GAC Aion UT é potente, espaçoso e bem equipado, mas falta algo
Conhecemos de perto o mais novo hatch compacto elétrico do mercado brasileiro, que tem vários predicados, mas diversos poréns também
O segmento de veículos elétricos no Brasil segue superaquecido. Até pouco tempo atrás a categoria era voltada basicamente para modelos de luxo (os poucos veículos do tipo pequenos eram tão caros quanto), mas as coisas começaram a mudar com a nova onda de marcas chinesas por aqui.
Se no início – que é bem recente, inclusive –, a “briga” principal das chinesas era com as ditas “marcas tradicionais” por aqui, agora, há um movimento de disputa entre elas também. Em todos os casos, com o aumento da concorrência, quem ganha é o público brasileiro, com cada vez mais um número maior de modelos disponíveis.
A GAC é mais uma marca a apresentar um hatch compacto elétrico.
Neste cenário, de busca por espaço em um dos maiores mercados do mundo, uma categoria que vem crescendo é a de hatches compactos elétricos, considerada de entrada para o universo de modelos totalmente eletrificados. E a mais nova marca a apresentar um representante deste segmento é a GAC, com o Aion UT.
O pequeno, que é da família Aion (na China ela é uma marca própria dentro do grupo GAC, mas por aqui virou uma linha, nos mesmos moldes de GWM com Haval, Ora e outras), chega para buscar espaço principalmente com o BYD Dolphin. Fomos até São Paulo ver de perto os predicados e deslizes dele, que apresentamos agora nestas “Primeiras Impressões”.
Precificação
Ele chega em duas versões, sendo a Elite a topo de linha.
O Aion UT chega ao Brasil em duas versões, a Premium, que custa exagerados R$ 139.990, e a Elite, a topo de linha, que sai por R$ 159.990, e foi a opção que tivemos contato durante o lançamento do modelo em São Paulo.
Os principais rivais são o GWM Ora 03 (R$ 169.000), o Geely EX2 (R$ 136.800), o BYD Dolphin Mini (R$ 119.990) e o Dolphin nas suas três versões completamente diferentes: GS (R$ 149.990), SE (R$ 159.990) e Plus (R$ 184.800). Ainda tem outros dois modelos que concorrem indiretamente, o Chevrolet Spark (R$ 144.990 ) e o MG MG4 (R$ 189.800).
Espaço de sobra
Com generosos 2.750mm de entre-eixos, ele tem espaço de sobra no banco traseiro.
Antes de falar do visual, vamos comentar sobre o tamanho do UT. Como característico da categoria, a medida do entre-eixos é para lá de generosa, com 2.750mm, mesmo ele sendo um hatch compacto de 4.270mm. Mas ainda mais importante para o espaço interno, ele tem ótimos 1.850mm de largura, o que possibilita três adultos com conforto no banco traseiro.
Quem vai atrás, ainda conta com o assoalho plano, típico de veículos elétricos, o que permite uma ótima área para as pernas. Ele ainda vem com saída de ar para a traseira e, a versão topo, com uma mera porta USB e do ultrapassado tipo A. Já o porta-malas tem, como número oficial, 340 litros, mas a impressão é de ser bem menor do que isso.
O porém do interior fica pelo excesso de minimalismo com a falta de botões físicos.
Ainda falando da parte interna. São dois tipos de cor para o acabamento, que pode ser em creme ou totalmente escuro. Os materiais são de boa qualidade e não há nenhuma peça mal encaixada ou com rebarba. O destaque da cabine fica também pela gigante tela da central, de 14,6 polegadas e pelo teto solar panorâmico fixo.
O UT ainda conta com um curioso porta-trecos fechado no vão entre o painel e o console central, que é elevado. No entanto, ele tem aquele minimalismo extremo de outros modelos – nem todos – chineses. Para ajustar os retrovisores são diversos comandos na central multimídia. Coisas que um simples botão resolveria, que deveriam ser intuitivas, praticamente necessitam ter que ler o manual para entender como funcionam.
O porta-malas claramente tem bem menos do que os 340 litros divulgados pela marca.
Na parte externa, o UT foge bem do visual nada ortodoxo dos irmãos maiores, o V, o Y e ES, todos da linha Aion, e ainda mais do GS3 e GS4 e do Hyptec HT. Dentre os totalmente elétricos, ele é mais elegante e as linhas conversam bem, da dianteira à traseira, ambas mais arredondadas, passando pelas laterais de cintura alta.
Ele ainda conta com saias e apliques nas caixas de rodas em preto fosco. O porém do visual da carroceria fica pelas molduras das janelas e das colunas A, B e parte da C, que até são escurecidos, mas não preto brilhante, o daria um charme a mais ao chinês.
Lista otimizada
A lista de equipamentos é bem generosa na Elite.
Um dos destaques do modelo é a lista de equipamentos, uma das mais generosas da categoria. Se a versão de entrada tem seus deslizes, a topo de linha é muito bem equipada. Ela vem com bancos dianteiros ventilados e ajustes elétricos, carregador sem fio para celular, abertura elétrica do porta-malas, teto solar panorâmico fixo.
