EUA impõem sanções a brasileiros e empresas ligadas ao PCC em operação
Departamento do Tesouro afirma que rede movimentou milhões em esquema de lavagem e atingiu sistema financeiro internacional
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (1), a imposição de sanções econômicas contra duas pessoas e três empresas brasileiras, sob a alegação de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
As medidas foram divulgadas pelo Departamento do Tesouro norte-americano.
Segundo a autoridade americana, esta é a primeira rodada de sanções após a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais, decisão adotada pela administração dos Estados Unidos em junho de 2026.
As sanções atingem três empresas sediadas no Brasil: Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda e Wave Construções Inteligentes Ltda.
De acordo com o governo norte-americano, as companhias teriam sido utilizadas em supostos esquemas de movimentação e ocultação de recursos ilícitos.
Também foram incluídos na lista de sanções os brasileiros Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.
As autoridades dos Estados Unidos apontam os dois como parte de uma rede suspeita de lavagem de dinheiro associada ao PCC.
De acordo com o Departamento do Tesouro, Victor Shimada seria identificado como um elo entre integrantes da facção no estado da Flórida e operadores financeiros internacionais.
As investigações citadas pelas autoridades indicariam movimentação superior a US$30 milhões em recursos ilícitos, inclusive por meio de operações com criptomoedas.
O governo norte-americano afirma ainda que empresas ligadas a Shimada teriam sido utilizadas para a circulação de valores investigados em diferentes jurisdições, incluindo suspeitas de desvios de recursos no Brasil.
No caso de Stella Stefanie, as autoridades dos Estados Unidos alegam que ela atuava como secretária e intermediária de Shimada, auxiliando na organização, coleta e movimentação de grandes quantias em dinheiro, além de suporte logístico às operações financeiras atribuídas ao grupo.
O Departamento do Tesouro destacou que as sanções têm como objetivo restringir o acesso dos envolvidos ao sistema financeiro internacional e dificultar a atuação de organizações criminosas transnacionais, especialmente no uso de instituições financeiras dos Estados Unidos para movimentação de recursos ilícitos.