nanomateriais têm diversos tipos de aplicações. “Dentro da grande linha de tecnologia de nanomateriais, temos recursos humanos e infraestrutura para resolver problemas diferentes daqueles que geraram o convênio de criação do CTNano.” O professor comenta que a produção de materiais como grafeno, nanotubos e compósito de polímeros, incorporada ao funcionamento do CTNano, é uma forma de desenvolver plantas de produção para posterior transferência a indústrias. Ele explica que o centro de desenvolvimento de tecnologia lida com duas importantes questões: aumento de escala e viabilidade comercial. A planta-piloto possibilita realização de ensaios de escalonamento, diminuição de custos e otimização de processos, o que pode ocorrer, por exemplo, com substituição de insumos. Pimenta destaca a necessidade de desenvolver tecnologias inovadoras. “Temos de estar preparados para solucionar novos problemas, principalmente porque existe um abismo entre a academia e a indústria – no ambiente acadêmico não se analisa necessariamente custo ou escala, ou se um protótipo está bom. Mas é possível fazer um milhão de itens com o mesmo padrão de qualidade? Buscar respostas para questões como essa é o papel  do CTNano”, exemplifica o professor Marcos Pimenta. (UFMG)   Leia mais sobre Ciência, Tecnologia e Inovação em BRASIL CTI.

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16/04/2019

Saiba quais são os países que cobram visto dos brasileiros e de quem o Brasil cobra

Viagens

Saiba quais são os países que cobram visto dos brasileiros e de quem o Brasil cobra

Viajantes com passaporte brasileiro precisam de visto para entrar em 43 de 199 países

É sempre bom viajar e curtir as férias, mas nem sempre este ato está livre das burocracias necessárias para conhecer um país diferente do nosso. Por isso é sempre bom estar de olho em quais países cobram visto dos brasileiros, e de quem o nosso país cobra. Algumas coisas podem mudar com o Programa de Isenção de Visto, então fique por dentro e confira como pode ficar depois do acordo dos presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump. As informações contidas neste infográfico leva em conta as informações presentes no próprio Itamaraty. Para conferir o infográfico animado, basta clicar no link aqui embaixo: Neon Maps Infogram
14/03/2019

A presença feminina em Câmaras no mundo

Mês das mulheres

A presença feminina em Câmaras no mundo

Desde 2014 o Brasil subiu cerca de 20 posições no Ranking mundial

Neste mês das mulheres aproveitamos para dar uma olhada nas Casas Baixas ou Câmaras pelo mundo afora. Desde 2014 o Brasil subiu cerca de 20 posições no Ranking mundial de mulheres eleitas. Ainda assim, o Brasil está com a posição bem baixa. Para a lista com 193 países classificados em ordem decrescente de porcentagem de mulheres nas Câmaras, basta clicar aqui. Confira abaixo os dados sobre o Brasil e o resto do mundo.
26/02/2019

Saiba como funcionam as regras de transição

Reforma da Previdência

Saiba como funcionam as regras de transição

Por idade mínima, por pontos e por tempo contribuição

Finalmente foi entregue ao Congresso Nacional a proposta de Reforma da Previdência. O texto estabelece pontos como idade mínima e tempo de contribuição. Para saber mais detalhes sobre os principais pontos de mudança da proposta, clique aqui! Mas para quem já está no mercado de trabalho, serão oferecidas regras de transição. Confira abaixo, para entender melhor cada uma delas.
21/02/2019

Reforma da Previdência: proposta ponto a ponto

Reforma da Previdência

Reforma da Previdência: proposta ponto a ponto

Entenda os principais pontos do texto

O governo apresentou nesta quarta-feira (20) a proposta de reforma da Previdência Social, que prevê mudanças como idade mínima para se aposentar de 62 anos, para mulheres, e 65 anos, para os homens, com pelo menos 20 anos de contribuição Você já entendeu quais são as mudanças que podem acontecer? Conheça agora quais são os principais pontos do texto: