CPI do Crime Organizado

Vieira afirma que investigações sobre caso Master prosseguirão ‘doa a quem doer’

CPI do Crime Organizado foi suspensa nesta semana após a detenção de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal

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Senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado).

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, confirmou nesta quinta-feira (5) que o colegiado manterá o curso das apurações sobre o Banco Master, independentemente de pressões externas. A declaração ocorre em um momento de paralisia temporária das atividades da comissão, que cancelou as sessões previstas para esta semana.

Entre os depoimentos suspensos estava o de Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição, que foi preso antes de sua oitiva agendada para quarta-feira (4).

O foco da CPI, que inicialmente foi estabelecida para apurar uma operação policial no Rio de Janeiro ocorrida em outubro de 2025 com 121 vítimas fatais, deslocou-se para as operações do Banco Master. As frentes de investigação concentram-se agora nos vínculos entre executivos da entidade financeira e integrantes da cúpula do Poder Judiciário.

Um dos pontos centrais de análise são os contratos de honorários advocatícios, estimados em R$ 130 milhões, firmados entre o banco e o escritório de Viviane Barci, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Além disso, o grupo parlamentar verifica um eventual conflito de interesses envolvendo o ministro Dias Toffoli, que atuou como relator do caso.

No âmbito policial, a prisão de Vorcaro faz parte da terceira etapa da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A ação também teve como alvo Fabiano Campos Zettel, cunhado do empresário, que se apresentou espontaneamente às autoridades. A PF investiga uma suposta estrutura criminosa envolvida em delitos como lavagem de dinheiro, corrupção, ameaças e invasão de sistemas informáticos. Por ordem do STF, agentes cumpriram mandados de prisão preventiva e outras 15 ordens de busca e apreensão nos estados de Minas Gerais e São Paulo.

Ao avaliar o cenário atual, o relator Alessandro Vieira utilizou termos contundentes para descrever a gravidade das descobertas. Para o parlamentar, “o caso Master escancara a infiltração criminosa nas mais altas esferas do poder no Brasil”. Ele acrescentou que “o que já foi divulgado representa uma fração mínima de uma realidade institucional degradada” e alertou para a existência de uma “operação abafa” amparada por diversos setores.

Apesar do que chamou de “resistências enormes”, Vieira reiterou seu compromisso com a conclusão do relatório e a transparência do processo. Em sua conclusão, o senador destacou a necessidade de apoio externo para enfrentar a complexidade do caso.

“É hora de mobilização da sociedade e valorização do trabalho da imprensa, porque vamos precisar de muita resiliência para suportar esse tsunami de lama. Vou fazer a minha parte até o último segundo, doa a quem doer”, pontuou.