Aos 10 anos, Jeep Renegade mostra que ainda tem fôlego
Testamos a segunda versão base do veterano SUV, lançado há exatos 10 anos, que aposta na forte motorização para se manter na disputa
Em 2003, a Ford lançou um veículo inédito que criou toda uma nova categoria, que anos mais tarde se tornaria um dos xodós do público brasileiro, a ponto de destronar diversos segmentos de preferência das garagens país afora. O modelo em questão é o EcoSport, que simplesmente apresentou para o Brasil o SUV compacto.
O pequeno americano passou anos “nadando” sozinho por aqui (oito, mais precisamente), até que em 2011 a Renault apresentou o primeiro rival dele e o segundo representante da ainda, na época, desconhecida categoria dos utilitários esportivos compactos. A verdadeira mudança de chave veio quatro anos depois do francês com sotaque romeno.
Como montadora, a Jeep acaba de celebrar 10 anos de Brasil.
Em 2015, três marcas decidiram apostar na categoria: Honda com HR-V, Jeep com Renegade e Peugeot com 2008. Curiosamente, hoje a americana e a francesa fazem parte do mesmo grupo, a Stellantis. Outro fato curioso é que, para a Jeep, o lançamento do SUV marcou, há exatos 10 anos, a chegada oficial dela como montadora no Brasil.
O modelo, o primeiro produzido no Polo de Goiana (PE), foi, de cara, um grande sucesso, líder por três vezes da categoria. Com diversas novidades surgindo de outras marcas, ele acabou por perder espaço, mas ainda mostra que tem fôlego para brigar, principalmente nas opções mais de entrada, como a Sport Altitude, o nosso “Teste da Vez”.
Precificação
A Sport Altitude é a segunda versão de entrada do SUV.
Como falamos, a Altitude é uma das versões de entrada do Renegade, no caso, a segunda. Ela parte de R$ 152.990. A unidade que testamos contava com pintura metálica, que acrescenta até R$ 2,5 mil. E ele conta com um kit opcional chamado “Pack Work II” que por salgados R$ 7 mil, agrega apenas estepe full size, protetor de cárter e tapetes. Um diferencial dela, para a concorrência, é utilizar o mesmo motor das topo de linha.
Entre os rivais de mesmo nível, o Renegade tem preço intermediário. Honda HR-V EXL (R$ 165.900), Hyundai Creta Limited (R$ 162.490) e Fiat Fastback Audace (R$ 155.990) são mais caros. Volks T-Cross 200 TSI (R$ 152.490) é igual. E Nissan Kicks Sense (R$ 129.690), Caoa Chery Tiggo 5x Sport (R$ 127.990), Peugeot 2008 Allure (R$ 138.490) e Renault Duster Iconic (R$ 151.690) são menos caros.
Nada novo
O visual externo pouco mudou ao longo dos 10 anos de vida.
Mesmo completando 10 anos nesta semana, o Renegade ainda está na primeira geração. Ao longo desta década de vida, ele passou por alguns facelifts, mas nada que alterasse profundamente o visual clássico do modelo, que desde o início sempre foi um dos diferenciais do SUV compacto.
Ele mantém o desenho que fez sucesso, com a grade de sete fendas, faróis redondos, para-choque dianteiro volumoso e linhas retas. Na traseira, tudo igual também, com tampa do porta-malas grande e spoiler na parte superior e as lanternas em formato de “X”. De diferencial, adesivos alusivos à versão, como o com a inscrição “Altitude” nas laterais.
Já o interior teve boas evoluções ao longo dos anos.
O interior também é o mesmo desde o último facelift, realizado em 2022. Quando a tela da central multimídia cresceu consideravelmente e o painel de instrumentos passou a ser totalmente digital. Por ser uma das opções de entrada, os bancos são em tecido, mas ainda contam com um desenho diferenciado, focado nos dianteiros.
Sobre o interior, aqui há um ponto de interrogação. A Jeep tem feito algo de errado, o acabamento não está mais perfeito como era (da mesma forma que percebemos nos últimos Compass e Commander que testamos). No caso do Renegade, o maior problema não foi o volante, mas sim a manopla do câmbio, feita de material grotesco e mal acabado.
O acabamento dos modelos da Jeep não estão tão primorosos como era.
A empunhadura da manopla está áspera, com rebarbas que incomodam na mão. Ao menos, por ele ser automático, o contato não é constante, fosse um câmbio manual, seria pior ainda. O volante, apesar de não estar tão ruim quanto nos irmãos maiores, também não está com acabamento perfeito, como sempre foi em todos os modelos da marca.
Dois detalhes também não mudaram, um positivo, os diversos “easter-eggs” espalhados pela carroceria e pela cabine, que é super divertido encontrá-los. E outro negativo, o espaço interno, que nunca foi dos melhores no Renegade. Quatro adultos é o limite e ainda precisa de um certo ajuste, um quinto é impossível. O porta-malas mantém os poucos 385 litros.
Polivalente
O painel de instrumentos digital é um dos destaques da versão de entrada.
