Herman Benjamin

Presidente do STJ critica exposição excessiva de magistrados e aponta fragilidades

Presidente do tribunal afirma que comportamento midiático prejudica a imagem da Justiça e defende mais controle e diversidade na instituição

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Ministro Herman Benjamin, presidente do STJ - (Foto: Gustavo Lima | STJ)

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Herman Benjamin, afirmou que a credibilidade do Judiciário é comprometida quando magistrados assumem uma postura pública ativa e passam a ocupar espaço constante na mídia. 

Em entrevista concedida ao Poder360 no fim de semana, ele destacou que a superexposição cria ruídos desnecessários, afeta a confiança dos cidadãos e desvia o foco do caráter técnico que deve orientar o trabalho das Cortes superiores.

Para Benjamin, a rotina de comentários sobre temas sensíveis e a participação frequente em entrevistas colocam o tribunal em situação vulnerável. Ele reforçou que autoridades judiciais precisam adotar postura reservada. Segundo o presidente, quem se manifesta demais “perde parte da autoridade que deveria preservar”, motivo pelo qual considera que um dirigente de Corte deve falar apenas em momentos “raros e necessários”.

Além das avaliações sobre o comportamento público de magistrados, Benjamin reconheceu desafios internos enfrentados pelo STJ. Ele afirmou que, em um quadro com mais de 5 mil servidores, sempre existe a possibilidade de condutas fora do padrão esperado, e que episódios isolados têm potencial para causar prejuízos significativos à instituição. Por isso, defendeu o fortalecimento de mecanismos de controle e fiscalização.

O presidente também comentou as discussões envolvendo a remuneração no Judiciário. Para ele, os salários devem refletir a complexidade das funções desempenhadas, ainda que o tema gere controvérsia e desgaste perante a opinião pública.

Benjamin chamou atenção ainda para a baixa diversidade entre os integrantes do STJ. Ele lembrou que a Corte conta com 33 ministros, mas possui pequena representação de mulheres e de profissionais negros. O ministro afirmou que a própria instituição é responsável por essa composição, já que o processo de escolha ocorre internamente.