Troca de farpas entre Tarcísio e Mercadante marca inauguração do Rodoanel
Presidente do BNDES transforma evento em palco de disputa política; governador paulista rebate
A cerimônia de inauguração do primeiro trecho do Rodoanel Norte, realizada nesta segunda-feira (22), foi marcada por troca de farpas entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Rep), e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante.
Durante o discurso às autoridades e trabalhadores presentes no evento, Mercadante cobrou publicamente o reconhecimento da participação do banco no financiamento da obra. Segundo ele, o BNDES foi responsável por cerca de um terço do investimento total, aproximadamente R$ 1,3 bilhão, valor que não teria sido mencionado pela gestão estadual.
“Essa placa está muito bonita, mas está faltando o BNDES aqui. Por quê? É crédito do BNDES e temos de reconhecer a parceria para poder fazer mais coisas juntas no futuro”, afirmou Mercadante.
Sem citar diretamente o governador, o presidente do banco também defendeu a retomada de uma relação institucional mais harmoniosa entre os entes federativos.
“Temos de recuperar a relação republicana. O presidente Lula não olha quem é o governador, olha o estado e trabalha junto para a população melhorar”, declarou.
Na sequência, Tarcísio de Freitas respondeu de forma indireta. O governador reconheceu que o BNDES teve papel relevante no financiamento do projeto, destacando o caráter técnico da instituição, mas atribuiu o atraso da obra a escândalos de corrupção investigados pela Operação Lava Jato.
“Essa obra era para ter ficado pronta em 2016. Mas enfrentamos aqui a Operação Lava Jato, daqueles governos que se acostumaram a viver na corrupção”, afirmou o governador, sem mencionar nomes.
Outro momento de tensão ocorreu quando Mercadante citou a modernização da rodovia Presidente Dutra, que, segundo ele, será transformada na mais moderna do país, com iluminação em LED.
O presidente do BNDES, no entanto, não mencionou que a concessão da via ocorreu quando Tarcísio comandava o Ministério da Infraestrutura no governo Jair Bolsonaro (PL). O governador, por sua vez, fez questão de lembrar o fato, o que provocou um coro de “mito, mito, mito” por parte da plateia, em referência ao ex-presidente.