Com preço de elétrico, Peugeot 208 GT Hybrid não é tão interessante como deveria
Testamos o hatch francês que mantém a ótima dirigibilidade, está mais econômico com o sistema híbrido leve de 12V, mas cobra absurdamente caro por tudo isso
Nos últimos anos, poucos modelos mudaram tanto sem necessariamente trocar de geração, quanto o Peugeot 208. A linha temporal do hatch compacto é bem curiosa. Primeiro, veio a decisão da marca em apresentar uma nova geração em vez de seguir com a troca de nome como ela fazia até então (tivemos o 205, depois o 206, 207, o primeiro 208).
Em vez de lançar o 209 (a decisão foi para toda a linha, não apenas para o hatch), a marca resolveu apresentar a segunda geração do 208, que chegou por aqui em 2020, ainda sob comando do grupo PSA, o Peugeot Citroën. Na época, as versões topo de linha eram equipadas com o motor 1.6 aspirado aliado ao câmbio automático de seis velocidades.
No entanto, em 2021 a PSA se fundiu com a FCA (Fiat Chrysler) criando a Stellantis, o que gerou inúmeras convergências dentro de todas as marcas do novo grupo. Com isso, em 2023, o 208 ganhou a reconhecida motorização T200 desenvolvida pela Fiat, que alinha o motor 1.0 turbo ao câmbio automático CVT.
Em setembro de 2024, veio o facelift de meio de vida, o que basicamente alterou o visual externo do modelo. Cerca de um ano depois, no fim de 2025, mais uma novidade, a marca adotou o sistema Bio Hybrid e o 208 passou a contar com o sistema eletrificado MHEV, o híbrido leve, de 12V, aliado ao mesmo conjunto T200 e que é o nosso “Teste da Vez”.
Precificação
O hatch já passou por diversas mudanças, mas a pior é a no preço.
A versão GT Hybrid assume como a topo de linha do hatch francês. E, ao contrário da anterior, que até tinha um preço competitivo perante os rivais, é bem cara, sai por absurdos R$ 132.990. Para se ter uma ideia, ele custa bem mais do que o elétrico BYD Dolphin Mini (R$ 119.990), além de superar Hyundai HB20 (R$ 132.490), Chevrolet Onix (R$ 121.190), Fiat Argo (R$ 111.990) e Citroën C3 You (R$ 109.590).
Apenas Volkswagen Polo (R$ 138.690) e o ainda mais surrealmente caro Honda City Hatchback (R$ 155.300) são mais caros do que o francês entre os hatchs compactos. Isso sem contar, claro, outros modelos elétricos, como o Geely EX2 (R$ 136.800), BYD Dolphin SE (R$ 149.990) e GAC Aion UT (R$ 159.990), e todos nas versões topo de linha.
Sem alteração
O visual externo é o mesmo visto desde o facelift.
Assim como ocorreu nos primos Fiat Pulse e Fastback, o 208 passou apenas pela mudança na motorização, sem qualquer alteração visual. Até porque, ele foi modificado há pouco tempo, passou pelo facelift de meio de vida da geração em setembro de 2024. Dessa forma, ele mantém as “garras de leão” – que substituíram os “dentes de sabre” na atualização.
Elas fazem a vez da luz de circulação diurna em LED, como outros modelos da marca mundo afora. O DRL conta com três barras em vez de apenas uma, assim como as lanternas, imitando as garras de um leão. A grade frontal tem acabamento em preto brilhante e as rodas lembram o logo do Homem-Aranha.
O interior não tem nenhuma novidade.
O interior também não foi alterado, até as costuras em verde limão foram mantidas. Assim como a tela da central multimídia, que continua com um excesso de bordas. Ele mantém os clássicos botões estilo teclas de piano, o volante de base dupla achatada (que tem posicionamento meio estranho, principalmente para motoristas mais altos) e o teto panorâmico fixo.
A GT mantém também a pegada mais esportiva. A cabine tem acabamento escurecido inclusive no teto e colunas A e B. Se o visual é o mesmo, o tamanho não mudou. Ele segue sendo um dos modelos mais apertados da categoria, onde até mesmo quatro adultos precisam de um certo ajuste para não ficar muito desconfortável. O porta-malas também não é dos melhores, leva apenas 265 litros.
Podia ser melhor
Os itens de série são honestos, mas poderiam ser melhores.
Se quando ele custava cerca de R$ 120 mil a lista de equipamentos já não se mostrava suficiente pelo valor cobrado, imagina agora que ele custa R$ 133 mil? A lista de equipamentos é até bem honesta, mas ao analisar o valor pedido pela marca, faltam alguns itens, ou melhorias dos já presentes.
