Trump adia ‘tarifaço’ e leva euforia às bolsas; Ibovespa sobe 3,12%
Decisão do presidente americano também derrubou o dólar o Brasil
A decisão do presidente americano Donald Trump de adiar por 90 dias o tarifaço annciado na semana passada provocou forte movimento de recuperação do Ibovespa B3 nesta quarta-feira (9). Trump também determinou alíquota de 10% a todos os parceiros comerciais, à exceção da China. Essa decisão desfez a impressão de que o mundo vivia a ameaça de recessão.
O Ibovespa avançou 3,12%, atingindo 127.796 pontos, ainda afastado da máxima de 128.649 pontos, enquanto a mínima foi de 122.887 pontos.
Houve uma alta generalizada nas ações, com destaque para os papéis de Vale e Petrobras, que conseguiram recuperar parte das perdas acumuladas desde o anúncio do tarifaço na semana passada.
O giro financeiro do índice foi de R$ 27,6 bilhões e de R$ 35 bilhões na B3 (até as 17h15).
Dólar caiu mais de 2,5%
O dólar à vista encerrou a sessão desta quarta-feira em queda, diante do real, superior a 2,5%, em uma sessão marcada pela volatilidade bastante elevada e pelas mudanças no cenário global em termos das tarifas americanas.
Enquanto pela manhã o mau humor com a escalada das tensões comerciais entre Estados Unidos e China levava o dólar para o quarto pregão seguido de valorização frente ao real, na parte da tarde, houve uma reversão, com o anúncio de uma pausa de 90 dias sobre as tarifas recíprocas, com exceção da China.
Nesse movimento brusco, o dólar chegou a bater a mínima de R$ 5,8292 e a encostar na máxima de R$ 6,0961.
Terminadas as negociações, o dólar registrou queda de 2,54%, cotado a R$ 5,8452, enquanto o euro comercial exibiu depreciação forte de 2,72%, a R$ 6,3924.
Pela manhã o real apresentava o segundo pior desempenho, enquanto no fim da sessão, a moeda brasileira tinha uma das cinco melhores performances.
No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, apreciava 0,07%, aos 103,037 pontos.
O maior apetite ao risco fez com que investidores migrassem de divisas seguras (iene japonês e franco suíço) para outras moedas mais arriscadas, o que pode explicar a melhora do DXY.
S&P 500 chegou a subir 9,51%
As bolsas de Nova York operaram no positivo ou próximas à estabilidade desde o início do pregão. Após o anúncio de Trump, as bolsas de Nova York subiram mais de 7%, com o S&P 500 registrando sua maior valorização desde 2008.
No fechamento, o índice Dow Jones subia 7,87%, aos 40.608,45 pontos, enquanto o S&P 500 avançava 9,51%, aos 5.456,80 pontos. O Nasdaq teve a maior valorização do dia, de 12,16%, aos 17.124,97 pontos.
O setor de tecnologia (14,15%) registrava o melhor desempenho nas bolsas desde o início do pregão e disparou após o anúncio de Trump. Dentre os destaques, pode-se mencionar as ações da Tesla (8,59%) e das fabricantes de chips Arm (24,2%) e Nvidia (18,72%).
No setor financeiro (7,59%), os melhores desempenhos foram do J.P. Morgan (7,99%) e do Goldman Sachs (11,82%).
No entanto, na contramão da euforia do mercado, os analistas do Citi apontam que pausar as tarifas recíprocas, excluindo a China, não significa que a economia dos EUA tenha evitado uma desaceleração no crescimento e aumento da inflação, além de que a incerteza no comércio continuará.
“A tarifa base de 10%, as tarifas adicionais de 125% sobre a maioria dos produtos chineses e as tarifas específicas de setores aumentam a taxa efetiva média de tarifa dos EUA em cerca de 21 pontos percentuais em relação ao seu nível no início do ano”, dizem os economistas liderados por Andrew Hollenhorst.