CRISE VENEZUELANA

Oposição acusa regime de manter presos políticos na Venezuela

Mesmo após anúncios oficiais de libertações o chavismo é acusado de esconder dados e seguir com detenções por motivação política

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líder da oposição venezuelana, María Corina Machado. (Foto: Reprodução) (Foto: AP Foto/Jesús Vargas)

A liderança da oposição na Venezuela divulgou nesta terça-feira (13) um comunicado oficial no qual questiona a veracidade e a efetividade das recentes declarações do governo chavista sobre a libertação de presos políticos no país. 

Segundo o documento divulgado pelas forças oposicionistas, o número real de libertações é muito menor do que o anunciado pelo regime, e parte expressiva dos detentos permanece sob custódia do Estado. 

De acordo com as informações divulgadas pelos opositores, o governo venezuelano afirmou recentemente ter libertado 116 presos políticos desde o início de seu programa de solturas. 

No entanto, entidades civis e familiares de detentos afirmam ter conseguido confirmar apenas cerca de 56 liberações verificadas até o início da terça-feira, número que representa uma fração do total estimado de mais de mil pessoas que, segundo a oposição, ainda estão encarceradas por motivos políticos. 

O documento oficial divulgado pela oposição afirma que muitos dos libertados seguem sujeitos a medidas cautelares consideradas abusivas, como restrições à liberdade de movimento, e que não há transparência nem comunicação formal com as famílias, que permanecem sem informações claras sobre a situação dos parentes detidos. 

Famílias de detentos continuam reunidas em frente a centros de detenção aguardando notícias, muitas em condições precárias e sem atendimento adequado. 

Além disso, o comunicado assinado pelos porta-vozes opositores cita casos de mortes de presos políticos sob custódia do Estado, indicando que ao menos oito detentos teriam falecido em consequência de problemas de saúde sem atendimento médico adequado enquanto permaneciam detidos. 

Para a oposição venezuelana, a libertação completa, imediata e verificável de todos os presos políticos é uma condição indispensável para qualquer processo de normalização política no país.

No texto oficial, os líderes oposicionistas afirmaram que não há possibilidade de transição democrática enquanto milhares de cidadãos continuarem encarcerados por motivos que, segundo eles, são de natureza política.

O governo venezuelano, por sua vez, tem mantido uma narrativa oficial segundo a qual as detenções e subsequentes libertações fazem parte de um processo de reconciliação nacional e justiça, sem divulgar listas completas ou dados detalhados sobre os detentos considerados políticos.