MISSÃO WASHINGTON

Flávio vai aos EUA para salvar o Pix a barrar tarifaço americano contra o Brasil

Alinhado a Trump e à ala republicana, senador articula em Washington para proteger o setor produtivo e denunciar retrocessos institucionais do atual governo

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Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República. (Foto: Reprodução/Redes Sociais/Acervo Pessoal).

O senador Flávio Bolsonaro oficializou sua inscrição para participar presencialmente de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

O objetivo principal da iniciativa, informada por interlocutores e aliados como o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, é se posicionar de forma contrária à proposta de aplicação de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros, além de atuar diretamente para blindar o sistema de pagamentos Pix de sanções ou questionamentos do mercado externo.

A audiência em Washington está agendada para o dia 6 de julho, antecedendo o prazo final de 15 de julho estabelecido pelas autoridades norte-americanas para decidir sobre a adoção das restrições comerciais.

No documento formal enviado ao órgão de comércio dos EUA, a defesa do parlamentar solicitou um tempo de fala de cinco minutos para apresentar argumentos contra o “tarifaço”, uma medida protecionista que possui o potencial de afetar até 21% do volume total das exportações brasileiras para o mercado norte-americano.

A linha de argumentação que será apresentada pelo senador enfatiza que a imposição de barreiras tarifárias acaba por penalizar a sociedade civil e o setor produtivo brasileiro em vez de focar nos reais responsáveis pelas instabilidades diplomáticas recentes.

A estratégia recomendada por Flávio Bolsonaro defende a suspensão imediata da aplicação das tarifas de 25% propostas pelo USTR e a abertura de um mecanismo bilateral de negociação com agenda técnica, cronograma claro, metas definidas e criação de uma estrutura de acompanhamento e fiscalização mútua para manter os canais de diálogo institucionais ativos.

O relatório norte-americano que originou a proposta de sanções comerciais fundamenta-se em pontos críticos identificados no cenário institucional do atual governo brasileiro.

Entre os fatores listados no documento oficial dos EUA estão o retrocesso em pautas de combate à corrupção, exemplificado pela anulação de provas e sentenças da Operação Lava Jato, além da falta de transparência observada nos processos de renegociação dos acordos de leniência de grandes empresas nacionais.

Antes de formalizar o pedido de participação na audiência pública, a comitiva de interlocutores da oposição ao Palácio do Planalto já havia realizado agendas diretas em solo americano para pavimentar o caminho da diplomacia conservadora.

Foram mantidos contatos com lideranças da ala republicana, incluindo o presidente Donald Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, com a finalidade de construir pontes alternativas e demonstrar o descontentamento do setor econômico produtivo do Brasil com o avanço da escalada protecionista.