ANP investiga denúncias de falta e alta no preço do diesel no RS
Produtores relatam cancelamento de entregas durante a colheita; agência afirma que estoques no Estado são suficientes.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou no domingo (8) que abriu investigação sobre denúncias de dificuldade na aquisição de diesel por produtores rurais no Rio Grande do Sul, além de relatos de aumento “injustificado” no preço do combustível.
As queixas foram divulgadas pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), que relatou reclamações de produtores sobre a não entrega de combustível por transportadores revendedores retalhistas (TRRs) nas últimas 48 horas. Segundo a entidade, empresas distribuidoras teriam informado que o problema teria origem nas refinarias, que teriam suspendido a distribuição sem aviso prévio.
A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) também afirmou ter recebido relatos de cancelamento de pedidos e de aumento superior a R$ 1,20 por litro no diesel no Estado. As denúncias ocorrem em um período crítico para o Estado, com o início da colheita de soja e arroz e a fase final da colheita do milho.
Segundo a ANP, contatos feitos com fornecedores ao longo do fim de semana indicam que o RS possui estoques suficientes para garantir o abastecimento regular. A agência destacou que a produção e a entrega de combustível seguem em ritmo normal na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), operada pela Petrobras, principal fornecedora da região.
A ANP afirmou ainda que equipes técnicas estão verificando instalações e operações relevantes no Estado. Distribuidoras serão notificadas para prestar esclarecimentos sobre volumes em estoque, pedidos recebidos e entregas realizadas.
De acordo com a agência reguladora, até o momento não foram identificadas justificativas técnicas ou operacionais que expliquem eventual recusa no fornecimento do produto.
A autarquia acrescentou que possíveis aumentos injustificados de preços também serão apurados em conjunto com órgãos de defesa do consumidor. Na semana passada, a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) informou ter recebido relatos de distribuidoras elevando preços diante da alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada por tensões no Golfo Pérsico.