Flávio vê condenação de Eduardo como vingança de Moraes
Senador que disputará o Planalto critica ministro do STF por julgar caso sendo parte interessada em condenar ex-deputado
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou como “injustiça” e “vingança” do ministro Alexandre de Moraes a condenação imposta ontem (16) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao seu irmão e ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O ex-parlamentar foi sentenciado por crime de coação no curso do processo que condenou seu pai e ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por crimes na “trama golpista”.
Para Flávio, que disputa a Presidência da República, o processo estaria “absolutamente nulo”, porque o ministro Alexandre de Moraes deveria se declarar impedido para julgar o caso, por ter sido a vítima, em tese, das sanções que Eduardo teria conseguido nos Estados Unidos contra envolvidos na ação penal que levou Jair Bolsonaro à condenação a mais de 27 anos de prisão.
Eduardo foi condenado à pena de quatro anos e dois meses de prisão em semiaberto, com perda de cargo escrivão na Polícia Federal e inelegibilidade até 2038. O que, segundo Flávio, seria fruto de vingança de Moraes, por ter sido alvo da Lei Magnitsky, aplicada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ao considerar o ministro como cúmplice de violações dos direitos humanos.
“Em tese ele [Moraes] é a vítima, portanto ele é parte sim. Ele é suspeito para julgar porque é público e notório e virou uma questão pessoal contra o Eduardo Bolsonaro, né? Parece claramente uma vingança contra o Eduardo”, concluiu Flávio Bolsonaro.
A condenação foi por unanimidade dos quatro ministros da Primeira Turma do STF. Além de Moraes, que foi relator do caso, votaram para condenar Eduardo os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
Nulidade formal
O senador defendeu que seu irmão sequer foi citado formalmente, como requisito legal básico, mesmo tendo residência conhecida, que permitiria o rito legal de carta rogatória para que ele fosse intimado e tomasse ciência do processo.
E considerou inadequado alegar que Eduardo estava ciente da tramitação, em razão de ter citado nas redes sociais a ação penal da qual foi réu, porque o ex-deputado saberia apenas do caso por intermédio da imprensa e não teria como saber se era verdade ou não. Além de concluir que Eduardo sequer deveria ser julgado no Supremo Tribunal Federal, porque ser ex-deputado sem foro privilegiado.
“É muito ruim nós continuarmos vivendo no Brasil sobre esse clima de insegurança jurídica em que tudo é instrumentalizado para perseguir aquelas pessoas que você não gosta, né? Isso é muito ruim e não pode mais continuar existindo no Brasil. Então, vamos continuar lutando pelo nosso país. Eduardo, fica firme. Você tá certo, lutando pela liberdade, aí é onde você está. Nós não estamos mais vivendo numa democracia plena. Então, fica firme e se Deus quiser, dias melhores virão”, concluiu Flávio.
O senador ainda parabenizou a Defensoria Pública da União (DPU) por ter feito a defesa do ex-deputado, ainda é que à revelia de Eduardo.
Eduardo está inelegível pelas próximas oito eleições, por ter sido condenado por órgão colegiado por crime contra a administração pública. O prazo da perda de direitos políticos iniciou ontem e se estende até até oito anos após o cumprimento da pena de quatro anos e dois meses.
Assista à reação de Flávio Bolsonaro:
Eduardo Bolsonaro @bolsonarosp foi mais uma vez INJUSTIÇADO! pic.twitter.com/QXGdUdsNt7
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) June 16, 2026