JUSTIÇA POLITIZADA

Justiça americana acusa Biden de perseguir ativistas pró-vida

Relatório revela ações direcionadas, penas mais duras e possível uso político do sistema federal

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Joe Biden | Foto: Gage Skidmore / Wikimedia Commons

Um relatório interno do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), divulgado em abril de 2026, aponta que a gestão do ex-presidente Joe Biden utilizou a estrutura federal para agir de forma desproporcional contra ativistas pró-vida. 

O documento, com centenas de páginas, analisa a aplicação da chamada Lei FACE (Freedom of Access to Clinic Entrances) durante o período. 

A legislação, criada em 1994, prevê punições para quem impedir o acesso a clínicas de aborto, mas também abrange a proteção de centros religiosos e instituições pró-vida. 

Segundo o relatório, no entanto, a aplicação teria sido direcionada majoritariamente contra manifestantes contrários ao aborto, enquanto casos envolvendo ataques a centros de apoio à gestação receberam menor atenção. 

O documento também afirma que promotores ligados à gestão do então procurador-geral Merrick Garland adotaram estratégias consideradas agressivas nas investigações. 

Entre os pontos citados estão o monitoramento prolongado de ativistas pró-vida e a colaboração com organizações favoráveis ao aborto para coleta de informações e abertura de processos. 

Outro aspecto destacado é a diferença nas penas solicitadas. 

De acordo com a apuração, promotores teriam pedido, em média, mais que o dobro de tempo de prisão para réus pró-vida em comparação com ativistas pró-aborto. 

Em alguns casos, o relatório menciona ainda retenção de provas e tentativas de excluir jurados por motivos religiosos. 

O material também cita episódios específicos, como o processo contra o ativista católico Mark Houck, que acabou absolvido pela Justiça. 

O caso se tornou símbolo das críticas à condução das investigações durante o período. 

A revisão foi conduzida já sob nova orientação no Departamento de Justiça, após mudanças políticas em Washington. 

Como consequência, promotores envolvidos nas ações analisadas foram afastados, e há possibilidade de encaminhamento de casos para investigação disciplinar ou criminal. 

Integrantes da atual gestão afirmam que o objetivo é evitar o que classificam como “duplo padrão” na aplicação da lei e restaurar a imparcialidade do sistema judicial federal. 

O uso da Lei FACE, especialmente após a reversão do precedente de Roe v. Wade em 2022, intensificou disputas políticas e jurídicas nos Estados Unidos, colocando o tema do aborto no centro do debate institucional e ampliando o embate entre grupos pró-vida e pró-aborto no país.