Zanin vota para condenar o ‘núcleo da desinformação’
Ministro Zanin vota com Moraes para condenar sete investigados
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta terça-feira (21) pela condenação dos sete réus do chamado “núcleo da desinformação”, um dos grupos investigados por participação na tentativa de golpe contra o Estado Democrático de Direito.
Com o voto de Zanin, o placar no STF chega a 2 a 0 pela condenação — ele acompanhou integralmente o relator, Alexandre de Moraes.
O grupo, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), teria atuado de forma coordenada para desacreditar o sistema eleitoral, espionar adversários políticos e incitar ações que culminaram na invasão das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.
A PGR afirma que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi usada ilegalmente para monitorar opositores e alimentar campanhas de desinformação.
Zanin defendeu a condenação de seis dos réus por todos os cinco crimes apontados:
- Organização criminosa armada;
- Tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito;
- Golpe de Estado;
- Dano qualificado por violência e grave ameaça;
- Deterioração de patrimônio tombado.
No caso de Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal (IVL), Zanin votou por condená-lo por dois crimes: organização criminosa e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.
Quem são os réus do núcleo 4
- Ailton Barros – ex-major, acusado de articular contato entre civis e militares golpistas;
- Ângelo Denicoli – major da reserva, teria forjado documentos contra as urnas;
- Carlos Rocha – presidente do IVL, divulgou relatórios falsos sobre falhas no sistema eleitoral;
- Giancarlo Rodrigues – subtenente, teria criado rede de espionagem clandestina na Abin;
- Guilherme Almeida – tenente-coronel, divulgou conteúdo incentivando golpe;
- Marcelo Bormevet – agente da PF, usou ilegalmente recursos da Abin para espionar;
- Reginaldo Abreu – coronel do Exército, manipulou relatórios militares para alimentar teorias golpistas.
Para Zanin, os acusados agiram conscientemente para minar a confiança nas instituições e fortalecer narrativas falsas de fraude eleitoral, com o objetivo de gerar instabilidade e promover ruptura institucional.
A análise do caso foi retomada nesta terça pela Primeira Turma do STF. Ainda faltam os votos dos ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia e Flávio Dino. As penas dos réus serão definidas em uma fase posterior do julgamento.