Japão reinicia maior usina nuclear do mundo e reforça autonomia energética
Reator de Kashiwazaki-Kariwa volta a gerar energia e reduz dependência de combustíveis fósseis
O Japão concluiu a reativação de um dos seus maiores símbolos de poder industrial e soberania energética ao reiniciar oficialmente o reator nº 6 da usina nuclear de Kashiwazaki‑Kariwa, reconhecida como a maior do planeta em capacidade instalada.
A retomada ocorreu na segunda-feira (9) após um período de inatividade que se estendeu por mais de uma década desde o desligamento em massa das centrais nucleares japonesas no rastro do desastre de Fukushima em 2011.
Operada pela Tokyo Electric Power Company (TEPCO), a instalação tem capacidade de geração de cerca de 1.360 megawatts no reator recém‑reativado, e representa um passo concreto na estratégia do país para fortalecer sua matriz energética em um cenário de crescente demanda elétrica e volatilidade nos mercados globais de combustíveis fósseis.
O reinício do funcionamento acontece após uma tentativa anterior em janeiro, que foi interrompida devido a uma falha técnica detectada no sistema de controle das hastes do reator.
Após a identificação e correção do problema, a TEPCO procedeu com os testes finais e liberou a retomada operacional do reator.
Segundo informações oficiais, o reator foi trazido novamente ao modo de geração às 14h no horário local e passará por uma fase de monitoramento e verificação antes de iniciar operações comerciais completas previstas para 18 de março de 2026.
A planta de Kashiwazaki‑Kariwa, localizada na província de Niigata, abriga um conjunto de sete reatores com capacidade total superior a 8 gigawatts, consolidando-se como a maior usina nuclear em termos de potencial de geração do mundo.
Sua reativação é parte central da política energética japonesa para reduzir a dependência de importações de combustíveis fósseis, conter custos de energia e fornecer uma base estável para o crescimento econômico.
O movimento faz parte de um reposicionamento da energia nuclear no panorama doméstico japonês, ampliando a participação de fontes de baixo carbono e reforçando a autonomia energética de Tóquio frente a desafios geopolíticos e pressões sobre cadeias de suprimentos.
Com a reativação do reator nº 6, o país também pavimenta o caminho para que outras unidades da usina (já aprovadas pelos órgãos reguladores) possam ser ligadas ao sistema elétrico nos próximos anos, contribuindo para a consolidação de uma matriz energética diversificada e resiliente.