Atrasado, governo promete reagir ao tarifaço com novos mercados
Ao invés de negociar com os americanos, o governo mira novos mercados
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, chamou de “contraproducente” a postura dos Estados Unidos ao misturar interesses políticos e econômicos nas relações com o Brasil, o que, segundo ele, agrava a crise de empregos no país. A resposta brasileira, contudo, trata-se mais de remediar os danos já causados do que de agir com proatividade: ao invés de negociar com os americanos, o governo mira novos mercados para amenizar os efeitos.
Em sua fala no seminário Esfera Infra, no Recife, Costa Filho destacou que o “tarifaço” imposto pelos EUA, em menos de oito meses, pressiona a economia global com recessão, desemprego e inflação. No entanto, seu discurso peca por priorizar a expansão comercial a terceiros países, como Ásia e Europa, como forma de enfrentar as sanções. O resultado é um retrato claro da falta de agilidade ou empenho diplomático real em tentar negociar diretamente com Washington.
Em tom crítico, Costa Filho lamentou que essa medida favoreça interesses bolsonaristas radicais nos EUA e prejudique milhares de empresas brasileiras. “Defender isso é contraproducente com o Brasil, porque emprego não é de direita nem de esquerda. Emprego é do povo brasileiro”, afirmou. A fala revela uma percepção tardia do impacto social dessa estratégia americana e expõe a vulnerabilidade do país diante de crises externas.
Enquanto isso, o governo Lula se gaba de ter aberto mais de 390 novos mercados em dois anos e meio, uma jogada de diversificação já em curso antes do “tarifaço”. Ao depender agora dessa tática para se defender, o governo parece admitir sua própria lentidão em agir. Em vez de liderar negociações com os EUA, o país se vê empurrado a reagir com medidas paliativas, corroendo o tempo em que ainda era possível evitar os prejuízos do “tarifaço”.