Operação Paroxismo

Polícia Federal vê saques suspeitos com carro do prefeito Dr. Furlan

Investigação aponta uso de veículo oficial, retiradas milionárias em espécie e indícios de propina em obra do Hospital Municipal de Macapá

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O prefeito de Macapá (AP), Dr. Furlan | Foto: Rogério Lameira / Prefeitura de Macapá

A Polícia Federal identificou imagens que mostram um motorista utilizando um carro do prefeito de Macapá (AP), Dr. Furlan (MDB), para realizar saques de altos valores em dinheiro vivo em agências bancárias. As movimentações passaram a integrar o inquérito da Operação Paroxismo.

A investigação apura supostas fraudes na construção do Hospital Geral Municipal de Macapá, obra orçada em R$ 69,3 milhões e financiada com recursos de emendas parlamentares. Segundo a PF, há indícios de um esquema criminoso envolvendo agentes públicos e empresários, com direcionamento de licitação, desvio de recursos públicos e pagamento de propinas na elaboração do projeto de engenharia e na execução das obras.

Dr. Furlan foi alvo de busca e apreensão em 3 de setembro de 2025, assim como a secretária municipal de Saúde e empresários do setor da construção civil. Entre os investigados está a empresa Santa Rita Engenharia LTDA.

De acordo com a apuração, câmeras de segurança mostram que, em 23 de maio de 2025, o empresário Rodrigo de Queiroz Moreira, sócio da Santa Rita, sacou R$ 400 mil em espécie e, minutos depois, seguiu para um laboratório pertencente ao ex-senador Paulo José de Brito Silva Albuquerque, suplente do senador Lucas Barreto (PSD).

Para a PF, a parada “pode indicar a entrega de valores”.

Em 18 de junho de 2024, a PF monitorou novos saques em espécie: R$ 130 mil atribuídos a Rodrigo de Queiroz Moreira e R$ 260 mil a Fabrizio de Almeida Gonçalves, também sócio da empresa. Um deles, segundo os investigadores, utilizava um veículo ligado ao prefeito. A PF também identificou Jerqueson da Costa Rodrigues, funcionário da residência de Dr. Furlan, realizando saques bancários.

No relatório, a Polícia Federal aponta indícios de atuação direta do prefeito no esquema e afirma que Jerqueson executaria tarefas sob ordens diretas de Dr. Furlan, inclusive ações consideradas suspeitas à luz dos elementos reunidos. Durante a investigação, a PF chegou a solicitar o afastamento do prefeito do cargo, pedido que foi negado pela Justiça.

Ainda segundo a PF, apenas um dos investigados teria sacado cerca de R$ 9 milhões em espécie durante o período do inquérito. O grupo utilizava mecanismos de dissimulação patrimonial, como entregas físicas de dinheiro e movimentações bancárias, para ocultar a origem ilícita dos valores.

A Prefeitura de Macapá informou que os recursos da obra foram viabilizados por emendas das ex-deputadas Leda Sadala (PP) e Aline Gurgel (Republicanos) e do senador Lucas Barreto (PSD) para a maternidade, além de verbas destinadas pelo deputado Vinícius Gurgel (PL) ao hospital. Os parlamentares não são investigados.

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