Inflação fura teto da meta e prévia de maio é a maior em 10 anos
Com explosão no preço dos alimentos e conta de luz mais cara, custo de vida do brasileiro dispara e acende sinal vermelho
O custo de vida dos brasileiros continua sob forte pressão, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, registrou alta de 0,62% em maio de 2026, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com o novo avanço, o indicador acumulado nos últimos 12 meses saltou para 4,64%, superando o limite máximo de tolerância estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5% (meta de 3% com margem de 1,5 ponto percentual).
O resultado atual rompe um teto que não era superado desde outubro do ano passado e se posiciona como a maior taxa para o mês de maio desde 2016.
O bolso do cidadão sente o reflexo direto desse avanço principalmente na mesa e nas contas básicas de manutenção do lar.
O grupo de Alimentação e Bebidas foi o principal responsável pelo impacto para cima no índice geral, registrando uma variação expressiva de 1,38% no mês.
Os alimentos consumidos dentro de casa seguem em patamares elevados, acumulando uma alta de 1,73%.
Entre os principais vilões do orçamento doméstico estão itens essenciais como a batata-inglesa, que disparou 26,29%, o tomate, com alta de 12,97%, o leite longa vida, que subiu 6,07%, e as carnes, com encarecimento de 1,98%.
Além dos alimentos, as despesas compulsórias com infraestrutura residencial pesaram significativamente no orçamento das famílias.
O grupo Habitação avançou 1,03% em maio, impulsionado sobretudo pelo reajuste de 2,16% na energia elétrica residencial.
O aumento nas contas de luz decorre do acionamento da bandeira tarifária amarela pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que adicionou uma cobrança extra de R$1,885 a cada 100 kWh consumidos, justificada pela necessidade de ativação de usinas termelétricas devido à escassez de chuvas.
Outro vetor de pressão inflacionária veio do setor de Saúde e Cuidados Pessoais, que apresentou elevação de 1,05% no período.
O resultado reflete o impacto residual do reajuste anual autorizado de até 3,81% nos preços dos medicamentos, em vigor desde o início de abril, fazendo com que os produtos farmacêuticos subissem 1,25% e os itens de higiene pessoal avançassem 1,60%.
Em contrapartida, o grupo de Transportes foi a única categoria a registrar variação negativa no mês, com queda de 0,33%.
O alívio momentâneo foi puxado pelo recuo de 1,47% nos combustíveis, com reduções no etanol (-2,73%), óleo diesel (-2,04%) e gasolina (-1,32%), o que mitigou parcialmente o forte reajuste de 6,06% sofrido pelo setor no mês anterior.
No entanto, o segmento ainda registrou pressões internas, como a alta de 3,25% nas passagens aéreas e o aumento de 2,12% no gás veicular.
Regionalmente, o impacto da inflação ocorreu de forma heterogênea pelo território nacional.
A maior variação do IPCA-15 em maio foi registrada no município de Goiânia, onde o índice saltou 1,41%, impulsionado por altas locais expressivas nos combustíveis, como o etanol (16,62%) e a gasolina (9,67%).
Por outro lado, o menor resultado foi verificado em Brasília, com taxa de 0,33%, beneficiada por reduções pontuais nas tarifas de ônibus urbano (-3,30%) e no preço médio da gasolina (-2,96%) na capital federal.