Apesar de ainda caro, redução de preço faz GM Tracker ser mais condizente
Testamos uma das versões topo de linha do SUV compacto, que caiu quase R$ 15 mil no valor final e passa a fazer um pouco mais de sentido
O boom de montadoras chinesas que estamos presenciando no Brasil traz vários aspectos positivos ao mercado nacional. A principal delas é a maior concorrência. Com marcas trazendo produtos mais modernos e por preços mais condizentes, as que já estavam aqui se viram “obrigadas” a se movimentar em alguma direção. Uma delas foi a Chevrolet.
A marca da gravata vem apostando em diversas linhas para tentar fazer frente à invasão chinesa – uma delas é, inclusive, trazer modelos oriundos do país asiático como Spark e Captiva. Outra é na redução de preços, como a vista no Tracker, o nosso “Teste da Vez”.
Precificação
Do lançamento do facelift para cá, realizado em julho, a Chevrolet percebeu o equívoco que fez sobre o preço do Tracker e resolveu ajustar o valor. A Premier, uma das topo de linha (a outra é a RS) por exemplo, saiu de R$ 189.950 para R$ 174.990. A redução foi boa, mas deveria ter sido maior. Pelo menos, agora, em relação à precificação, ele faz um pouco mais de sentido perante os rivais.
Assim, Honda HR-V (R$ 209.900), Hyundai Creta (R$ 199.590), Nissan Kicks (R$ 199.000), Volkswagen T-Cross (R$ 198.490) e Renault Duster (R$ 176.990) são mais caros do que o Tracker Premier, enquanto Fiat Fastback (R$ 173.490), Jeep Renegade (R$ 172.590), Peugeot 2008 (R$ 159.990) e Caoa Chery Tiggo 5 (R$ 159.990), custam menos.
Longevo
O visual dianteiro foi levemente atualizado.
Apesar de alguns hiatos, o Tracker é o segundo modelo há mais tempo, atualmente, comercializado pela Chevrolet no Brasil. Tecnicamente, ele chegou por aqui em 2001 baseado no Suzuki Grand Vitara – era o mesmo modelo com a gravata no lugar do “S”. Após um pequeno intervalo, voltou em 2013 completamente reformulado.
O SUV compacto está na terceira geração, tendo passado pelo facelift de meio de vida recentemente, mas ao contrário da segunda, foi uma atualização bem mais discreta. Na anterior, as mudanças foram drásticas, trocando do visual à motorização.
Atrás, a novidade é basicamente as lanternas trasparentes.
Desta vez, as mudanças focaram a dianteira, principalmente na grade frontal, que está alinhada aos demais SUVs da marca. Bipartida, a parte superior interliga a luz de circulação diurna (que mudou de posição) e os faróis conversam melhor com a parte de baixo da peça. Atrás, as lanternas passam a contar com lente de cristal, ou seja, estão mais transparentes.
Por dentro, basicamente apenas as telas foram modificadas. O Tracker, assim como o resto da família de compactos da marca, finalmente recebeu um painel de instrumentos 100% digital. Mas como no Onix, e ao contrário de outros irmãos, nele, a peça não é exatamente ligada ao display da central multimídia (que mudou de formato e agora tem 11 polegadas).
Por dentro, bancos redesenhados e acabamento em preto e marrom.
Além das telas, a Chevrolet modificou o estilo do acabamento interno do Tracker. Na Premier, a marca decidiu misturar tons de marrom claro com preto, vistos nos bancos (que foram redesenhados também), painel e portas. No mais, ele se mantém igual, volante, manoplas do câmbio e freio de estacionamento e comando do ar-condicionado estão iguais.
O acabamento permanece bem-feito, sem qualquer rebarba ou peça mal encaixada. Ele podia ter ganho saída de ar para a traseira, mas continua sem. Como o tamanho não foi alterado, o espaço interno continua condizente da categoria, leva quatro adultos com conforto e um quinto gera aperto desnecessário. O porta-malas mantém os 393 litros.
Poderia ser melhor
As principais novidades, tanto no visual, quanto como iten de série, são as telas digitais.
Com o reajuste do preço, apesar de ainda caro, o Tracker fica mais equilibrado entre o cobrado e o que entrega em relação aos equipamentos. Como de costume, a opção topo de linha conta com nenhum opcional, mas apesar dos bons itens de série, a lista poderia – deveria – ser um pouco melhor.
