Cidadão ilustre

Título honorário liga Dias Toffoli a cidade do Tayayá Resort

Ministro do STF recebeu homenagem municipal no Paraná onde funcionava empreendimento de familiares depois vendido a fundo ligado ao Banco Master

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O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal) | Foto: Ton Molina / STF

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu em 2017 o título de cidadão honorário da Câmara Municipal de Ribeirão Claro, no norte do Paraná, município onde está localizado o Tayayá Resort, empreendimento que tinha como acionistas irmãos e um primo do magistrado e que posteriormente foi vendido a um fundo de investimento ligado ao Banco Master.

O decreto legislativo que concedeu a honraria afirma que Toffoli manteve “constante atenção” ao município, com foco no desenvolvimento local e no incremento do turismo, além de registrar sua “atuação exemplar” para a manutenção da 23ª Zona Eleitoral de Ribeirão Claro.

Dois anos depois da homenagem, em dezembro de 2019, Toffoli esteve novamente na cidade para a inauguração do Fórum Eleitoral Luiz Toffoli, batizado em referência a seu pai. A viagem foi realizada em aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), com deslocamento de Brasília a Ourinhos (SP), cidade a cerca de 40 km de Ribeirão Claro, e retorno à capital federal três dias depois.

As informações sobre o resort surgem em meio a controvérsias envolvendo a atuação de Toffoli como relator das investigações sobre o Banco Master, cujo presidente, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso sob suspeita de fraudes financeiras. Segundo a CNN, um fundo de investimento gerido por empresa citada no caso Master aportou R$ 4,3 milhões para a compra de ações do Tayayá Resort.

Registros da Receita Federal indicam que o empreendimento teve como sócios a Maridt Participações S.A., pertencente a Igor Luiz Pires Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro. Já a aquisição de participação no resort foi feita pela Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, conforme dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A Arleen é administrada pela Reag, empresa citada na Operação Carbono Oculto, que investiu recursos em outra companhia que teve como sócio um primo de Toffoli.

Atualmente, familiares do ministro não integram mais o quadro societário do Tayayá. A participação foi vendida ao advogado Paulo Humberto Costa, que atua para a JBS, em transações iniciadas em dezembro de 2024 e concluídas em setembro de 2025. Procurada, a Reag informou que não comentará o caso. A defesa de Daniel Vorcaro negou irregularidades, afirmou que o Banco Master não administra nem participa dos fundos citados e disse confiar no esclarecimento dos fatos ao fim das investigações.