Coronavírus

Setor automotivo brasileiro tem 63 fábricas paradas, informa Anfavea

Segundo o presidente da entidade, o foco das montadoras é a saúde dos colaboradores

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Ao todo, 63 fábricas automotivas em 40 cidade pelo Brasil estão paradas. Imagem: Anfavea.

Antes da pandemia do coronavírus chegar ao Brasil, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), tinha receio que a crise na China impactasse diretamente a produção de veículos no Brasil. 

Há época, a entidade temia que os fornecedores não conseguissem manter os compromissos firmados. Mas o que surgiu, foi bem pior, as fábricas locais se viram obrigadas a pararem, como em grande parte do mundo.

O vírus chegou com força ao país — mais de 12 mil pessoas já foram infectadas, com mais de 500 mortes confirmadas no Brasil — e os governos, em diversas esferas, se viram obrigados a agir de forma que contágio fosse o menor possível. 

Uma das principais medidas é o isolamento social, que deve permanecer entre o fim de abril e início de maio em diversos estados, podendo ser alteradas a qualquer momento.

Com o isolamento, praticamente toda a cadeia econômica parou e não foi diferente com as montadoras. Desde a terceira semana de março, diversas marcas começaram a informar que iriam paralisar. 

Com isso, atualmente, o país conta com 63 fábricas (automóveis, ônibus, caminhões e máquinas pesadas e agrícolas) paradas em 40 cidades de 10 estados envolvendo 123 mil funcionários diretos e indiretos. A entidade não contabiliza as marcas de motocicletas, que não fazem parte da associação.

Mias de 123 mil funcionários diretos e indiretos foram atingidos pelas paralisações. Imagem: Anfavea.

No momento, segundo a Anfavea, apenas a Volvo em Pederneiras (SP) e a AGCO em Mogi das Cruzes (SP) ainda estão em funcionamento. Com isso, a produção no mês de março despencou, o que acabou derrubando o acumulado do ano também. 

“Temos noção que o segundo trimestre será muito ruim para o setor e a economia no geral. Esperamos ver uma retomada no terceiro, com consolidação do setor no último trimestre”, aponta Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea. 

No início do ano, a Anfavea projetava um aumento de mais de 7% na produção de veículos no Brasil. Por enquanto, a entidade não refez as projeções. “Não pretendemos fazer qualquer reavaliação no momento, pois estamos no meio da crise e ainda não há segurança em afirmar qualquer perspectiva”, aponta Moraes. 

Mesmo sem uma data definida, a associação afirma que as montadoras estão se estruturando para a retomada da produção. “É muito difícil avaliar quando será esse retorno, porque depende totalmente do andamento da crise na saúde. Nossa preocupação hoje é a saúde de todos os colaboradores, por isso, a retomada depende da resolução da crise”. 

Boas ações

A Ford é uma das marcas que está contribuindo com doações.

Enquanto a produção está parada, as montadoras estão agindo para ajudar os governos na luta contra o coronavírus. As ações englobam doações de insumos, como máscaras protetoras feitas em impressoras 3D, alimentos, kits médicos e pulverizadores para higienização e desinfecção de áreas públicas. 

As marcas estão utilizando o know-how na fabricação de veículos para recuperar e produzir respiradores (equipamento primordial para pacientes internados em UTis), em empréstimos de veículos, além de auxiliar na criação de hospitais de campanha. 

Para os clientes, quase todas as marcas ampliaram os prazos para realizar manutenções preventivas necessárias para manter as garantias, que também foram ampliadas. Algumas decidiram até suspender o pagamento de parcelas de veículos financiados pela própria. 

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