Blazer EV, a maior ‘nave’ da história centenária da Chevrolet
Testamos o SUV grande elétrico que entrega tudo que há de bom na marca, mas com um super deslize, o preço
No universo automotivo, entre os entusiastas e apreciadores de qualquer tipo de carro (dos novos aos antigos), uma das expressões mais comuns e utilizadas, seja pelos jovens ou pelos veteranos admiradores das quatro rodas, quando se vê um veículo fora do comum é “nave”.
Quando alguém faz uso da frase “este carro é uma nave”, está querendo dizer que ele é, antes de mais nada, muito bom, mas também que é muito moderno, avançado, ou seja, impressionante. É como se ele fosse tão bom, que seria de “outro mundo”, ou, “uma nave espacial”,
Chevrolet Blazer EV.
Além da qualidade implícita quando se usa essa expressão, pode-se querer dizer também que o veículo é tecnologicamente sofisticado e, possivelmente, veloz e estiloso. Alguns usam também para apontar a beleza, a forma pelo qual ele chama a atenção e pelo tamanho.
O interessante é que, qualquer veículo pode ser chamado assim, desde um superesportivo, como Ferrari, a um SUV off-road, ou, como está na moda, um elétrico. E, hoje, se tem um carro que pode ser chamado de “nave” no Brasil é o novíssimo Chevrolet EV, nosso “Teste da Vez” e um dos carros mais legais que a GM já vendeu por aqui.
Precificação
A marca da gravata errou feio no preço do excelente Blazer EV.
Um super spoiler, como automóvel, o Blazer EV é impecável. O único erro dele está exatamente neste tópico, o preço e que já subiu. Apresentado oficialmente em agosto, ele só teve o valor divulgado em setembro, por salgados R$ 479.000. Agora, ele sai por impressionantes R$ 495.790, um aumento de R$ 16.790 em pouco mais de quatro meses. O difícil é achar um concorrente direto, por conta do preço, potência, porte e autonomia.
Mas há modelos bem parecidos, o que pega mesmo são de luxo como BMW iX2 (R$ 443.950), Mercedes-Benz EQA (R$ 399.900) e EQB (R$ 449.900), Volvo EX40 (R$ 379.950) e EC40 (R$ 384.950) serem bem mais baratos. Até o conterrâneo e bem mais potente Ford Mustang Mach-E (R$ 486 mil) também custa menos. Além disso, BMW iX3 (R$ 519.950) e Porsche Macan (R$ 560 mil) estão praticamente na mesma faixa de preço.
O batismo
Um SUV de nome clássico e estilo bem diferente.
O Blazer merece uma parte contando só a história do nome. Em 1995, logo após o lançamento da S10, a marca apresentou a variação SUV da picape. Rapidamente ele vira sinônimo de status, e também era uma super “nave”, reconhecida pelo visual, porte, capacidade off-road e consumo para lá de exagerado.
Produzido por aqui até 2012, logo veio a segunda geração da S10 e, com ela, o grandão deu lugar a outro modelo, o Trailblazer (que já existia nos Estados Unidos em outra plataforma e ainda existe assim por lá). Ao apresentar um novo SUV grande e totalmente elétrico, a marca decidiu retornar com o clássico nome e, assim, o Blazer está de volta.
Grande e chamativo
A “nave”, é gigante… maior e mais larga que o irmão Trailblazer.
Hoje em dia, com a onda de SUVs que assola o mercado brasileiro e mundial, é raro um representante da categoria se destacar na multidão, coisa que o Blazer faz e muito. Poucos elétricos que já passaram por nossas avaliações chamaram tanta atenção, geraram tantas “quebradas de pescoço” como o americano.
Além do visual diferenciado, o porte também ajuda, afinal, estamos falando de um SUV grande, tipicamente americano. Ele mede imponentes 4.884mm de comprimento, 1mm a mais que o irmão Trailblazer, que é de sete lugares. Na largura, são 80mm de diferença (1.982mm do elétrico). O entre-eixos é brincadeira, são 3.094mm contra 2.845mm. Só na altura ele perde para o 4×4, sendo 194mm mais baixo, com 1.650mm.
Até as rodas contam com um visual diferenciado.
