GUERRA NO FUTEBOL

Ligas europeias e UEFA denunciam FIFA por abuso de poder na Comissão Europeia

Presidente da La Liga pede a saída de Gianni Infantino e o fim do Mundial de Clubes para proteger a saúde dos atletas e a economia das ligas

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(Foto: Reprodução/Instagram/@gianni_infantino).

O cenário do futebol mundial atravessa uma crise institucional sem precedentes, marcada por uma ofensiva jurídica e política liderada por Javier Tebas, presidente da LaLiga, em conjunto com a UEFA e o sindicato global de jogadores FIFPRO Europe.

O cerne do conflito reside na acusação de que a FIFA exerce um “abuso de poder” e conduta anticoncorrencial ao impor unilateralmente o calendário internacional de partidas, sem consultar as ligas nacionais e os próprios atletas.

Esta aliança formalizou uma queixa junto à Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia, alegando que a FIFA utiliza sua posição dual de reguladora e organizadora de torneios para favorecer seus próprios interesses comerciais em detrimento de todo o ecossistema do esporte.

A principal frente de batalha é o novo Mundial de Clubes da FIFA, com formato expandido para 32 equipes, que Tebas exige abertamente que seja cancelado.

O dirigente argumenta que a competição satura um calendário já sobrecarregado, colocando em risco a saúde física e mental dos jogadores de elite, que podem chegar a disputar quase 70 partidas em uma única temporada.

Além disso, há uma forte crítica ao impacto econômico, visto que a injeção massiva de capital em poucos clubes grandes aumentaria o abismo financeiro em relação às equipes menores, ameaçando a sustentabilidade das ligas nacionais e os milhares de empregos que elas sustentam.

As críticas também se estendem à viabilidade financeira dos novos projetos da FIFA, com Tebas apontando o que chama de fracasso comercial do Mundial de Clubes.

Segundo o dirigente, a entidade não conseguiu garantir os patrocínios e a venda de direitos de transmissão nos valores inicialmente orçados, o que tem levado a situações drásticas, como a queda vertiginosa nos preços dos ingressos em semifinais para tentar evitar estádios vazios.

O presidente da LaLiga sustenta que a FIFA está “destruindo a indústria do futebol” e agindo de forma irresponsável ao priorizar eventos de curta duração em vez das competições que mantêm o esporte vivo durante todo o ano.

No campo político, a tensão escalou para pedidos diretos de renúncia do presidente da FIFA, Gianni Infantino.

Tebas classificou o sistema atual da entidade como “podre em seu núcleo” e acusou Infantino de governar apenas para um pequeno grupo, ignorando o impacto de suas decisões no futebol profissional global.

Episódios recentes, como a controversa reversão da suspensão do jogador norte-americano Folarin Balogun após pressões externas, foram citados como exemplos da perda de credibilidade da liderança da FIFA e do uso da política para ofuscar as regras do jogo.

Enquanto a FIFA defende suas mudanças como necessárias para globalizar o esporte e dar mais oportunidades a nações e clubes de fora da elite tradicional, a oposição europeia aguarda um posicionamento das autoridades de Bruxelas.

A UEFA, embora tenha seus próprios interesses, uniu-se ao coro de descontentamento, especialmente após as recentes decisões disciplinares da FIFA que foram vistas como interferências políticas indevidas.

O desfecho desta guerra jurídica na Comissão Europeia poderá forçar uma reestruturação radical na governança do futebol, estabelecendo novos limites ao poder de decisão da FIFA sobre o futuro do esporte mundial.