QUEDA HISTÓRICA

Wolfsburg sofre rebaixamento inédito após 29 anos de permanência na elite

Derrota dramática para o Paderborn na prorrogação encerra ciclo iniciado em 1997 e mergulha o clube em profunda crise institucional

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(Foto; Reprodução/Instagram/@chriseriksen8).

O capítulo mais amargo da história do VfL Wolfsburg foi escrito nesta segunda-feira (25), pela primeira vez desde o seu acesso à elite em 1997, o clube foi rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Alemão. 

A queda foi selada com uma derrota por 2 a 1 para o SC Paderborn, na partida de volta do playoff de rebaixamento, após um empate sem gols no primeiro jogo.

O Wolfsburg parecia destinado a salvar sua temporada logo nos minutos iniciais, quando Dzenan Pejcinovic abriu o placar aos três minutos de jogo. 

No entanto, o cenário mudou drasticamente aos 14 minutos, quando o defensor Joakim Maehle foi expulso após receber o segundo cartão amarelo. 

Com um jogador a menos, a pressão do Paderborn tornou-se insustentável. 

Bilbija empatou aos 38 minutos do primeiro tempo, o golpe final veio apenas na prorrogação: aos 9 minutos do primeiro tempo extra, Laurin Curda marcou o gol da vitória do Paderborn, garantindo o acesso dos donos da casa e condenando os visitantes ao “desastre total”.

O clima após o apito final era de revolta, o técnico Dieter Hecking não poupou críticas ao árbitro Felix Zwayer, contestando a primeira advertência de Maehle e alegando falta de “tato” na condução do jogo. 

Hecking chegou a descrever a jogada da expulsão como uma “agressão” contra seu jogador que foi ignorada, disparando: “se isso não é agressão… então podemos até desistir”. 

No vestiário, o clima era de luto, com relatos de lágrimas e até uma porta de vidro quebrada pelo desespero dos atletas.

O rebaixamento marca o fim de uma trajetória de 29 temporadas consecutivas na Bundesliga, o Wolfsburg, que já foi uma força temida na Europa, viveu seu auge com o título da Bundesliga em 2009, sob o comando de Felix Magath e a dupla Dzeko e Grafite. 

Em 2015, o clube ainda brilhou ao conquistar a Copa da Alemanha e chegar às quartas de final da Liga dos Campeões, onde chegou a vencer o Real Madrid por 2 a 0 no jogo de ida.

Analistas apontam que a queda não é fruto apenas de uma temporada ruim, mas de um declínio prolongado iniciado com o escândalo “Dieselgate” da Volkswagen em 2015. 

Desde então, a montadora reduziu drasticamente os investimentos no clube, um corte de cerca de 40% em 2017 transformou um time ambicioso em um grupo que lutava apenas pela sobrevivência. 

Atualmente, o grupo Volkswagen enfrenta novas pressões financeiras e anunciou planos de cortar custos em mais 20%. 

Embora a empresa tenha garantido que manterá a estabilidade financeira para a disputa da Bundesliga 2, o orçamento deve ser reduzido de 80 milhões para um patamar inferior.

O rebaixamento deve desencadear uma debandada de estrelas. Jogadores com altos salários, como Christian Eriksen (que recebe cerca de 23,5 milhões de reais anuais), Lovro Majer e Jonas Wind, dificilmente permanecerão para a disputa da segunda divisão. 

O diretor esportivo Pirmin Schwegler terá um verão exaustivo para reconstruir um elenco que, apesar de ser um dos mais caros da liga, foi criticado por ser “falsamente montado” e carecer de identidade. 

Enquanto os torcedores rivais, como os do Colônia, ironizam a queda do “clube de fábrica”, o Wolfsburg agora olha para exemplos como Hamburgo e Schalke 04, temendo que o retorno à elite seja muito mais difícil do que o esperado.