Nissan Kait tem espaço interno como trunfo, mas cobra caro demais por isso
Feito na base da primeira geração do Kicks, o SUV supercompacto vai bem na lista de equipamentos, mas além do preço, também peca na motorização
Em 2015, o mercado brasileiro iniciou uma onda que rapidamente se tornou avassaladora, a dos SUVs compactos. Até então, havia apenas dois modelos no país, o Ford Ecosport, lançado em 2003 e o Renault Duster lançado em 2011. Mas para ter ideia, em apenas um ano, quatro representantes da categoria foram apresentados no Brasil.
Logo, o segmento se tornou o queridinho dos brasileiros e, atualmente, o que mais vende no país. Os anos passaram e, agora, o nosso mercado vive uma outra onda de utilitários, dessa vez de supercompactos, ou seja, de SUVs ainda menores. Um deles, lançado no fim do ano passado, é o Nissan Kait, o nosso “Teste da Vez”.
Precificação
A Nissan é mais uma marca a ter um SUV supercompacto.
A versão que testamos pelas ruas de Brasília foi a topo de linha do Kait, a Exclusive. O preço dela, por si só, já assusta, pois sai por sonoros R$ 152.990. Mas o japonês tem um título nada amistoso, o de segundo SUV supercompacto mais caro do mercado brasileiro na atualidade. Apenas o Honda WR-V (R$ 154.000) é mais caro do que ele. Curiosamente, os dois são os únicos que não fazem uso de motores turbinados.
Os demais são todos mais baratos, como Hyundai i20 (R$ 139.990), Chevrolet Sonic (R$ 140.990), Volks Tera (R$ 146.190), Renault Kardian (R$ 146.590) e o “híbrido” Fiat Pulse (R$ 151.490). Ainda temos três modelos compactos, um bem mais barato, o Citroën Basalt (R$ 119.990) e outros dois que custam R$ 7 mil a mais, o GAC GS3 e o elétrico GWM Ora 5, ambos na faixa dos R$ 159.900.
Kicks 2.0
O “Kait” praticamente grita para não dizer que é o Kicks.
Como mencionado, o Kait foi baseado na mesma plataforma da primeira geração do Kicks, que no lançamento da segunda foi rebatizada com o “sobrenome” Play. Logo, ele compartilha diversos pontos com o irmão maior. Mesmo assim, a Nissan adicionou um estilo próprio ao SUV supercompacto, bem diferente do visto atualmente nos modelos da marca.
E ele ainda tem um “plus”, eliminou de vez o estilo “V-Motion”, que guiou a japonesa por muitos anos em praticamente todos os modelos. Assim, a frente do utilitário é a parte mais diferente em relação ao irmão agora aposentado, com conjunto óptico, grade e para-choque com estilo próprios, além de uma cintura mais alta para a dianteira.
De lado, ele é o Kicks Play todinho.
Os faróis afilados e full LED dão um ar mais elegante ao utilitário. Eles são interligados por uma peça contínua em preto brilhante com o logotipo da marca no centro. As luzes de circulação diurna foram posicionadas logo abaixo em uma peça de três linhas nas pontas do para-choque. Esse, por sua vez, tem um estilo mais volumoso, com a grade na parte inferior.
Se a frente é diferenciada, a lateral é onde ele mais se assemelha com o Kicks Play. Portas e colunas são idênticas, a diferença fica por um acabamento listrado na C e pelas rodas. Já a traseira é uma mistura do Kicks atual e anterior, com lanternas em LED interligadas por uma peça em preto brilhante e o nome escrito de forma bem grande centralizado na tampa do porta-malas, meio como se a marca gritasse “esse é o Kait, não o Kicks”.
Espaço é o trunfo
Volante, manopla do câmbio e comandos do ar são idênticos ao do Kicks Play.
Por ser baseado em um SUV compacto, o Kait tem um espaço interno bem mais otimizado, principalmente em relação aos concorrentes. Com 2.620mm de entre-eixos e 432 litros de capacidade no porta-malas, ele leva quatro pessoas com extremo conforto e até cinco sem muito aperto, sem falar na possibilidade de muita bagagem, com a maior capacidade do segmento.
Falando da cabine, ela tem altos e baixos. O visual interno é bem parecido com o de outros modelos da marca, do painel de instrumentos digital com display de sete polegadas ao console central. Volante, comandos do ar e manopla do câmbio são idênticos ao irmão aposentado. A central multimídia é nova, mas não é própria da marca, mas sim da Pioneer.
O espaço é o grande trunfo do Kait.
Os bancos também contam com visual próprio, mesclando acabamento em preto e cinza, com costuras em branco e azul, tanto nos dianteiros, quanto nos traseiros. Falando na parte de trás, ele bem que poderia ter saída de ar para a segunda fila de assentos, conta apenas com duas portas USB do tipo C.
Agora, se o acabamento não conta com nenhum tipo de rebarba ou peça mal encaixada, a qualidade de algumas peças não é das melhores, principalmente do volante. Apesar de ele ser em couro, é de muita má qualidade, áspero e de contato ruim com as mãos. O material é tão grosseiro que incomoda até em viagens mais curtas, imagina em longas.
