Governo Milei avança e abre rota bilionária da hidrovia ao livre mercado
Com concessão de 30 anos e receita de US$15 bilhões a Argentina atrai gigantes globais para modernizar o coração logístico da América do Sul e impulsionar o agro regional
O governo do presidente argentino Javier Milei deu início oficial ao processo de concessão à iniciativa privada da Hidrovia Paraná-Paraguai, uma das rotas fluviais mais estratégicas e comercialmente ativas da América do Sul.
A medida reverte a centralização estatal e busca atrair investimentos bilionários de operadores nacionais e internacionais para modernizar o corredor logístico, que é responsável por escoar cerca de 80% das exportações agrícolas da Argentina e por onde também transitam importantes cargas de minério de ferro e grãos do Centro-Oeste brasileiro.
O projeto de desestatização prevê um contrato de concessão de longo prazo, estipulado entre 25 e 30 anos.
A meta prioritária do governo liberal é realizar obras profundas de modernização, ampliação e dragagem permanente do canal para permitir a navegação contínua de navios de grande porte, mesmo em períodos de seca extrema.
Estimativas financeiras apontam que a receita operacional da nova administradora privada poderá alcançar a cifra de US$600 milhões anuais, totalizando um volume de negócios de até US$15 bilhões ao longo do período contratual.
A reestruturação administrativa promovida pela Casa Rosada incluiu a dissolução da antiga Administração Geral de Portos (AGP), órgão público que controlava o trecho.
O modelo desenhado pela gestão Milei prioriza a eficiência do livre mercado, eliminando o custoso aparato burocrático e transferindo integralmente o risco e a operação logística ao setor privado.
O novo formato prevê que as próprias concessionárias fiquem responsáveis pela manutenção técnica e sinalização da via, financiadas por meio de tarifas de pedágio pagas pelos usuários do transporte fluvial.
A abertura internacional do certame gerou uma concorrência intensa entre grandes conglomerados globais de infraestrutura.
Grupos europeus, como a companhia belga Jan De Nul, disputam o controle da hidrovia com outras gigantes do setor logístico americano e regional, incluindo empresas brasileiras como a DTA Engenharia e a Hidrovias do Brasil, que já opera trechos estratégicos do corredor em território nacional.
No plano diplomático e geopolítico, o avanço da concessão envolve tratativas diretas com as nações fronteiriças que compartilham o uso da bacia, como o Brasil, o Paraguai e o Uruguai.
Enquanto o setor produtivo cobra previsibilidade tarifária e o fim de entraves burocráticos alfandegários, a gestão argentina estreita laços técnicos de cooperação e monitoramento logístico junto ao Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos, focando no aumento da segurança institucional e no afastamento de influências estatais externas na infraestrutura estratégica da região.