Moraes e o caso do aeroporto

OAB do RS diz que vazamento de conversas pela PF é ‘gravíssimo’

Vazamento seletivo aumento rumores sobre PF Paralela

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Presidente da OAB Rio Grande do Sul, Leonardo Lamachia (Foto: Claiton Dorneles/ Divulgação".

Há quem defenda que as prerrogativas da advocacia não estão sendo violadas nos últimos tempos. Pois até o presidente da OAB, no Rio Grande do Sul, está sensibilizado quanto aos supostos avanços do judiciário contra a profissão. Neste domingo (8), Leonardo Lamachia, que dirige a seccional gaúcha, protestou contra o vazamento de conversa entre o empresário Márcio Mantovani, acusado de atacar o filho do ministro Alexandre de Moraes e seu advogado.

O Código de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) estabelece o sigilo absoluto do que é conversado entre defesa e representado. Em aceno à defesa do  acusado, que pede providências da entidade, o Lamachia publicou em suas redes sociais que o vazamento é ‘gravíssimo’.

“A quebra de sigilo na comunicação entre cliente e advogado é um grave ato de violação das nossas prerrogativas, que fere o devido processo legal e a ampla defesa, algo que vem sendo normalizado no Brasil”, afirmou.

Entenda

O relatório da Polícia Federal sobre o caso, dirigido ao ministro Dias Toffoli, quebrou o sigilo da relação entre cliente e advogado. A conversa transcrita pelos agentes e entregue ao magistrado trata da adoção de estratégias entre profissional e cliente, troca de informações e orientações sobre a lida com a imprensa.

“Por meio de mensagens de WhatsApp o advogado orientou ROBERTO a não falar com a imprensa. Escreveu que ‘eles são muito habilidosos e distorcem as palavras’. O advogado solicitou a ROBERTO um relato completo do que teria ocorrido no Aeroporto de Roma e que avaliaria a elaboração de uma nota para a imprensa. ROBERTO perguntou se o relatório poderia ser enviado pelo seu próprio celular, ao que o advogado orientou: ‘Prefiro que seja de outro celular. De nenhum dos três’, referindo-se aos celulares de ANDREIA MUNARÃO e de ALEX ZANATTA BIGNOTTO, que estavam juntos com ROBERTO quando do entrevero ocorrido na capital italiana”, relatou a Polícia Federal apelidada pela oposição ao governo Lula de Polícia paralela.

E completou: “A certa altura da troca de mensagens de WhatsApp ROBERTO enviou um vídeo para o advogado RALPH, no qual o ministro ALEXANDRE DE MORAES aparece adentrando um veículo e sendo hostilizado por pessoas próximas dele. ROBERTO informou que recebeu o arquivo e perguntou ao causídico se tal vídeo seria verdade. O advogado informou que não poderia afirmar que a filmagem teria sido feita na Itália, mas que provavelmente não.”

Ainda no documento elaborado pela PF, consta o seguinte trecho:“em seguida, ROBERTO perguntou se poderia falar com os jornalistas sobre a nota que publicariam e o advogado respondeu: ‘Prefiro que não revele a nossa estratégia. Pode passar o meu contato. Neste primeiro momento apenas direi que vou me inteirar do caso… Aí elaboramos a nota e depois enviamos. Claro, com a concordância de vocês com o conteúdo dela”.

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