A obrigação
A lista de equipaemntos tem o que se espera de um modelo deste preço.
O que se espera do segundo modelo mais caro da categoria é, no mínimo, uma boa lista de equipamentos. Ao menos nisso, a Nissan mandou bem. Exclusive topo de linha é bem equipada, com bons itens de conforto e, melhor ainda, de segurança.
Na parte da segurança, o Kait vem com faróis full LED com regulagem de altura, seis airbags, câmera 360° com detector de objetos em movimento, sensores crepuscular e de estacionamento traseiro, monitoramento de pressão dos pneus, auxiliar de partida em rampa, retrovisor interno eletrocrômico e o Nissan Safety Shield, o Adas da japonesa.
O Kait conta com o Nissan Safety Shield, o Adas da japonesa.
O pacote auxiliar de condução conta com alertas de colisão frontal com assistente inteligente de frenagem e detecção de pedestre, de prevenção de mudança de faixa, de tráfego cruzado traseiro e inteligente de atenção do motorista, monitoramento de ponto cego e piloto automático adaptativo, mas sem stop&go.
Na parte da comodidade, ele vem com ar-condicionado digital, banco do motorista com regulagem de altura, chave sensorial, partida por botão, central multimídia com tela de nove polegadas e conexão sem fio com smartphones via Android Auto e Apple CarPlay, carregador de celular por indução, painel de instrumentos digital com tela de sete polegadas, tapete de carpete e bancos, painel e volante com revestimento premium.
Calcanhar de Aquiles
O motor é velho 1.6 aspirado de míseros 113 cavalos.
O espaço interno é maior destaque do Kait, a lista de equipamentos também vai bem. Agora, o conjunto mecânico é o maior deslize do SUV supercompacto. Além de dele ser, junto com o WR-V, o único com apenas motorização aspirada, é o mais fraco da categoria, tanto na questão da cavalaria, quanto do torque, graças ao motor super ultrapassado.
Ele é equipado com o velho conhecido 1.6 aspirado de míseros 113 cavalos e parcos 15,2kgfm de torque, isso quando abastecido com etanol. Com gasolina é mais fraco ainda (110 cavalos e 14,9kgfm de torque). O câmbio também é o mesmo que equipava o Kicks Play, o automático tipo CVT, além de direção elétrica.
A direção, por conta do conjunto mecânico, é bem morosa.
A questão da caixa aspirada não reflete apenas nos números frios, mas também na faixa de potência que o motor gira. Para se ter uma ideia, o Kait alcança o torque máximo em longos 4.000rpm, os rivais turbinados não passam dos 2.000rpm, com alguns alcançando logo em 1.500rpm. Ou seja, a direção é bem mais morosa e lenta do que deveria.
As principais manobras, como saídas, retomadas e ultrapassagens precisam de certa atenção para serem realizadas, principalmente por conta da aceleração vagarosa, que ainda é amplificada por outro ponto, este não exatamente culpa da marca, o câmbio CVT.
O câmbio CVT, como de costume, berra alto.
Esse tipo de caixa, que é de aceleração contínua, aliado a motores aspirados, principalmente à menores como o do Kait, tende a ser ainda mais lenta. Ela faz com que o veículo demore um pouco mais para alcançar a velocidade ideal. E sem falar no tanto que urra no menor dos toques no acelerador, o que também é típico deste tipo de transmissão.
Ao menos, do conjunto mecânico, a suspensão e a direção são bem ajustadas. A primeira absorve bem as inúmeras imperfeições do solo e a segunda garante uma boa manobrabilidade ao SUV e maior facilidade ao estacionar. Outro ponto controverso foi o consumo, que não foi lá essas coisas, ficou na média de 11,2km/l durante nosso teste.
A opinião do Diário Motor
Nissan Kait.
Com a nova onda de SUVs compactos, a Nissan tomou uma decisão até interessante, ao criar um modelo baseado em outro que já existia e, com isso, apostar no fator espaço interno perante os concorrentes. No entanto, a motorização e, principalmente o preço, deixam, e muito, a desejar, mesmo em um mercado de valores exagerados.
Para se ter uma ideia, há rivais na categoria que custam até R$ 12 mil a menos e entregam um conjunto mecânico mais otimizado e uma lista de equipamentos parecida com a do Kait. Com isso, com um conjunto mecânico ultrapassado e preço surrealmente caro, o japonês, também por conta da concorrência, passa longe de ser uma boa opção. Não vale a compra! Nota: 4,5.
Ficha Técnica
Motor: 1.6
Potência máxima: 113cv
Torque máximo: 15,2kgfm
Transmissão: automática CVT
Direção: elétrica
Suspensão: independente na dianteira e eixo de torção na traseira
Freios: a disco na dianteira e tambor na traseira
Porta-malas: 432 litros
Dimensões (A x L x C x EE): 1.611 x 1.760 x 4.119 x 2.620mm
Preço: R$ 152.990