União Europeia barra Brasil de lista sanitária e ameaça exportações
Bloco europeu exclui o país por falta de garantias sobre uso de antimicrobianos na pecuária; setor teme prejuízos bilionários
A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar certos produtos de origem animal ao mercado europeu. A decisão ocorreu nesta terça-feira (12) e passa a valer em setembro.
Segundo a Comissão Europeia, o governo brasileiro não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária, exigência considerada obrigatória pelas normas sanitárias do bloco. Com isso, produtos como carne bovina, aves, ovos, mel, peixes e outros itens de origem animal podem deixar de entrar no mercado.
Enquanto o Brasil foi excluído, Argentina, Paraguai e Uruguai permaneceram autorizados.
A porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, afirmou que o Brasil precisará comprovar conformidade total com as regras sobre antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação. Os antimicrobianos são usados para prevenir e tratar infecções em animais, mas parte dessas substâncias também atua como acelerador de crescimento, prática proibida pela legislação.
Entre os medicamentos vetados pela UE estão:
- virginiamicina;
- avoparcina;
- cacitracina;
- tilosina;
- espiramicina;
- avilamicina.
Em abril, o Ministério da Agricultura e Pecuária publicou uma portaria restringindo parte dessas substâncias, mas as medidas ainda não atenderam às exigências.
Para voltar à lista, o Brasil terá de ampliar as restrições legais ou comprovar, por meio de rastreabilidade sanitária, que os produtos exportados não utilizam os antimicrobianos proibidos — um processo considerado caro e complexo para produtores e exportadores. A União Europeia é atualmente o terceiro principal destino da carne bovina brasileira em valor exportado, atrás apenas de China e Estados Unidos.