PF expõe pedido de Cabral e Bacellar para retirar processo de pauta
Mensagens apreendidas em inquérito mostram ex-governador solicitando intervenção em julgamento no TJ-RJ; deputado foi indiciado por suspeita de vazamento de informações sigilosas
Um inquérito da Polícia Federal incluiu no seu relatório trechos de mensagens trocadas entre o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral e o então presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil), em que Cabral solicita diretamente a intervenção de Bacellar em uma pauta judicial que o envolvia.
As mensagens, segundo consta no relatório final da PF, foram extraídas do telefone celular de Bacellar e tratam de um processo em tramitação na 6ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
No dia 22 de maio de 2025, Cabral escreveu ao deputado: “Não esquece do meu julgamento na Sexta Câmara. … Só pedir para retirar de pauta”.
Bacellar respondeu: “Te falo”. Cinco dias depois, Cabral comemorou em nova mensagem: “Saiu de pauta o meu processo. Você é um querido! Te amo, amigo!”.
O pedido de Cabral se refere a uma ação movida contra ele na esfera de improbidade administrativa, na qual o ex-governador havia sido derrotado e havia interposto recurso.
Conforme a própria defesa do ex-governador afirmou à imprensa, ele perdeu nessa instância e recorre. Cabral classifica o processo como uma “tremenda injustiça”.
As trocas de mensagens constam no mesmo inquérito que levou ao indiciamento de Rodrigo Bacellar, de Thiego Raimundo dos Santos Silva (conhecido como TH Joias) e outras três pessoas, sob suspeita de vazamento de informações sigilosas relacionadas à facção criminosa Comando Vermelho.
Bacellar foi alvo da Operação Unha e Carne, deflagrada em 3 de dezembro de 2025 pela Polícia Federal, e chegou a ser preso, mas teve a prisão substituída por medidas cautelares pelo Supremo Tribunal Federal e deixou a cadeia poucos dias depois.
O inquérito apura, entre outros pontos, a suposta utilização do mandato por parte de Bacellar para favorecer interesses de TH Joias e facilitar a obtenção de informações sigilosas que teriam sido repassadas à facção criminosa Comando Vermelho.
No mesmo conjunto de documentos, a Polícia Federal analisa mensagens e dados que seriam indicativos de atuação política de Bacellar em favorecimento de aliados e interlocuções que a PF considera suspeitas.
Até o momento, Cabral negou qualquer irregularidade relativa à troca de mensagens, afirmando que o processo ao qual elas se referem é objeto de recurso e que não houve ato ilegal, enquanto a investigação policial prossegue.