Três em um

Manobras fazem a Câmara do DF pagar três salários para a mesma vaga de deputado

Suplente Rufino assumiu na Câmara por um dia para levar a remuneração de deputada para seu cargo no governo, abrindo vaga para mais um suplente, Guarda Jânio

acessibilidade:
Uma vaga, três remunerações de deputado: Fernandes virou administrador de Ceilândia e foi substituído por Thelma Rufino, que assumiu por um dia, pegou a remuneração de deputada e reassumiu a "prefeitura" de Arniqueiras, abrindo vaga para mais um suplente, Guarda Jânio.

Uma mesma vaga de deputado distrital, na Câmara Legislativa do Distrito Federal, está gerando três gordos salários de R$25.322,25, graças a uma jogada esperta que se aproveita de nomeações para cargos no governo do DF.

Tudo começou quando o deputado distrital Fernando Fernandes, que é delegado da Polícia Civil, foi nomeado para o cargo de administrador regional (ou “prefeito”) de Ceilândia, cidade de mais de 500 mil habitantes.

Com a posse de Fernandes, sua suplente Thelma Rufino, que ocupava a chefia da administração regional de outra cidade, Arniqueiras, acabou por se demitir para assumir a vaga aberta na Câmara Legislativa.

Como “prefeita” de Arniqueiras, para onde foi designada na condição de suplente, Thelma Rufino tinha salário de R$14.430,49, mais de dez mil reais inferior aos subsídios de R$25.322,25 de parlamentar, sem contar mais os R$15.193,35 de “verba indenizatória”, que totalizam uma remuneração de R$40.525,60.

Rufino parece ter aproveitado esse troca-troca para resolver seu “problema”: renomeada administradora regional, desta vez ela levou para o cargo a remuneração de deputada distrital, aumentando seus ganhos substancialmente.

Com a reabertura da vaga de Fernandes, a Câmara Legislativa convocou o suplente seguinte, Guarda Jânio, para se transformar no terceiro deputado distrital pago para exercer o mesmo mandato.