A lista de equipamentos do Renegade Altitude é, no mínimo, interessante. Como uma das versões de entrada, é claro que ele não terá itens como as topo de linha, mas ao mesmo tempo, é um veículo de mais de R$ 150 mil, inadmissível uma chave manual, por exemplo. No entanto, ainda assim, ele tem coisas que nem os mais completos dos rivais tem.
Ele vem com ar-condicionado digital e dual zone, central multimídia com tela de 8,4 polegadas e conexão sem fio para smartphones via Android Auto e Apple CarPlay, painel de instrumentos digital com display de sete polegadas e personalizável, volante com ajuste de altura e profundidade, porta-luvas iluminado, banco traseiro bipartido 60/40 e rebatível.
O freio de estacionamento eletrônico é difícil de encontrar até em rivais topo de linha.
Assento do motorista com regulagem manual de altura, apoia de braço com porta objetos integrado, sistema Start&Stop, iluminação do porta-malas, porta USB-A para os ocupantes do banco traseiro e do tipo C na dianteira e os básicos vidros, travas e ajustes dos retrovisores elétricos.
Na parte da segurança, alerta de limite de velocidade, aviso de mudança de faixas, câmera de ré, controles de tração e estabilidade, detector de fadiga do motorista, faróis full LED, freio de estacionamento eletrônico, frenagem autônoma de emergência, assistente de partida em rampa, piloto automático, seis airbags e monitoramento de pressão dos pneus.
O grande Astro
O poderoso T270 é o grande astro do utilitário compacto.
No citado facelift realizado em 2022, a Jeep consertou um dos maiores poréns do Renegade, o motor flex. Ali, ela aposentou o ultrapassado 1.8 aspirado e passou a adotar – em toda linha – o moderno 1.3 turbo ou como é chamado pela marca, o T270. Com ele, até a recente atualização do Creta, o Renegade era o SUV compacto mais potente do Brasil.
Apesar de perder este posto para o rival sul-coreano, o americano conta com um grande diferencial no Brasil, como vemos na versão Altitude, mesmo a opção de entrada dele utiliza o poderoso T270, ao contrário dos concorrentes, que nas versões menos caras usam caixas 1.0 turbo, ou até mesmo aspiradas (alô HR-V, Duster e, por enquanto Kicks).
Com o forte motor, a direção do Renegade é segura e divertida.
Com este motor, o Renegade é praticamente um pequeno canhão, alinhado ao conhecido câmbio automático de seis velocidades, direção elétrica e freios a disco nas quatro rodas, os 180 cavalos e 27,5kgfm de torque (na gasolina) trabalham bem no asfalto, deixando o SUV ágil e com direção esperta.
O mais leve toque no acelerador faz o Renegade disparar sem muito esforço, o que permite uma direção, além de divertida, segura e otimizada. Todas as manobras são feitas com excelência, de ultrapassagens a retomadas e saídas em velocidade. Quem lá atrás andou no jipinho com o velho 1.8 e dirigí-lo agora, perceberá uma diferença enorme entre os dois.
O jipinho é um dos astros da marca no Brasil.
Assim como o motor, o câmbio também trabalha bem, sem qualquer tipo de tranco e com trocas suaves. Um fato curioso é que, ao contrário das mais completas, a Altitude não tem as clássicas borboletas no volante. Mas vem com modo “Sport”, que deixa a condução ainda mais esperta mas que, claro, altera o consumo.
Como diversos modelos da Stellantis vindos da FCA (leia-se Fiat e Jeep), ele conta com o TC+, que age nas rodas dianteiras de forma que, mesmo não sendo um modelo 4×4, consiga sair de situações com baixa tração. O sistema de suspensão é outro que trabalha bem, sem repassar as imperfeições do solo para a cabine. No fim, o consumo foi bom, com média de 11,3km/l.
A opinião do Diário Motor
Jeep Renegade Sport Altitude.
Celebrando 10 anos nesta semana, o Renegade mostra que, apesar de necessitar de alguns ajustes, ainda tem fôlego para brigar com os principais rivais, principalmente no quesito motorização. Neste ponto, nenhum outro é melhor que ele entre as opções de entrada, graças ao moderno e poderoso T270 e seus 185 cavalos (com etanol).
Outro ponto é que, mesmo caro – tudo está caro –, afinal estamos falando de uma versão de entrada que custa mais de R$ 150 mil, ele conta com equipamentos que não vemos nem nas topo de linha de alguns rivais, como o freio de estacionamento eletrônico e painel de instrumentos digital, entre outros. Mas o grande destaque mesmo é a motorização, que deixa o SUV excelente de dirigir. Vale a compra! Nota: 8.
Ficha técnica
Motor: 1.3 turbo
Potência máxima: 185/180cv
Torque máximo: 27,5kgfm
Transmissão: automática de 6 velocidades
Direção: elétrica
Suspensão: independente nas quatro rodas
Freios: a disco nas quatro rodas
Porta-malas: 385 litros
Dimensões (A x L x C x EE): 1.712 x 1.805 x 4.268 x 2.570mm
Preço: R$ 152.990