Domingo nas urnas

Peru elege seu 9º presidente em uma década de crise política

Keiko Fujimori concorre contra Roberto Sánchez, após duas renúncias e seis destituições desde 2016

acessibilidade:
Keiko Fujimori e Roberto Sánchez duelam em 2º turno pelo governo peruano. (Fotos: Reprodução/Redes Sociais)

A direitista Keiko Fujimori concorre contra o esquerdista Roberto Sánchez, nas eleições presidenciais do Peru que levam cerca de 27 milhões de eleitores às urnas, neste domingo (7). Quem conquistar a maioria dos votos neste 2º turno será a 9ª pessoa a ocupar o cargo de presidente, em uma década de intensa crise política.

O país enfrentou, desde 2016, duas renúncias e seis destituições presidenciais, em um contexto de ascensão e domínio político do Poder Legislativo do Peru.

Após uma apuração eleitoral de 1º turno que durou um mês, Keiko Fujimori avançou em 1º com 17,1% dos votos, seguida por Roberto Sánchez, que obteve 12,0% dos votos.

Líder do partido Força Popular, Keiko é filha do ex-ditador do Peru Alberto Fujimori (1990-2000) e polariza o embate entre eleitores contrários e favoráveis ao legado de seu pai, que chegou a ser condenado por violar direitos humanos, a exemplo da esterilização forçada de mulheres indígenas, e renunciou em 2000, acusado de corrupção.

O deputado federal Roberto Sánchez também tem um ex-presidente como principal base de apoio, Pedro Castillo, que foi eleito derrotando Keiko em 2021. O aliado de Sánchez também foi condenado a mais de 11 anos de prisão, no ano passado, por crimes em tentativa de golpe com destituição do Congresso, quando presidia o Peru, em 2022. O integrante do partido Juntos pelo Peru promete libertar seu aliado e invalidar a Constituição herdada do fujimorismo.

A votação foi iniciada às 9h e será encerrada às 19h, no horário de Brasília. A apuração total dos votos deve durar semanas. Mas deve haver divulgação dos primeiros resultados nas primeiras horas após o fim da votação.

José Jerí, presidente interino do Peru destituído do cargo. Foto: Captura/Youtube NTN

José Jerí, presidente interino do Peru destituído do cargo em fevereiro de 2026. Foto: Captura/Youtube NTN

Dez anos de crise

Desde o fim do governo de Ollanta Humala, em 2016, nenhum outro presidente concluiu seus mandatos. Mas, assim como Castillo, o ex-presidente está preso em Lima, se envolveu em corrupção com a empreiteira Odebrecht. E, em 2025, foi condenado a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro.

Após Ollanta, os seguintes presidentes governaram o Peru:

  • Pedro Pablo Kuczynski – entre julho de 2016 e março de 2018, quando renunciou;
  • Martín Vizcarra – entre março de 2018 e novembro de 2020, quando foi destituído;
  • Manuel Merino – governou por cinco dias em novembro de 2020, e renunciou;
  • Francisco Sagasti – fez um governo de transição entre novembro de 2020 e julho de 2021;
  • Pedro Castillo – entre julho de 2021 e dezembro de 2022, quando sofreu impeachment e foi preso por tentar golpe;
  • Dina Boluarte – entre dezembro de 2022 e outubro de 2025, quando foi destituída acusada de corrupção e repressão violenta a protestos;
  • José Jerí Oré – entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, quando foi destituído acusado de má conduta funcional e falta de idoneidade.
  • José María Balcázar Zelada – desde fevereiro de 2026 é o atual presidente interino do Peru.

Reportar Erro