PF identifica possível repasse de dinheiro do ‘Careca do INSS’ ao ex-assessor de Weverton Rocha
Diálogos obtidos pela Polícia Federal também indicam possível atuação de filho do presidente Lula como "sócio oculto" em contratos
Investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) revelaram diálogos que sugerem o pagamento de vantagens indevidas em dinheiro vivo a Gustavo Gaspar, antigo assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA). O material foi extraído do dispositivo móvel do empresário Antônio Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”, apontado como o mentor de uma rede criminosa dedicada ao desvio de verbas de aposentadorias.
De acordo com as apurações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, a PF trabalha com a hipótese de que o senador Weverton Rocha atuaria como a base de sustentação política do grupo. Em trocas de mensagens, subordinados de Antunes tratavam o parlamentar pelo termo “parceiro”, e assessores do político seriam frequentadores de um camarote do empresário no Estádio Mané Garrincha. O senador rejeitou integralmente as suspeitas, definindo-as como “descabidas”, e ressaltou que pareceres da Procuradoria-Geral da República (PGR) indicam que as acusações carecem de consolidação.
A PF também analisa menções a Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, presentes em três conjuntos distintos de dados. O órgão investiga se ele exerceria o papel de “sócio oculto” de Antunes em acordos firmados com o poder público.
Métodos e Prisões
A análise dos diálogos indica o uso de termos cifrados para mascarar as transações financeiras. Segundo os investigadores, palavras como “impressões” e “encomendas” eram utilizadas para se referir a montantes em espécie. Em um dos registros, de setembro de 2023, Antunes orientou seu funcionário, Rubens Costa, a entregar “impressões” a Gaspar no período da tarde. No dia seguinte à conversa, a PF detectou um saque de R$ 40 mil realizado por Costa em uma das contas das empresas de Antunes.
Relatórios da PF descrevem a dinâmica das operações:
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“ANTONIO esclareceu que o procedimento ocorreria no período da tarde (a provável entrega do valor), justificando a demora pelo reconhecimento em cartório, expressão que, ao que tudo indica, faz referência à liberação de valores pelo banco”.
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“Em resposta, RUBENS confirmou e comunicou que compareceria ao cartório às 11h (provavelmente ao banco), prevendo estar com as ‘impressões’ em mãos por volta das 14h30, indicando, de forma dissimulada, a disponibilidade do montante em espécie”.
Com base nessas evidências, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou a prisão preventiva de Gustavo Gaspar, efetuada em dezembro durante a Operação Sem Desconto. Gaspar ocupou cargo sênior na liderança do PDT no Senado entre 2019 e 2023.
A defesa de Antônio Camilo Antunes informou que não se pronunciará sobre o teor das mensagens, alegando que ainda não obteve acesso integral aos dados coletados. Além disso, aguarda manifestação do STF sobre a liberação de recursos para o pagamento de obrigações trabalhistas e averbação de bens.
O advogado de Gustavo Gaspar declarou que seu cliente “nega de forma veemente todas as fantasiosas acusações e apresentará as devidas explicações no momento apropriado, quando for intimado pela PF para prestar esclarecimentos, o que até hoje não aconteceu”.