De série, ele vem com ar-condicionado digital, o teto solar panorâmico fixo, central multimídia de 10,1 polegadas com conexão sem fio via Android Auto e Apple CarPlay, carregamento do smartphone por indução, painel de instrumentos digital com visualização 3D e chave sensorial com comando de abertura e fechamento das portas por aproximação.
O piloto é apenas automático, náo é adaptativo.
Na parte da segurança, ele vem com auxiliar de partida em rampa, faróis full LED, alerta de colisão, frenagem automática de emergência, assistência de manutenção de faixa, câmera de ré com imagem 180°, seis airbags, piloto automático e sensores de estacionamento traseiro e crepuscular.
Por R$ 133 mil e mais caro do que os principais rivais, a GT deveria vir, no mínimo, com ar-condicionado dual zone e saída para a traseira, piloto automático adaptativo, sensor de estacionamento dianteiro, monitoramento de ponto cego, a câmera poderia ser 360º e não 180º, freio de estacionamento eletrônico e retrovisor eletrocrômico.
“Híbrido”
Assim como foi o motort T200, o sistema MHEV estreia na Peugeot pelo francês do grupo.
Junto com o irmão 2008, o 208 foi o primeiro modelo fora da Fiat dentro da Stellantis a receber o sistema Bio Hybrid aliado ao conjunto mecânico T200. O motor em si segue o mesmo, com 130 cavalos e 20,4kgfm de torque e aliado à transmissão automática tipo CVT, direção elétrica e, agora, ao sistema híbrido leve de 12V.
Um ponto importante é que, mesmo com a eletrificação – bem leve, diga-se –, os principais predicados do pequeno “leão” ao volante permanecem iguais, mantendo o foco na direção apimentada. Ele segue divertidíssimo de dirigir, até porque, tirando o auxílio do sistema elétrico – que no caso do MHEV funciona mais como motor de partida e alternador eletrificado –, tudo foi mantido da forma que era no conjunto mecânico.
O hatch compacto permanece divertidíssimo à direção.
Um exemplo é o modo “Sport”, que apesar de permanecer mal posicionado – o botão não é tão visível, pois fica meio escondido do lado esquerdo do painel, atrás do volante –, ao ativá-lo, o 208 fica ainda mais esperto e divertido de dirigir. O ponto alto é que, com isso, a dirigibilidade também é bem segura, com manobras como ultrapassagens, saídas e retomadas de velocidade feitas com extrema facilidade e segurança.
O sistema MHEV não alterou a forma de dirigir do 208, ele segue igual, com um bom casamento entre o motor e o câmbio, que, mesmo CVT, se mostra bem acertado. É comum este tipo de transmissão deixar os veículos monótonos, de tocada nada esperta, mas isso não acontece no francês. Ele acelera bem, com vigor e ganha velocidade facilmente.
O câmio CVT atua bem em conjunto com o motor T200.
Como citamos, tanto as ultrapassagens quanto as retomadas são feitas com extrema facilidade, sem contar as saídas em velocidade. O hatch mantém a condução ágil, esperta e prazerosa. O isolamento acústico e o trabalho da suspensão (que não repassa as inúmeras imperfeições do solo para a cabine) também são pontos positivos dele.
O consumo é ponto de discordância. Longe de ter sido ruim, pelo contrário, ele marcou 12,5km/l durante nosso teste, acima dos 12,1km/l da versão anterior. Mas abaixo dos 13km/l que a marca divulga oficialmente. O que mostra, mais uma vez, que o sistema MHEV de 12V não melhora o gasto com gasolina como deveria.
A opinião do Diário Motor
Peugeot 208 GT Hybrid.
O 208 GT Hybrid tem um grande porém e nem é o fato do sistema MHEV não ser considerado um híbrido de verdade, mas sim o preço. Por quase R$ 133 mil, o hatch é um dos mais caros da categoria e supera até rivais totalmente eletrificados. Nem o acertado conjunto mecânico, que já era bom antes da eletrificação, faz jus a um valor tão elevado.
Ele é até divertido de dirigir, com uma dinâmica boa de direção. Mas ainda pesa contra uma lista de equipamentos que deveria ser melhor, principalmente pelo valor cobrado. O espaço interno é o mesmo já conhecido, um dos menores da categoria. Com isso, o fator preço pesa muito, logo, ele não vale a compra! Nota: 4,5.
Ficha Técnica
Motor: 1.0 turbo MHEV
Potência máxima: 130cv
Torque máximo: 20,4kgfm
Transmissão: automática CVT
Direção: elétrica
Suspensão: independente na dianteira e travessa deformável na traseira
Freios: a disco na dianteira e tambor na traseira
Porta-malas: 265 litros
Dimensões (A x L x C x EE): 1.453 x 1.960 x 4.055 x 2.538mm
Preço: R$ 132.990