Operação Churrascada

PF investiga desembargador de SP suspeito de vender decisões judiciais

Magistrado da área criminal do TJSP não teve nome revelado em ação que cumpre 17 mandados de busca por provas

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Desembargador Ivo de Almeida, do TJSP, é investigado pela PF na Operação Churrascada (Foto: Daniela Smania/TJSP)

O desembargador Ivo de Almeida, da 1ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), está na mira da Operação Churrascada, deflagrada nesta quinta (20) pela Polícia Federal para buscar provas das suspeitas da prática de corrupção com a venda de decisões judiciais. Segundo a PF, os investigados usavam o termo “churrasco” para indicar o dia de plantão judiciário do desembargador, e facilitar o encaminhamento de demandas ao magistrado.

O cerco determinado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em decorrência da Operação Contágio, levou mais 80 policiais federais às ruas para cumprir 17 mandados de busca e apreensão em endereços na capital e no interior paulista. Além Ivo, os outros alvos são dois advogados de Ribeirão Preto, interior paulista. Os investigados tiveram pedidos de prisões negados pelo STJ.

A Operação Contágio foi deflagrada em 2021 pela Polícia Federal em São Paulo, contra uma organização criminosa que desviava recursos da saúde pública.

Ao divulgar a operação, PF não citou o nome do desembargador investigado, que também é suspeito de exigir de assessores a devolução de parte de seus salários, na prática conhecida como “rachadinha”.

Outro lado

Questionado pelo Diário do Poder, o TJSP divulgou o seguinte posicionamento sobre a operação:

“O Tribunal de Justiça de São Paulo, por seu Presidente, informa que não houve prévia comunicação da operação desencadeada no dia de hoje pela Polícia Federal, por ordem do E. Superior Tribunal de Justiça. De qualquer modo, a Presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo cumprirá, incontinenti, as determinações emanadas do E. Superior Tribunal de Justiça e, assim que tiver acesso ao conteúdo do expediente, adotará as providências administrativas cabíveis”

A reportagem ainda se colocou à disposição da assessoria de imprensa do Judiciário de São Paulo, para divulgar eventual manifestação do desembargador investigado.