Na parte da segurança, ele vem com seis airbags, alerta de colisão frontal com frenagem de emergência em baixa velocidade, faróis em LED, monitoramentos de ponto cego e de pressão dos pneus, controles de tração e estabilidade, indicador de distância do veículo da frente, assistente de partida em rampa, câmera de ré, retrovisor eletrocrômico.
Entre os itens de série, teto solar panorâmico.
Completam a lista, sensores de estacionamento dianteiros, laterais e traseiros, crepuscular e de chuva, piloto automático (que não é adaptativo) e sistema OnStar com conectividade via aplicativo. Ele poderia vir com freio de estacionamento eletrônico e algum auxiliar de condução, como o ACC assistente de permanência em faixa, no mínimo.
De comodidade, ar-condicionado digital automático (mas de apenas uma zona), carregador sem fio, chave sensorial, partida por botão, sistema de estacionamento automático, painel de instrumentos digital de oito polegadas, central multimídia de 11 polegadas com conexão sem fio para smartphones e teto solar elétrico panorâmico.
Otimizado
O motor do SUV foi levemente atualizado na linha 2025.
Ao contrário do facelift da segunda geração, neste, a Chevrolet não mexeu no conjunto mecânico do Tracker. Tecnicamente, a motorização continua a mesma, com a Premier utilizando o propulsor 1.2 turbo. No entanto, desde a linha 2025, ele está um pouco mais forte, gerando 141 cavalos e 22,9kgfm de torque, quando abastecido com etanol, com gasolina os números ficam em 139 cavalos e 22,4kgfm. No mais, tudo igual.
O câmbio é o mesmo automático de seis velocidades sem opção de troca no volante (algo comum na marca, há possibilidade por um botão mal posicionado na própria alavanca), aliado a direção elétrica, freios a disco apenas na dianteira (atrás é a tambor) e suspensão independente tipo McPherson na frente e semi independente com eixo de torção na traseira.
Apesar de não ser o mais potente, o Tracker vai bem na direção.
Aqui, temos dois poréns. O primeiro é em relação às versões topo de linha dos rivais, o Tracker só é mais forte do que Kicks e o 2008, porque eles utilizam motor 1.0 turbo até mesmo nas opções mais completas. No mais, ele é mais fraco do que todo o resto. O outro é que, mesmo assim, ele anda bem, de forma otimizada, mesmo sem auxiliares Adas.
É na direção que o Tracker se mostra bem. Ele se comporta de forma otimizada, realizando manobras como ultrapassagens, saídas e retomadas de velocidade sem dificuldade e com segurança. Claro que ele não tem uma tocada esportiva, longe disso, mas atua muito bem.
O câmbio automático trabalha bem, sem trancos nas trocas.
O conjunto mecânico, no geral, é bem otimizado, da direção elétrica precisa, a suspensão confortável, que não repassa as inúmeras imperfeições do solo para a cabine. O câmbio automático faz as trocas sem trancos. No geral, neste quesito, a Chevrolet acertou a mão.
Claro que ele poderia ser mais potente, mas ainda assim é esperto, tem uma dirigibilidade otimizada, com conforto e segurança, e que poderia ser ainda mais se contasse com auxiliares de condução. Sobre o consumo, ao fim do nosso teste, ele foi bom, chegou a marcar 12,5km/l.
A opinião do Diário Motor
Chevrolet Tracker Premier 2026.
Apesar de ainda caro, a redução de quase R$ 15 mil do lançamento para cá faz com que o Tracker passe a fazer mais sentido. Por R$ 190 mil, ele não valia a compra de jeito nenhum, por R$ 175 mil já é possível pensar nele como opção, até pelo equilíbrio que ele apresenta.
Com um conjunto mecânico otimizado, uma lista de equipamentos honesta, um visual, mesmo que levemente, atualizado e um valor mais condizente (curiosamente, no lançamento, apontamos que se ele fosse uns R$ 30 mil mais barato, seria uma excelente escolha), ou seja, por R$ 15 a menos, passa a valer o teste drive com possível compra! Nota: 7.
Ficha Técnica
Motor: 1.2 turbo
Potência máxima: 141cv
Torque máximo: 22,9kgfm
Transmissão: automática de seis velocidades
Direção: elétrica
Suspensão: independente na dianteira e eixo de torção na traseira
Freios: a disco na dianteira e tambor na traseira
Porta-malas: 393 litros
Dimensões (A x L x C x EE): 1.626 x 1.791 x 4.304 x 2.570mm
Preço: R$ 174.990