Jogatina

Lobby leva parlamentares aos grandes cassinos, diz Girão

“Sanha do governo por arrecadar jogou princípios no lixo”, completa senador

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Senador Eduardo Girão (Novo-CE).

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) avalia que o lobby pela legalização da jogatina no Brasil escalonou alto nível de influência sobre o poder Legislativo, capaz de dispensar, neste caso, até mesmo a articulação do governo Lula, que é a favor da aprovação do projeto relatado pelo senador Irajá (PSD-TO), atualmente em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa Alta do Congresso Nacional, para emplacar no Brasil a volta dos cassinos. Girão afirma que o lobby atua seduzindo parlamentares por meio de propostas e viagens.

“São quinhentos bingos que vão abrir no Brasil e até sessenta cassinos que podem ser inaugurados. Agora o lobby é para voltar. O custo social é três vezes maior do que vai se arrecadar, fora a corrupção e a lavagem de dinheiro”, ponderou.

E completou: “o lobby tem convidado parlamentares para ir aos grandes conglomerados de magnatas visitar cassinos e atua forte para que haja essa liberação”.

O parlamentar acredita que a legalização será chamariz para “prostituição infantojuvenil, que especialmente no Nordeste nós já temos demais. É uma coisa para poucos ganharem e muitos perderem. Quem lembra a época do bingo, em que os velhinhos perdiam tudo para político fazer lavagem de dinheiro? O próprio Lula acabou com isso. Agora, a sanha do governo por arrecadação joga o resto dos valores e princípios no lixo. Quem está perdendo com isso? Os mais pobres. Hoje, cem reais do Bolsa Família, em média, está sendo comprometido com jogos de azar. Esse é o governo dos mais pobres?”.

Girão também argumenta que os jogos de azar não geram nova receita, uma vez que todas as demais atividades de consumo pagam impostos maiores do que os tributos incidentes sobre os jogos. De acordo com o parlamentar, o vício na jogatina vai desviar os investimentos direcionados para outros setores da economia.

“Por outro lado, a legalização da jogatina acarretará uma redução no número de empregos no país, pois a quantidade criada será menor do que a destruída em outros setores. Além disso, os empregos do setor de jogos pagam menos do que as atividades que serão prejudicadas”, arrematou.

 

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