Campanha antecipada

6×1: governo Lula torra R$80 milhões em propaganda

Planalto gasta o dobro do orçamento do IR para inflar pauta populista na mídia

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Fachada do Palácio do Planalto em Brasília | Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva direcionou R$80 milhões de recursos dos cofres públicos para a realização de campanhas publicitárias em defesa do fim da escala de trabalho 6×1 e da consequente redução da jornada semanal de trabalho. 

As inserções promocionais, lançadas pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, passaram a circular intensamente em veículos de mídia tradicional e plataformas digitais com o mote voltado à “valorização do tempo em família”.

O montante bilionário gasto na promoção da pauta trabalhista chama atenção quando comparado a outros compromissos de divulgação da própria gestão federal. 

O valor despendido com as peças publicitárias da jornada de trabalho representa exatamente o dobro do investimento aplicado pelo Palácio do Planalto para divulgar a proposta de isenção do Imposto de Renda (IR) para contribuintes que recebem até R$5 mil mensais, que contou com R$40 milhões.

Os dados orçamentários apontam que a distribuição dos recursos da Secom foi pulverizada em redes sociais, anúncios de rádio, canais de televisão e mídia impressa. 

O Planalto intensificou a veiculação do material em meio ao avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) no Poder Legislativo, utilizando a estrutura de comunicação estatal para dar tração popular à matéria após a aprovação do texto na Câmara dos Deputados e seu envio para o Senado Federal.

Questionada a respeito do volume de capital injetado na campanha, a Secretaria de Comunicação Social informou formalmente que não há previsibilidade de ampliação dos R$80 milhões já destinados à causa. 

A pasta declarou que a destinação do montante seguiu critérios técnicos de cobertura geográfica, perfil de público-alvo e alcance de audiência. 

Enquanto isso, o Executivo mantém a estratégia institucional e ministerial ativa para assegurar que a proposta seja referendada pelos senadores sem a previsão de prazos longos de transição para o setor produtivo.