‘O ideal imaginário é o principal inimigo para o desenvolvimento dos indígenas’, afirma Silva Waiãpi
Deputada trabalha com foco em pautas progressista para autonomia dos povos originários
Além da mudança do nome, de Dia do Índio para Dia dos Povos Indígenas, muitas etnias também desejam a mudança, amparada por lei, da forma de viver.
Pela primeira vez na história do parlamento brasileiro, a Câmara dos Deputados tem seis indígenas eleitos, sendo quatro mulheres e dois homens: Célia Xakriabá (Psol-MG); Juliana Cardoso (PT-SP); Paulo Guedes (PT-MG); Silvia Waiãpi (PL-AP), Coronel Chrisóstomo (PL-RO), da etnia Tukano, e Sônia Guajajara (Psol-SP).
Tanto Silva como Chrisóstomo trabalham com foco em pautas mais progressista, com foco na autonomia financeira dos indígenas, por meio do desenvolvimento econômico. Silvia defende que os povos originários possam manter as suas tradições e cultura, mas que também possam ter acesso a tecnologias.
“Queremos que nossas terras sejam desenvolvidas economicamente, de forma responsável, respeitando os limites da natureza e das comunidades que nelas vivem”.
Para Waiãpi o ideal imaginário é o principal inimigo do desenvolvimento dos povos indígenas.
Essa ideia também é defendida por representantes dos povos Parecis; Kalapo; Xavantes, Matipu, Bakairi entre outros, que estiveram presentes nesta segunda-feira (17) na Câmara dos Deputados.
Durante a 1ª Reunião da Comissão dos Povos Indígenas do Agro Indígena as lideranças falaram sobre as dificuldades que enfrentam em relação ao crescimento econômico e na liberação das terras indígenas para produção agrícola.
A assistente jurídica indígena Luciene Kujãesage Kayabi falou sobre a dificuldade no desenvolvimento sem recursos. E solicitou que a ministra dos Povos dos Indígenas, Sônia Guajajara libere uma verba que está retida pela pasta.
“O agronegócio indígena não caminha sem dinheiro, nada caminha”.
O cacique Adriel Kokama ressaltou como é importante o desenvolvimento econômico dos indígenas.
O presidente da cooperativa Xavante, Gerson Waraiwe falou sobre o trabalho que é desenvolvido em Sangradouro.
“Queremos trabalhar. Nós tivemos um início muito difícil e estamos fazendo uma rima para regularizar a nossa lavoura. Nós não queremos atrito, mas sim diálogo”.
A intervenção de ONGs foi destacada como um dos problemas que devem ser resolvidos, conforme explicou o presidente da cooperativa indígena Volta Grande, Geraldo Tsadammha.