Implosão ‘apaga’ prédio em ruínas da paisagem de Brasília
Prédio abandonado e ocupado por usuários de drogas é implodido em operação controlada
Conhecido nos últimos anos por abrigar usuários de drogas e invasores, o Torre Palace Hotel teve sua história encerrada na manhã deste domingo (25), com uma implosão controlada que marcou o fim de um dos empreendimentos mais emblemáticos do Distrito Federal.
Após mais de cinco décadas de existência, o prédio foi ao chão com o uso de aproximadamente 165 quilos de explosivos.
A demolição foi precedida por um amplo esquema de segurança, montado para proteger moradores da região e o público que acompanhou a ação. O procedimento ocorreu de forma planejada e sem registro de incidentes.
Veja o momento da explosão abaixo:
DF: Explosivos põem fim ao Torre Palace Hotel https://t.co/RlMh5NIC5z pic.twitter.com/HOI9DjamZF
— Diário do Poder (@diariodopoder) January 25, 2026
Inaugurado em 1973, o Torre Palace Hotel chegou a ser referência de luxo em Brasília. Com classificação quatro estrelas, o empreendimento foi construído e administrado pelo empresário libanês Jibran El-Hadj, que acumulou um patrimônio estimado em R$ 200 milhões em valores da época. O cenário começou a mudar após sua morte, no início dos anos 2000, quando uma disputa familiar pela herança deu início ao declínio do hotel.
Sem acordo entre a esposa e os seis filhos, o imóvel entrou em um limbo jurídico. A briga judicial impediu qualquer tipo de intervenção no prédio, como restauração, venda ou demolição. Três dos filhos deixaram a sociedade em 2007 e acionaram a Justiça para cobrar cerca de R$ 51 milhões, valor que consideravam correspondente à sua parte na herança.
Com o passar dos anos, o hotel foi abandonado e ficou à mercê do tempo. O local passou a ser ocupado por usuários de drogas e pessoas em situação de vulnerabilidade. A fachada foi tomada por pichações, enquanto o interior do prédio foi saqueado e destruído.
Em determinado momento, o Governo do Distrito Federal (GDF) precisou acionar o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) para retirar invasores do edifício.
Em 2020, o Torre Palace foi levado a leilão, mas não despertou interesse. Durante seis dias, nenhum lance foi apresentado para o valor mínimo de R$ 35 milhões, definido após avaliação. Um comprador chegou a surgir em dezembro daquele ano, mas o grupo desistiu do negócio e obteve autorização judicial para cancelar a aquisição.
Um novo interessado demorou a aparecer, e apenas no ano passado o prédio foi finalmente vendido, abrindo caminho para a implosão realizada neste domingo.