Rombo em estatais federais chega a R$ 4,9 bilhões em janeiro, revela Banco Central
Empréstimo bilionário para socorrer os Correios representa quase 80% do saldo devedor garantido pela União no setor
O balanço das empresas estatais federais encerrou o primeiro mês de 2026 com um saldo negativo de R$ 4,9 bilhões. O dado, extraído do relatório Estatísticas Fiscais divulgado pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira (27), aponta que este é o maior déficit nominal já registrado para o período de janeiro em toda a série histórica, sem considerar a atualização pela inflação.
A trajetória do resultado primário dessas empresas vem apresentando deterioração nos últimos anos. Enquanto em janeiro de 2021 e 2022 o setor registrou superávits de R$ 445,8 milhões e R$ 4,4 bilhões, respectivamente, a partir de 2023 os resultados passaram a ser deficitários: R$ 2,2 bilhões (2023), R$ 1,7 bilhão (2024), R$ 1 bilhão (2025) e, finalmente, os R$ 4,9 bilhões atuais.
No âmbito geral das estatais, o déficit de janeiro totalizou R$ 3,17 bilhões, somando os desempenhos negativos das esferas federal (R$ 3,17 bilhões), estadual (R$ 2,23 bilhões) e municipal (R$ 13 milhões).
O desempenho desfavorável é impulsionado, em grande parte, pelas dificuldades financeiras enfrentadas pelos Correios. De acordo com informações do Tesouro Nacional, um montante de R$ 10 bilhões captado via empréstimos bancários para auxiliar a estatal é responsável por 78% de todo o saldo devedor das operações de crédito que possuem garantia da União entre as companhias públicas.
Em contraste com o rombo das estatais, o setor público consolidado do Brasil apresentou um superávit primário de R$ 103,7 bilhões em janeiro de 2026. Este indicador, que mede a diferença entre receitas e despesas ignorando o pagamento de juros, mostra que o Tesouro Nacional, a Previdência Social e o Banco Central (Governo Central) tiveram saldo positivo de R$ 87,3 bilhões, enquanto os governos regionais contribuíram com R$ 21,3 bilhões.
Apesar do resultado positivo no setor público consolidado, o valor é levemente menor do que o apurado em janeiro de 2025, quando o superávit atingiu R$ 104,1 bilhões. Já a dívida bruta brasileira encerrou o período em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), mantendo o patamar observado no mês anterior.