Marcha para Jesus reagrupa oposição e isola Messias
Evento reuniu Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ricardo Nunes e Flávio Bolsonaro
A Marcha para Jesus deste ano, em São Paulo, expôs diferentes estratégias políticas no campo conservador e no governo federal. De um lado, o senador Flávio Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas voltaram a dividir espaço público após semanas de distanciamento provocado pela crise envolvendo o filme “Dark Horse”. Do outro, o ministro da AGU, Jorge Messias, representou o governo Lula em um trio elétrico separado, sem participação conjunta com os principais nomes da direita.
O evento marcou o primeiro encontro público entre Flávio e Tarcísio desde o desgaste causado pelas revelações sobre a produção do longa ligado à trajetória de Jair Bolsonaro. Nos bastidores, o governador paulista vinha evitando aparições ao lado do senador para não ser associado à controvérsia, mas a Marcha para Jesus serviu como oportunidade para demonstrar reaproximação diante do eleitorado evangélico.
Além deles, o prefeito Ricardo Nunes também participou da programação. Já Jorge Messias, principal interlocutor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva junto ao segmento evangélico, compareceu como representante do governo federal, mas em um espaço distinto do trio formado por lideranças da direita.
A separação visual reforçou a disputa política em torno do eleitorado evangélico, um dos principais alvos da corrida presidencial de 2026. Enquanto Flávio busca consolidar sua pré-candidatura e reconstruir pontes com aliados após semanas turbulentas, Tarcísio procura manter influência nesse segmento sem se afastar completamente do bolsonarismo. Já o Planalto aposta em Jorge Messias para ampliar o diálogo com lideranças religiosas e reduzir a resistência ao governo entre os evangélicos.