Ar-condicionado digital com saída para trás, chave sensorial, central multimídia com tela de 14,6 polegadas, conexão sem fio com smartphones via Android Auto ou Apple CarPlay, controle de voz (mas apenas em inglês) e GPS nativo, painel de instrumentos digital de 8,88 polegadas, atualização OTA e partida sem chave.
A tela da central é gigante com quase 15 polegadas.
De segurança, assistente de partida em rampa, câmera 360°, freio de estacionamento eletrônico, auto hold, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, crepuscular e de chuva, monitoramento de pressão dos pneus, conjunto óptico full LED, retrovisores externos retráteis e interno fotocrômico, farol alto inteligente, espelho vigia para bebê e pacote Adas.
O conjunto de auxiliares de condução vem com piloto automático adaptativo e integrado, alertas de abertura de porta, de colisão frontal e traseira, de tráfego cruzado traseiro e de mudança de faixa, assistente de permanência em faixa, frenagem autônoma de emergência e monitoramento de ponto cego.
Cavalos X torque
O motor elétrico gera tração nas rodas dianteiras.
Se a lista de equipamentos do Aion UT chama a atenção, o mesmo vale para o conjunto mecânico elétrico. O motor gera 150kW, exatamente 204 cavalos, um dos mais potentes, se não o mais, da categoria. No entanto, o torque não é tão generoso, são apenas 21,4kgfm. Estes números são traduzidos na prática, na direção.
Durante o breve contato que tivemos com o chinês, pelas ruas engarrafadas de São Paulo, foi possível perceber que o torque falta um pouco, principalmente nas saídas, quando ele é mais utilizado, mas afinal, estamos falando de um veículo de 1.700kg, bem pesado.
O extremamente redondo volante deixa o hatch na mão do motorista.
Já a potência dos 204 cavalos é super otimizada, o que possibilita boas retomadas, acelerações em movimento vigorosas e ultrapassagens com segurança. Andando, ele é até divertido, apesar do volante desproporcional. A questão mesmo são as saídas.
Outro porém do conjunto mecânico é a suspensão, tudo bem que as vias para lá de ruins de nossas cidades não são culpa do carro, mas ele repassa mais do que deveria as imperfeições do solo. E ainda é um pouco molenga, o que faz o carro balançar mais do que deveria, faltou um ajuste mais refinado por parte da marca, ainda mais com nossas pistas.
O isolamento acústico deixa muito a desejar.
Há um outro problema, este bem mais inadmissível, o isolamento acústico. E, claro que não é do cofre do motor para cabine, mas sim do exterior para o interior. Em meio ao caos de ruídos que é o trânsito de São Paulo, a impressão é que havia uma janela levemente aberta, tamanho a quantidade de som que invadia a cabine.
A tração dele é dianteira, o que deixa a direção mais direta, principalmente em manobras rápidas. Sempre na mão do motorista, ele não passa a impressão de sair do trajeto em momento algum. Além disso, a alavanca do câmbio é na coluna de direção, o que otimiza o espaço, e a partida é sem a chave, basta entrar no veículo com a mesma e partir.
Na tomada
A Elite tem capacidade de recarga de até 87kWh.
Como natural de lançamentos, não foi possível medir a autonomia ou o tempo de recarga do modelo. Aqui, apenas os números oficiais. E, no caso do Aion UT, eles não são animadores. A Elite até conta com bateria de tamanho generoso, são 60kWh de capacidade. No entanto, a autonomia oficial não condiz com isso.
Pelos dados do selo Conpet do Inmetro, ele roda apenas 310km – para se ter uma ideia, o EX2 tem menos de 40kWh de bateria e roda quase 300km. Na questão da recarga, ele recebe até 87kW (mas apenas a topo de linha, na Premium são 64kW) em pontos DC, o que possibilita uma recarga de 30% a 80% em 24 minutos. E ele conta com sistema V2L.
A opinião do Diário Motor
GAC Aion UT.
O GAC Aion UT é daqueles veículos que você entra, anda, até acha interessante, mas que percebe faltar algo. Ele tem uma boa lista de equipamentos, um motor potente, um visual agradável e um espaço interno generoso, mas tudo mais do mesmo. Faltou algo realmente diferente ao hatch, para chamar a atenção. Até o preço é mediano, não é o mais barato, mas também não é o mais caro da categoria.
Os poréns também não são poucos, como o excesso de minimalismo, o torque baixo para um veículo de mais de 200 cavalos e que pesa 1.700kg e a autonomia, que deveria ser bem maior. Sem falar na suspensão que faltou um melhor ajuste e no isolamento acústico bem abaixo da média. É fazer o teste e colocar os prós e contras na balança para ver se vale a pena. Por aqui, consideramos que vale o teste com possível compra! Nota: 7.
Ficha Técnica
Motor: elétrico
Potência máxima: 204cv
Torque máximo: 21,4kgfm
Autonomia: 310 quilômetros
Direção: elétrica
Suspensão: independente tipo McPherson na dianteira e barra de torção na traseira
Freios: a disco nas quatro rodas
Porta-malas: 340 litros
Dimensões (A x L x C x EE): 1.575 x 1.850 x 4.270 x 2.750mm
Preço: R$ 159.990