Cores automotivas: branco ainda lidera, mas preto se destaca
Relatório da BASF aponta que houve uma mudança nas pinturas, mas branco, preto, cinza e prata ainda predominam entre os veículos leves
A divisão de tintas da multinacional química BASF apresenta o “Relatório de Cores 2023”. Segundo a alemã, o estudo confirmou a última “Coleção de Tendências de Cores Automotivas”, que indicou que a tradicional paleta de pinturas estava passando por uma transformação mundial.
A empresa afirma que as cores acromáticas (branco, preto, cinza e prata), que sempre foram a base da pintura automotiva, mudaram. O branco ainda se mantém como o mais popular para veículos leves, mas com uma significativa redução na sua participação de mercado, por conta do aumento da popularidade do preto.
O estudo revela também que as escolhas dos consumidores variam em todo o globo. Em alguns locais, a preferência por tons claros de prata em vez de cinza escuro aumentou. Em outras regiões, a mudança é justamente o inverso para tonalidades mais escuras.
Enquanto isso, cores cromáticas permaneceram relativamente estáveis. A participação total no mercado, incluindo tons azul, vermelho, marrom, bege, por exemplo, permaneceu inalterada.
Na América do Sul, historicamente uma região conservadora em relação às cores, teve grande parcela de acromáticas em 2023, 86% dos veículos novos saíram brancos, pretos, prateados ou cinzas, a maior proporção entre todas as regiões.
A proporção de prata também é maior na América do Sul. Com essa fatia de mercado, cada vez mais montadoras estão optando por pigmentos de efeito para fazer com que as cores acromáticas se destaquem, com este tipo de modelo crescendo em relação a 2022.
“As cores não são mais apenas cores. São experiências. Seja uma pérola, um floco de metal ou outro pigmento, os efeitos fazem com que a cor salte do veículo para os olhos de quem vê. Isso dá um toque especial que está se tornando cada vez mais popular”, afirma Marcos Fernandes, diretor de tintas automotivas da BASF na América do Sul.
As acromáticas cresceram 2% na Europa, Oriente Médio e África (EMEA). No entanto, os consumidores mudaram das claras, branco e prata, para as escuras, preto e cinza. Carros de luxo têm mais pigmentos de efeitos do que carros populares e médios.
Na Europa, há gostos específicos de cada país. A Alemanha adora azul (11%), Espanha e Reino Unido preferem vermelho e laranja (9%), França escolhe o verde (6%) e Itália demonstra seu gosto por todas as cores, pois sua participação nas cromáticas é a maior entre todos os cinco países (30%).
“Embora as cores acromáticas ainda sejam as mais populares, cada país parece ter seu lugar favorito no reino cromático. A distribuição de cores diferentes pode ser vista em cada um dos principais países da EMEA e em geral. Nossos clientes, as montadoras, deixaram muito espaço para a individualidade e a criatividade nas concessionárias e os compradores de automóveis estão tirando proveito disso”, aponta Mark Gutjahr, diretor global de design de cores automotivas da BASF.
Assim como a EMEA, as cores acromáticas na América do Norte cresceram 2% no geral. Os consumidores seguiram em uma direção mais clara depois que as montadoras descontinuaram várias cores cinza, frequentemente substituídas por tons de prata.
A América do Norte também teve maior participação de carros vermelhos em comparação com outras regiões em 2023. No entanto, ainda não foi capaz de superar o azul, que lidera a participação no mercado de cores cromáticas.
“Estamos vivenciando a mesma mudança que está acontecendo em outras regiões. A antiga paleta de cores habitual já não se aplica. Os tons mais claros estão ficando mais populares, enquanto o prata ganha espaço do cinza. Cada vez mais escolhas têm pigmentos de efeito que lhes conferem mais intensidade e entusiasmo”, conta Elizabeth M. Hoffmann, responsável pelo design de cores da BASF para a América do Norte
Mantendo a posição de liderança na nova paleta de cores automotivas, a participação das cromáticas na região Ásia-Pacífico aumentou ligeiramente em comparação com 2022. As cores naturais aumentaram, especialmente o verde. Os tons claros se tornaram mais populares, principalmente cinza e prata.
Parte do motivo pelo qual a Ásia-Pacífico é mais diversificada em termos de cores é a grande variação de tipos de veículos. Pinturas mais diversas podem ser vistas nos carros elétricos, especialmente com mais influência do verde e do roxo.
“À medida que surgem veículos mais diversos, é natural também uma paleta de cores mais diversificada. Os novos fabricantes de automóveis, que produzem carros na Ásia, procuram algo além do habitual. Querem algo ousado, criativo e que se destaque nos novos designs, afinal, os jovens preferem essas pinturas”, diz Chiharu Matsuhara, diretora de design de cores automotivas da BASF para a região Ásia-Pacífico.