Jaques Wagner admite ligação com ex-sócio do Master e reclama a Lula
Senador confirma relação com empresário investigado, crítica operação da Polícia Federal e leva insatisfação diretamente ao presidente
O senador Jaques Wagner admitiu manter relação com o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal sobre o chamado Caso Master.
Segundo o parlamentar, a proximidade com o empresário era conhecida e não representava irregularidade.
A declaração ocorreu após a divulgação de informações que apontam trocas de mensagens e contatos frequentes entre ambos.
De acordo com documentos da investigação, a PF identificou elementos que indicariam uma relação próxima entre Wagner e Augusto Lima.
Entre os materiais analisados estão mensagens que, segundo os investigadores, demonstram interlocução direta entre o senador e o empresário em assuntos ligados ao Banco Master.
Wagner, por sua vez, sustenta que os contatos ocorreram dentro da normalidade e nega qualquer participação em irregularidades investigadas pelas autoridades.
Nos bastidores do governo, o episódio gerou desconforto político.
Em entrevista para a Folha de S. Paulo, Wagner afirmou ter reclamado diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a condução da operação da Polícia Federal, classificando a ação como uma “patacoada”.
O senador argumentou que as medidas adotadas contra ele foram excessivas e que não há elementos que justifiquem as suspeitas apresentadas até o momento.
A informação foi revelada por reportagem publicada nesta semana por um grande jornal de circulação nacional.
A investigação da PF apura suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e recebimento de vantagens indevidas relacionadas ao Banco Master.
Entre os indícios citados pelos investigadores está a suposta concessão de benefícios patrimoniais ao senador por pessoas ligadas ao banco.
Wagner nega as acusações e afirma que não foi denunciado nem responde como réu no processo.
O caso ganhou ainda mais repercussão após a Polícia Federal cumprir mandados relacionados ao parlamentar durante a nona fase da Operação Compliance Zero.
A ofensiva ampliou a pressão sobre o governo federal e colocou um dos principais aliados de Lula no centro das apurações envolvendo o antigo Banco Master.
Diante da crise, Wagner anunciou sua saída da liderança do governo no Senado.
Segundo ele, a decisão foi tomada em comum acordo com Lula.
O senador declarou que pretende concentrar esforços em sua defesa e na tentativa de demonstrar sua inocência perante a Justiça e a opinião pública.
Embora admita conhecer e manter relação com Augusto Ferreira Lima, Wagner afirma que isso não configura qualquer prática ilícita.
As investigações seguem em andamento, enquanto a PF busca esclarecer a extensão dos vínculos entre agentes políticos e personagens ligados ao Banco Master.
Até o momento, o senador continua negando todas as acusações apresentadas contra ele.