Sujeira

PF identifica possível repasse de dinheiro do ‘Careca do INSS’ ao ex-assessor de Weverton Rocha

Diálogos obtidos pela Polícia Federal também indicam possível atuação de filho do presidente Lula como "sócio oculto" em contratos

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Escolha do senador Weverton Rocha (PDT-MA) não agradou (Foto: Pedro França/Agência Senado).

Investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) revelaram diálogos que sugerem o pagamento de vantagens indevidas em dinheiro vivo a Gustavo Gaspar, antigo assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA). O material foi extraído do dispositivo móvel do empresário Antônio Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”, apontado como o mentor de uma rede criminosa dedicada ao desvio de verbas de aposentadorias.

De acordo com as apurações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, a PF trabalha com a hipótese de que o senador Weverton Rocha atuaria como a base de sustentação política do grupo. Em trocas de mensagens, subordinados de Antunes tratavam o parlamentar pelo termo “parceiro”, e assessores do político seriam frequentadores de um camarote do empresário no Estádio Mané Garrincha. O senador rejeitou integralmente as suspeitas, definindo-as como “descabidas”, e ressaltou que pareceres da Procuradoria-Geral da República (PGR) indicam que as acusações carecem de consolidação.

A PF também analisa menções a Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, presentes em três conjuntos distintos de dados. O órgão investiga se ele exerceria o papel de “sócio oculto” de Antunes em acordos firmados com o poder público.

Métodos e Prisões

A análise dos diálogos indica o uso de termos cifrados para mascarar as transações financeiras. Segundo os investigadores, palavras como “impressões” e “encomendas” eram utilizadas para se referir a montantes em espécie. Em um dos registros, de setembro de 2023, Antunes orientou seu funcionário, Rubens Costa, a entregar “impressões” a Gaspar no período da tarde. No dia seguinte à conversa, a PF detectou um saque de R$ 40 mil realizado por Costa em uma das contas das empresas de Antunes.

Relatórios da PF descrevem a dinâmica das operações:

  • “ANTONIO esclareceu que o procedimento ocorreria no período da tarde (a provável entrega do valor), justificando a demora pelo reconhecimento em cartório, expressão que, ao que tudo indica, faz referência à liberação de valores pelo banco”.

  • “Em resposta, RUBENS confirmou e comunicou que compareceria ao cartório às 11h (provavelmente ao banco), prevendo estar com as ‘impressões’ em mãos por volta das 14h30, indicando, de forma dissimulada, a disponibilidade do montante em espécie”.

Com base nessas evidências, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou a prisão preventiva de Gustavo Gaspar, efetuada em dezembro durante a Operação Sem Desconto. Gaspar ocupou cargo sênior na liderança do PDT no Senado entre 2019 e 2023.

A defesa de Antônio Camilo Antunes informou que não se pronunciará sobre o teor das mensagens, alegando que ainda não obteve acesso integral aos dados coletados. Além disso, aguarda manifestação do STF sobre a liberação de recursos para o pagamento de obrigações trabalhistas e averbação de bens.

O advogado de Gustavo Gaspar declarou que seu cliente “nega de forma veemente todas as fantasiosas acusações e apresentará as devidas explicações no momento apropriado, quando for intimado pela PF para prestar esclarecimentos, o que até hoje não aconteceu”.

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