UE defende maior protagonismo europeu na Otan diante de mudanças na relação com os EUA
Kaja Kallas afirma que Europa deixou de ser centro de gravidade de Washington e alerta para riscos de retorno à política de poder
A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que a Otan precisa se tornar mais europeia para preservar sua força, diante das mudanças na relação entre a Europa e os Estados Unidos.
Segundo ela, embora a União Europeia continue buscando laços transatlânticos sólidos e considere os EUA um aliado, o continente precisa se adaptar a novas realidades estratégicas.
De acordo com Kallas, a Europa deixou de ser o principal centro de gravidade da política externa de Washington, e essa transformação não é temporária, mas estrutural. A declaração ocorre em um momento em que líderes europeus tentam se ajustar à abordagem do presidente norte-americano, Donald Trump, em relação ao vínculo transatlântico.
A fala foi feita durante a conferência anual da Agência Europeia de Defesa, em meio a preocupações sobre os rumos da segurança internacional. Kallas alertou para o risco de um retorno à política de poder coercitivo, à lógica de esferas de influência e a um cenário internacional no qual a força passa a prevalecer sobre regras e consensos.