Crise nos Correios

Haddad descarta aporte nos Correios: ‘não está no radar neste momento’

Governo Lula recorreu à Caixa Econômica Federal para assegurar um empréstimo à empresa estatal ainda em 2025

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(Foto: Agência Brasil)

O governo federal, sob a gestão Lula, comunicou aos Correios nesta terça-feira, 9, que a injeção de capital com fundos do Tesouro Nacional na estatal ainda em 2025 está excluída. A equipe econômica avalia que o prazo restante no ano é insuficiente para superar as barreiras técnicas que impedem a liberação desses recursos.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou a jornalistas que um aporte nos Correios “não é o que está no radar neste momento”.

Haddad explicou que há duas alternativas:

“Um caminho é o aporte, que pode se tornar necessário se nós não chegarmos a um acordo com o pool de bancos que vão financiar a reestruturação da companhia. Não vamos ficar com a faca no pescoço por conta de uma incompreensão da parte de uma ou outra instituição financeira”.

O ministro ressaltou que, se necessário, o aporte seria feito respeitando a regra fiscal do governo, dizendo:

“Não estamos pensando em nada fora do arcabouço (fiscal). Estamos pensando em fazer aporte, se necessário, dentro do arcabouço. Nós temos margem neste ano, poderíamos fazer. Não é o que está no radar neste momento, uma vez que tem havido conversas que avançaram. O que a gente quer é o seguinte: o aval do Tesouro mediante um plano de reestruturação sério”.

Com a exclusão do aporte direto, o governo Lula recorreu à Caixa Econômica Federal para assegurar um empréstimo à empresa estatal ainda em 2025. O Palácio do Planalto visa finalizar esta operação de crédito até o dia 20 de dezembro, a fim de evitar atrasos no pagamento do 13º salário dos funcionários.

Segundo apuração do jornal O Globo, citando fontes do banco, o montante do empréstimo deve ser de R$ 10 bilhões a R$ 15 bilhões, um valor inferior aos R$ 20 bilhões que a empresa havia solicitado.

A diretoria dos Correios estava em negociação por um empréstimo de R$ 20 bilhões com um conjunto de bancos. Contudo, a negociação foi interrompida devido aos custos elevados da operação. A proposta que estava em análise previa juros próximos a 136% do CDI, uma taxa superior ao patamar usualmente visto para operações que contam com garantia da União, que é de até 120%.

A estatal havia sido notificada de que o Tesouro Nacional não aprovaria a garantia do financiamento caso a taxa de juros excedesse os 120% do CDI.

Além disso, nesta quarta-feira o governo Lula editou um decreto que autoriza estatais não dependentes que estejam em crise a apresentarem um plano de reequilíbrio econômico-financeiro.

O Ministério da Gestão informou que “o novo mecanismo cria um caminho estruturado para que empresas estatais federais enfrentem desafios conjunturais sem ser, de imediato, reclassificadas como dependentes do Tesouro Nacional”. Esta nova regra abre a possibilidade de um futuro aporte do Tesouro Nacional a essas empresas, incluindo os Correios.