Tarcísio elogia sanções dos EUA ao PCC e reforça combate ao crime
Governador de São Paulo defende a ação de Washington contra a estrutura financeira da facções e destaca a importância da cooperação internacional
Antes do anúncio oficial do governo brasileiro sobre os desdobramentos das sanções impostas pelos Estados Unidos, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas afirmou nesta quinta-feira (2) que considera “bem-vindas” as medidas adotadas pela gestão do presidente Donald Trump contra pessoas e empresas apontadas como integrantes de uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital.
A declaração foi feita durante um evento no centro da capital paulista.
Segundo Tarcísio, o PCC deixou de atuar apenas dentro das fronteiras brasileiras e passou a operar como uma organização criminosa de alcance internacional.
O governador afirmou que a facção possui células em pelo menos 11 estados norte-americanos e defendeu que ações conjuntas entre diferentes países são fundamentais para impedir a expansão do grupo.
As sanções anunciadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos atingem dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma empresa registrada em Portugal, todos suspeitos de integrar um esquema financeiro utilizado para movimentar recursos em benefício do PCC.
As medidas determinam o bloqueio de bens e ativos sob jurisdição americana, proíbem cidadãos e empresas dos Estados Unidos de realizar transações com os sancionados e ainda preveem sanções secundárias contra instituições financeiras estrangeiras que mantenham negócios considerados relevantes com os alvos.
Os brasileiros sancionados são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Também foram incluídas nas medidas as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda.,Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda., Wave Construções Inteligentes Ltda. e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda.
Segundo as autoridades americanas, a estrutura empresarial era utilizada para ocultar a origem de recursos provenientes de atividades criminosas e facilitar a lavagem de dinheiro para a organização criminosa.
De acordo com o governo norte-americano, as investigações apontam que Shimada teria atuado como elo entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais, utilizando transferências em criptomoedas e empresas de fachada para movimentar recursos ilícitos.
As autoridades dos Estados Unidos afirmam que o esquema teria movimentado dezenas de milhões de dólares provenientes de atividades criminosas.
As novas sanções representam mais um passo da política adotada pela administração Trump contra facções criminosas brasileiras.
Em junho, Washington classificou oficialmente o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, ampliando os instrumentos legais disponíveis para combater suas estruturas financeiras e sua atuação internacional.