STF impõe bloqueio patrimonial a Nelson Tanure em apuração sobre banco
Decisão do STF atinge empresário no âmbito do inquérito que apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de bens e patrimônio do empresário Nelson Tanure no contexto das apurações relacionadas às supostas irregularidades no Banco Master.
A decisão judicial, assinada em 6 de janeiro, foi cumprida pela Polícia Federal (PF) durante a segunda etapa da Operação Compliance Zero na última quarta-feira, 14.
A medida integra um conjunto mais amplo de ações que atingiram 38 investigados, com bloqueios e sequestros de bens que podem chegar a R$5,7 bilhões, além de quebras de sigilo bancário e fiscal de mais de 100 pessoas físicas e jurídicas, conforme autorização judicial.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), que pediu as medidas ao STF, investigações da PF indicaram que Tanure teria atuado como “sócio oculto” do Banco Master, influenciando operações por meio de fundos de investimento e estruturas societárias complexas, o que fundamentou o pedido de bloqueio de seu patrimônio.
A decisão de Toffoli determinou que o bloqueio do patrimônio de Tanure fosse feito no mesmo montante requerido em ações relativas a outros envolvidos, como o controlador do banco, Daniel Vorcaro, embora a medida não especifique qual parte dos R$ 5,7 bilhões está vinculada exclusivamente às operações atribuídas a Tanure.
A operação da PF também incluiu buscas e apreensões em endereços ligados a Tanure e a outras figuras investigadas, além de apreensões de dispositivos eletrônicos e documentos.
Tanure teve seu celular apreendido e obteve medidas cautelares que fazem parte da fase atual das diligências.
Por meio de nota, a defesa de Tanure contestou a inclusão do empresário nas investigações relacionadas ao Master, afirmando que ele não possui participação societária no banco, nem como acionista ou controlador, e que sempre manteve relações comerciais como cliente ou investidor junto à instituição e a outras entidades no Brasil e no exterior.
As autoridades envolvidas continuam a investigação sobre fraudes financeiras, incluindo possíveis crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro, entre outros.