REAÇÃO DOS EUA

EUA condena decisão do Brasil e reage ao retorno de suposto espião para Rússia

Governo dos EUA diz que medida favorece interesses de Moscou e critica a liberação de Sergey Cherkasov após o cumprimento da pena

acessibilidade:
Presidente Donald Trump (EUA) - (Foto: The White House/Reprodução)

O governo dos Estados Unidos manifestou forte preocupação com a decisão da Justiça brasileira que abre caminho para o retorno do russo Sergey Vladimirovich Cherkasov à Rússia após o cumprimento de sua pena no Brasil.

Em nota oficial, o Departamento de Estado afirmou que a medida representa um revés nos esforços conjuntos para combater operações de inteligência estrangeira e responsabilizar agentes envolvidos em atividades de espionagem.

Cherkasov foi preso em 2022 ao desembarcar no Brasil depois de ter sua entrada negada na Holanda.

Segundo investigações da Polícia Federal e do FBI, ele teria vivido por mais de uma década utilizando uma identidade brasileira falsa como parte de uma operação de inteligência russa.

No Brasil, acabou condenado por falsidade ideológica e cumpria pena em um presídio federal de Brasília.

Os Estados Unidos sustentam que o russo possui vínculos conhecidos com os serviços de inteligência da Rússia e defendem que o caso extrapola a esfera migratória.

Na avaliação de Washington, permitir que ele retorne ao país de origem enfraquece a cooperação internacional contra ações de espionagem e interfere nos esforços para responsabilizar agentes ligados a governos estrangeiros.

Na manifestação oficial, o Departamento de Estado também pediu que o governo brasileiro reavalie os efeitos da decisão e considere o precedente que poderá ser criado em casos semelhantes.

A administração de Donald Trump reiterou que espera manter a cooperação entre os dois países no enfrentamento de ameaças à segurança internacional e à integridade das instituições democráticas.

O caso de Cherkasov ganhou repercussão internacional porque autoridades americanas afirmam que ele utilizava uma identidade brasileira para facilitar sua atuação no exterior.

A suspeita é de que o agente tentava se infiltrar em instituições internacionais utilizando documentos obtidos de forma fraudulenta.

As investigações conduzidas pela Polícia Federal brasileira e pelo FBI identificaram indícios de uma estrutura voltada à criação de identidades falsas para operações de inteligência russa.

A reação americana ocorre em um momento de atenção às relações entre Brasília e Washington.

Embora o governo brasileiro tenha conduzido o caso dentro dos trâmites legais previstos para a pena cumprida por Cherkasov, a resposta dos Estados Unidos evidencia a importância estratégica atribuída ao episódio pelas autoridades americanas e reforça o interesse de Washington em impedir que suspeitos de espionagem retornem a seus países de origem sem enfrentar outras responsabilizações.