Na parte visual, o utilitário se destaca por linhas esportivas e agressivas. A dianteira conta com uma grande peça em preto brilhante que faz a vez da grade frontal, mas apenas no estilo, dando um ar moderno ao SUV. Os faróis são belamente esculpidos, com filetes luminosos que ligam as duas peças à gravata, logo da marca.
As rodas gigantescas, de 21 polegadas, têm desenho interessante, muito semelhante a de veículos conceitos. As laterais contam com grandes vincos, apontando o lado esportivo e parrudo do SUV. A coluna C, mais larga, e a “invasão” das lanternas (que têm um formato de “T” bem fora do comum) pelas laterais, dão um ar alongado ao utilitário.
Nave espacial
O visual interno tem um quê futurista.
A cabine do Blazer inspira modernidade. O SUV, como todos os novos – ou renovados – modelos da marca (S10, Spin, Trailblazer e Equinox EV e Turbo), conta com o conjunto duplo de telas digitais de mesmo visual, mas bem maiores do que nos irmãos. Nele, os displays são de 17,7 polegadas para a central multimídia e 11 para o painel de instrumentos.
Um ponto interessante, que aproxima o SUV de modelos a combustão, é o console central elevado, onde tem o apoio de braço e o porta-copos. O comum em veículos elétricos é uma área livre, já que não existe uma transmissão ali. Chama a atenção também, as saídas de ar, que remetem a turbinas de jatos e o gigante teto solar panorâmico.
O espaço traseiro é surpreendentemente generoso.
Como um veículo premium, o acabamento é excelente, muito bem-feito, com materiais de alta qualidade, sem qualquer tipo de rebarba ou peças mal encaixadas. É couro por toda a cabine, com bancos, volante e console central com costuras em vermelho e azul. Os assentos ainda contam com detalhes em camurça, que deixa o visual mais esportivo.
Agora, além do estilo e da qualidade dos materiais, o grande diferencial mesmo da cabine é o espaço interno. Os mais de três metros de entre-eixos e quase dois de largura garantem uma área super generosa para todos os ocupantes. Mesmo cinco adultos viajam com conforto e sem aperto. O porta-malas leva bons 436 litros, suficiente para muita bagagem.
Ultraconectado
A chave é quase figurativa e ainda é tão elegante quanto o SUV.
Desde o lançamento, o Blazer EV se mostrou super tecnológico e pudemos comprovar isso com nosso teste. Assim, ele é, de longe, o veículo mais completo nos 100 anos de história da Chevrolet por aqui. A lista de equipamentos conta com o que há de melhor na marca, inclusive, com itens raros de se ver e outros até inéditos em veículos sem ser de luxo.
Entre os itens incomuns, o utilitário vem com bancos traseiros com aquecimento, retrovisor interno com câmera (como na Silverado), ignição automática (basta entrar no veículo com a chave que ele já está ligado e, para desligá-lo, é só sair e fechar as portas), há também partida remota, raro em veículos elétricos, mas que ajuda a climatizar melhor a cabine.
Entre as diversas comodidades, saída de ar para o banco traseiro.
Na parte da comodidade, ele vem também com bancos dianteiros aquecidos, ventilados e com regulagem elétricas, carregador sem fio para smartphones, ar-condicionado dual zone com saída para a traseira, abertura elétrica da tampa do porta-malas com sistema “sem as mãos”, basta se aproximar, ele toca três apitos e abre sozinho, para fechar é só se afastar.
Ele ainda vem com de som premium da Bose, wi-fi embarcado, cinco portas USB, volante aquecido (bom para quem mora ao sul do país), head-up display e a central multimídia com conexão sem fio para smartphones via Android Auto e Apple CarPlay e sistema Google Built-in, com aplicativos nativos que não precisa utilizar um celular para conexão.
A câmera 360º expõe bem a alta qualidade da tela da central.
Na parte da segurança, são oito airbags, alertas com frenagem automática de colisão frontal, de tráfego cruzado traseiro e dianteiro, além de abertura de porta com detecção de ciclista. Estes precisam de um pouco mais de costume para entender como funcionam, mas são muito úteis, principalmente em manobras que alguém passa por trás do veículo.
Ainda entre os itens de segurança, monitoramento de ponto cego, alerta de pressão dos pneus, faróis full LED, frenagem automática, auxiliar de permanência em faixa, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, crepuscular e de chuva, sistema de câmeras 360º (com excelente visualização na tela de 17 polegadas) e freio de estacionamento eletrônico.
