TENSÃO NO PRINCIPADO

Hamilton e Ferrari desafiam o império da Mercedes nas ruas de Mônaco

A proibição inédita do modo reta e o brilho da Scuderia nos treinos prometem o fim da hegemonia da Antonelli no histórico milésimo Grande Prêmio da McLaren

acessibilidade:
(Foto: Reprodução/Instagram/@lewishamilton).

As ruas de Monte Carlo, conhecidas pelo seu glamour e dificuldade técnica extrema, parecem estar preparando o cenário para uma reviravolta na temporada de 2026 da Fórmula 1. 

Após cinco vitórias consecutivas da Mercedes nas etapas iniciais, o GP de Mônaco surgiu como a primeira oportunidade real de a Ferrari desafiar essa hegemonia.

Nos treinos livres realizados nesta sexta-feira (5), a equipe italiana mostrou que o seu projeto de motor, que utiliza um turbo menor, pode ser uma vantagem decisiva em um circuito onde a velocidade final de reta é irrelevante, mas a tração para sair das curvas lentas vale ouro.

Lewis Hamilton brilhou ao liderar a segunda sessão com o tempo de 1min13s026, sendo seguido de perto por seu companheiro Charles Leclerc, o que confirma o forte ritmo da Scuderia no Principado.

O final de semana também é marcado por mudanças técnicas importantes que ajudaram a nivelar a disputa. 

Pela primeira vez na temporada, a FIA decidiu proibir o “Modo Reta”, o sistema de aerodinâmica ativa que reduz o arrasto, por entender que o traçado monegasco não possui trechos seguros ou longos o suficiente para sua ativação.

Além disso, entrou em vigor o modo de motor “Rev 1”, que limita a potência elétrica (MGU-K) a partir dos 200 km/h para evitar que os carros atinjam velocidades perigosas na saída do túnel.

Sem esses recursos tecnológicos que favoreciam a Mercedes em pistas mais rápidas, os pilotos agora dependem mais do equilíbrio mecânico do chassi e do talento puro para evitar os muros, que continuam a poucos centímetros dos pneus.

Apesar da empolgação da torcida, nem todos os pilotos estão satisfeitos com o comportamento da atual geração de carros nestas condições. 

O veterano Fernando Alonso disparou críticas pesadas após as primeiras sessões, afirmando que esta é a “pior geração de carros” que ele já pilotou em Mônaco ao longo de seus mais de 20 anos de carreira. 

O piloto da Aston Martin reclamou especificamente das irregularidades na frenagem do motor causadas pelo sistema de recarga das baterias, chegando a dizer que carros híbridos nem deveriam competir sob essas regras atuais.

Para Alonso, a falta de constância no comportamento do carro torna a pilotagem imprevisível em um lugar que não perdoa erros milimétricos.

No cenário brasileiro, o dia trouxe motivos para otimismo em diferentes categorias.

Na Fórmula 1, o jovem Gabriel Bortoleto teve um desempenho sólido com a Audi, terminando a segunda sessão na nona posição e demonstrando confiança para brigar por pontos, apesar dos conhecidos desafios de confiabilidade da sua equipe.

Já na Fórmula 2, o Brasil celebrou a conquista da pole position por Rafael Câmara, reforçando a boa fase dos talentos nacionais no Principado. 

Como a história de Mônaco mostra que a classificação define grande parte do resultado final, essas posições iniciais são cruciais para as pretensões dos pilotos no domingo.

Por fim, o campeonato chega a esta sexta etapa com Andrea Kimi Antonelli em uma liderança confortável de 131 pontos, após quatro vitórias seguidas que o colocam como o homem a ser batido.

Seu companheiro George Russell tenta se recuperar da frustração do abandono no Canadá, enquanto a McLaren vive um final de semana emocional ao celebrar a marca histórica de 1.000 Grandes Prêmios disputados na categoria, exibindo uma pintura especial para a ocasião.

Com a estratégia de corrida voltada para apenas uma parada, após o abandono da regra experimental de dois pit stops obrigatórios, o foco total agora se volta para o treino classificatório de sábado, onde cada centésimo de segundo pode decidir quem será o rei das ruas em 2026.

Reportar Erro