Um Blazer econômico
Foram mais de 500 quilômetros com uma carga.
Quem conhece a história do Blazer, o primeiro, nunca imaginou que a palavra “econômico” poderia ser associada a alguma versão do SUV, a não ser que tivesse um “não” antes. Pois o EV tem uma autonomia superinteressante. Durante nosso teste, rodamos mais de impressionantes 500 quilômetros com apenas uma carga.
No total, andamos por 550 quilômetros, sendo que deixamos ele carregando por uma hora em um carregador comum de 4kWh, o que ganhou cerca de 8% de bateria. Falando nela, a autonomia gigante é por conta da capacidade de carga tão grande quanto, de 102kWh.
Com uma autonomia gigente, ele passará pouco tempo plugado na tomada.
Para o carregamento, o SUV tem capacidade de até 22kW em pontos AC (raros de achar) e de 190kW em um DC (hoje, os mais comuns são de 60kW). Em um carregador de alta velocidade, o DC de 60, ele levará cerca de duas horas para ir do zero aos 100%. Mas de 20 a 80%, o tempo cai para cerca de 40 minutos.
Além disso, ele conta com um item comum entre em veículos elétricos, o “One Pedal”, mas no SUV é bem diferente do usual. O sistema, que otimiza a regeneração de energia para a bateria e freia o veículo apenas tirando o pé do acelerador, tem três níveis de calibração. Com tempo e prática, o motorista praticamente não usará mais o pedal do freio.
Forte e confortável
O mais de 300 cavalos elétricos garantem uma condução divertida e segura.
Toda a capacidade da bateria gera energia para o motor elétrico de tração traseira de 347 cavalos e 44,8kgfm de torque. Apesar de não ser um SUV de pegada esportiva, toda essa força e potência garantem uma condução bem divertida e segura. Mesmo pesando quase 2,5 toneladas, ele vai de zero a 100km/h em ótimos 5,8 segundos.
Este número reflete principalmente na aceleração. Como a tração é traseira, basta pisar de leve no acelerador que a força dos quase 45 quilos de torque empurram bem o SUV, dando uma sensação boa de velocidade, o que se traduz também em segurança para realizar manobras, como ultrapassagens, saídas ou retomadas, tudo é feito de forma fácil.
O Blazer é bom de dirigir e super confortável.
Além da boa tocada, por ser largo, ele também garante uma excelente estabilidade em curvas. Elas são feitas de uma forma que a carroceria não rola, com o volante sempre nas mãos do motorista, sem aparentar em momento algum qualquer possibilidade de perda da direção, mesmo em um modelo de tração traseira, que tende a deslizar mais.
Agora, mesmo sendo excelentes, a aceleração e a dirigibilidade não chegam perto da qualidade da suspensão. Mesmo para um veículo tipicamente americano, ele é super confortável. Durante nosso teste, rodamos por vias esburacadas e fora de estrada com cinco pessoas, todos ficaram super aconchegados. O sistema simplesmente não deixa perceber a quantidade de imperfeições no solo do tanto que atua bem.
A opinião do Diário Motor
Chevrolet Blazer EV.
No nosso mercado há veículos dos mais variados tipos. E, hoje em dia, é muito difícil um ser ruim, da mesma forma que é raro algum deixar este que vos escreve – com toda a experiência de centenas de modelos testados – de “queixo caído” e o Blazer é um destes carros singulares. A vontade é levar para casa, mas aí vem o único porém dele, o preço.
Algo que é totalmente culpa da divisão brasileira da marca. Já são quase R$ 500 mil, (lembrando que o imposto de importação ainda está em 18% para elétricos) no SUV, como falamos, mais caro ou na mesma faixa de modelos de luxo. Mas são tantas qualidades, da autonomia aos itens, passando pela dirigibilidade e conforto, que se você estiver pensando em gastar meio milhão em um carro, vá nele, pois mesmo assim, vale muito a compra. Nota: 9,5.
Ficha Técnica
Motor: elétrico
Potência máxima: 347cv
Torque máximo: 44,8kgfm
Autonomia: 481 quilômetros
Direção: elétrica
Suspensão: independente nos dois eixos
Freios: a disco nas quatro rodas
Porta-malas: 436 litros
Dimensões (A x L x C x EE): 1.650 x 1.982 x 4.884 x 3.094mm
Preço: R$ 495.790